Campo Grande-MS 24.07.2017
Serrada Capivara - Itália
Sexta-Feira, 12.08.2011 às 05:00
Serrada Capivara - Itália
Paulo Renato Coelho Netto
João Batista Natali - Folhapress para o Top Vitrine
João Batista Natali/Folhapress
Vista panôramica da cidade baixa
Pesquisadora e autoridades divergem sobre preservação de desenhos pré-históricos de 50 mil anos; patrimônio da Unesco desde 1991, eles foram danificados à bala em data incerta
ITÁLIA
Navegando pelo sul peninsular
Transatlânticos que virão à costa brasileira para a temporada 2011/2012 agora singram águas mediterrâneas;

Desenhos pré-históricos exibem marcas de tiros
Em entrevista, a pesquisadora que descobriu pinturas  rupestres na serra da capivara reclama da insegurança no parque nacional; o sítio no piauí é tombado pela unesco

Marina Lang - De São Paulo

Numa disputa com o governo federal, de quem espera receber recursos para manter, nos rincões do Piauí, um museu a céu aberto com desenhos rupestres de até 50 mil anos, segundo a Unesco, a arqueóloga paulista Niède Guidon faz alarde sobre as marcas de tiros nas pinturas.
A pesquisadora diz temer pela segurança dos 300 sítios arqueológicos e 25 mil pinturas rupestres que descobriu, em 1970, no parque nacional da Serra da Capivara.
E afirma que o vandalismo foi praticado "há três anos", supostamente por caçadores.
Já o ICMbio, órgão federal que deveria zelar pela área, contesta: diz que as pinturas foram violadas há dez anos (veja outro lado na pág. F3).
Isolado, esse sítio arqueológico que conta a história de homens ancestrais fica numa paisagem semiárida e exibe curiosas formações rochosas areníticas, cânions e encostas escarpadas.
Há 19 anos, Niède Guidon cuida desse achado arqueológico no parque nacional.
O local se tornou patrimônio cultural da humanidade, um título concedido pela Unesco, em 1991.
Tensa, a relação entre a pesquisadora e as autoridades está num momento crítico. Ela declara que as obras do aeroporto internacional de São Raimundo Nonato (PI) têm ritmo lento há 11 anos.
E credita a morosidade "a desvios de verbas públicas".
"São diversas as figuras humanas com marcas de balas; acho que o Brasil está deixando de lado um patrimônio que tem um valor imenso e que pode mudar a história do Piauí", diz Guidon.
Leia a seguir os principais trechos da entrevista exclusiva concedida por ela à Folha por telefone:
Folha - Há pinturas da Pré-História no parque que datam de quase 30 mil anos. Quem danificou esse patrimônio?
Niède Guidon - Os caçadores. Ou outras pessoas, eu não posso dizer com exatidão; mas estão brincando de atirar nas figuras. São diversas figuras humanas, desenhos pré-históricos, que estão com marca de tiros.

Quando a sra. notou os tiros?
Eu comecei a ver, mas, por problemas de saúde, não vou todo o dia aos locais: são mais de 1.800 sítios [o site da Unesco, whc.unesco.org/en/list/606, menciona mais de 300]. Há três anos comecei a ver isso, os tiros foram registrados na mesma época. Costumava ir lá todos os dias, mas agora já não posso, por problema de saúde.

Autoridades foram informadas dos danos às pinturas?
Sim, informamos. Em São Raimundo Nonato há escritório do Iphan [o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional]. Comunicamos a eles, mas a representação aqui não pode fazer nada, há só uma pessoa, com pouco recurso governamental.

Foi aberta uma queixa na polícia sobre os tiros nas pinturas?
Não, não adianta reclamar na polícia. A polícia mal dá conta do que se tem a fazer na cidade. As autoridades em geral moram na capital, Teresina, ficam poucos dias aqui. O Piauí funciona desse jeito. Não adianta dar parte...
Agora estão falando na criação de um batalhão ambiental, mas se fala disso há tempos. Aparentemente, o governo não tem dinheiro.

E quanto à Unesco, ela está ciente da situação?
Também já passei as informações para a Unesco, que não pode interferir num assunto nacional. Mas podem tirar o título de patrimônio. Não se fala disso, porque enquanto pudermos aguentar, ficamos. O Brasil está deixando de lado um patrimônio que tem um valor imenso, que pode mudar a história do Piauí.

Existe a possibilidade de vocês saírem do parque?
Se não houver dinheiro, não tem como fazer. O parque é imenso, 250 km de perímetro, precisa de R$ 5 milhões [o parque recebeu a metade disso no ano passado].
O problema é o aeroporto. Nosso projeto é autossustentável, mas depende do aeroporto para funcionar. Em 1996, conseguimos que o governo federal construísse um aeroporto. No ano seguinte, foi a primeira liberação de verbas, mas não sei por que cargas-d'água o governo manda as verbas para o governo do Piauí. Esse dinheiro sumiu, foi usado na campanha eleitoral de 1998. A obra só foi iniciada em 2004.
Os turistas reclamam da dificuldade de chegar. As estradas aqui são perigosíssimas, estreitas, cheias de buraco. É uma aventura vir para cá e nossos turistas são geralmente pessoas de certa idade.
Não há dinheiro suficiente para manter o parque, nem gente. Pessoas capacitadas também deveriam ser mandadas para o interior.

Qual seria a solução para a questão do aeroporto?
A presidente Dilma privatizou vários aeroportos. Se conseguíssemos privatização, aí pronto, estaria tudo salvo. Como o parque é um destino turístico que poderia receber turistas na Copa de 2014, há empresas estrangeiras que estão interessadas em construir hotéis aqui e em terminar o aeroporto.

Existe contrapartida das autoridades sobre a privatização?
Não sei, estamos aguardando uma definição. Espero que a administração federal tenha bom senso para privatizar o terminal e desenvolver o turismo arqueológico e natural daqui.

Se a verba cessar, o que acontece com a manutenção?
O parque nacional da Serra da Capivara acaba, não há como mantê-lo. Tínhamos R$ 8.000 em caixa; nossa salvação foi a Petrobras, que nos depositou dinheiro por meio da Lei Rouanet. Temos verba para três meses.

O que a sra. ganha com a manutenção do parque?
Não ganho nada; sou aposentada pelo governo francês. Não se pode destruir isso. O que nos faz lutar é o sentimento de que não pode se perder esse patrimônio.

"Tiros têm dez anos, e não só três', diz Instituto.

O Instituto Chico Mendes (ICMbio), braço do Ministério do Meio Ambiente responsável pela conservação de reservas ambientais (incluídos, aí, os parques nacionais), rebateu pontos levantados pela arqueóloga Niède Guidon em entrevista exclusiva à Folha.
Em comunicado da assessoria de imprensa, o órgão governamental declarou que "os tiros a que a arqueóloga se refere datam de dez anos atrás, quando caçadores conseguiam entrar ilegalmente no parque. Hoje em dia isso não ocorre mais, uma vez que o parque encontra-se muito bem monitorado".
A assessoria do ICMBio também afirma que cuida da vigilância de 14 bases do parque, e que conta com 34 funcionários, entre servidores e prestadores de serviços.
Outras 14 bases são de responsabilidade da Fundação Museu do Homem Americano (Fundham), que é capitaneada por Guidon.
Segundo depoimento da arqueóloga, o parque nacional piauiense "carece de funcionários federais na sua administração." Ela diz que faltam ainda verbas para manutenção do local, cujo perímetro é de 250 km.
A nota do órgão federal registra que ''assim que a equipe do ICMBio analisar os dados, poderá fazer um termo aditivo para continuação da parceria e alocação de mais recursos", acrescentando que, desde 2009, mais de R$ 1,2 milhão foram repassados à Fundham.
"O valor atualmente destinado ao parque nacional da Serra da Capivara está muito acima do valor aplicado em média nas demais 309 unidades de conservação federais, em que pese o reconhecimento do Instituto Chico Mendes de que o valor destinado à unidade (mais de R$ 800 mil por ano) é insuficiente." 
AEROPORTO EM OBRAS
Consultado pela Folha, o deputado federal José Francisco Paes Landim (PTB-PI), declarou que por volta de R$ 20 milhões já foram gastos no aeroporto internacional de São Raimundo Nonato, cuja criação ocorreu em 1996, por decreto --e estimou que outros R$ 10 milhões serão necessários para sua conclusão.
Atualmente, esse parlamentar pleiteia recursos junto à União. "As obras devem ser concluídas neste ano, com a liberação de R$ 8 milhões em recursos pelo governo federal", previu.
Quanto à demora na conclusão do aeroporto, Paes Landim afirma que a pista do aeroporto está pronta, "e que falta pouco mais da metade" para toda a obra acabar.
Procurado pela reportagem para rebater acusações de Guidon sobre desvio de verba, o governo do Estado do Piauí não se pronunciou.
A Polícia Federal também não se manifestou sobre atividades de caça no perímetro do parque nacional, expressamente proibida por lei federal (leia mais à pág. F5).
Questionada pela reportagem, a Unesco não comentou as marcas de tiros nas pinturas ancestrais. (marina lang)
Pacotes para a serra da capivara
COM AÉREO

PREÇO POR PESSOA EM APARTAMENTO DUPLO

R$ 2.307
Cinco noites no hotel Serra da Capivara. Inclui jantar e almoço ou lanche durante as visitas aos sítios de pinturas rupestres. Inclui também os seguintes passeios: desfiladeiro da Capivara, Caldeirão dos Rodrigues, serra Branca, Baixão das Andorinhas, trilha Hombu, pedra Furada e Boqueirão. Saída em 29 de agosto. Na Ambiental: 0/xx/11/3818-4600; www.ambiental.tur.br.

R$ 3.060
Cinco noites no hotel Serra da Capivara. Inclui pensão completa (almoço ou lanches durante as visitas aos sítios com pinturas rupestres) e os seguintes passeios: desfiladeiro da Capivara, Boqueirão do Paraguaio, circuito Caldeirão dos Rodrigues, serra Branca, Baixão das Andorinhas, museu do Homem Americano, Trilha de Hombu, pedra Furada, Baixão das Mulheres e Boqueirão da Pedra Furada. Na Cia Eco: 0/xx/11/5571-2525; www.ciaeco.tur.br.

R$ 3.390
Pacote com cinco noites de hospedagem no hotel Serra da Capivara. Inclui pensão completa e os seguintes passeios: parque nacional da Serra da Capivara, Alto da Baixada, Baixão das Andorinhas, Caldeirão do Rodrigues, trilha de Hombu, Arkeópolis, Boqueirão da Pedra Furada e museu do Homem Americano. Na Pisa Trekking: 0/xx/11/5052-4085; www.pisa.tur.br.

R$ 3.400
Cinco noites de hospedagem no hotel Serra da Capivara. Inclui pensão completa (lanches de trilha e jantares), guias e os seguintes passeios: Alto da Chapada, Baixão das Andorinhas, trilha de Hombu, Boqueirão da Pedra Furada e museu do Homem Americano. Na Sem Fronteiras: 0/xx/11/2091-3595; www.semfronteiras.tur.br. E roteiro semelhante na Freeway: 0/xx/11/5088-0999; www.freeway.tur.br.

Caçada de animais que visa lucro é proibida no Brasil
Lei de 1967 erradica a caça de animais silvestres; já a caça esportiva varia de acordo com legislação estadual

Atividade amadora ou esportiva é permitida em uma minoria de
Estados brasileiros, que legislam sobre o tema

DE SÃO PAULO

A propósito da afirmação de que "caçadores" podem ter violado as pinturas ancestrais na Serra da Capivara, o exame da legislação sobre o assunto indica que a caça é expressamente proibida em reservas e parques nacionais brasileiros, que são áreas criadas com o intuito claro de preservação de ecossistemas, fauna e flora, de acordo com a lei nº 9.985/00.
Há, no entanto, três tipos de atividade a serem discernidas, segundo ONGs e especialistas consultados pela Folha: a caça profissional, a de subsistência e a amadora.
Essa atividade na esfera profissional é proibida no país desde 1967, quando foi sancionada a lei nº 5.197. Segundo a ONG Renctas, é a partir daí que começa "a história do tráfico da fauna silvestre brasileira".
A legislação, no entanto, faz exceção à caça de subsistência indígena, de acordo com a advogada Alzira Papadimacopoulos.
"A divisão de categorias se deu por causa dos índios. A caça de subsistência, pelos índios, é permitida", afirma.
"O que não ficou claro, desde a Constituição de 1988, é o que fazer com a caça amadora."
No parecer da advogada, "a Constituição federal prevê que os Estados devem legislar sobre aquilo que lhe é peculiar" e "cada Estado tem a sua legislação própria sobre a caça amadora."
Em São Paulo, por exemplo, a caça amadora é proibida por lei --assim como na maioria dos Estados brasileiros, diz ela. "Uma minoria aceita a caça amadora, também conhecida como desportiva."
Já lei nº 9.605/98, que tipifica maus-tratos aos animais, também tem relação com o assunto. "Se a caça desportiva for tida por ato cruel, é considerada maus-tratos e, portanto, crime ambiental", diz ela.
(marina LANG)
Roteiro por portos do Mediterrâneo leva a cidadezinhas
Locais foram construídos em cima de penhascos, com extensão ao nível do mar para receber e enviar navios.
JOÃO BATISTA NATALI - ENVIADO ESPECIAL À ITÁLIA

O Mediterrâneo italiano esconde, sem querer, uma parte de suas atrações históricas e turísticas. São cidadezinhas eclipsadas por pontos de maior visitação, como Capri ou Pisa, ou que, nas ilhas da Sardenha ou Sicília, só entram no roteiro de um punhado de turistas europeus.
Mas esses conglomerados pouco maiores que aldeias "'como as sicilianas Taormina e Érice, ou a sarda Olbia"' trazem monumentos que contam um pouco de uma história agitada e pululada por invasões estrangeiras.
Para se proteger contra elas, dezenas de cidadezinhas foram construídas em cima de montanhas ou penhascos, com uma extensão ao nível do mar, mas só para receber e enviar navios.
Controlar o Mediterrâneo era praticamente controlar o mundo conhecido na Antiguidade e na Idade Média, monopolizar rotas comerciais ou piratear carregamentos alheios. A palavra "corsário" tem por origem a Córsega, ilha hoje francesa, mas de um passado mais italiano.
Foi assim que se alternaram como forças dominantes os etruscos, os gregos e os romanos, os normandos e os mouros, espanhóis e franceses, numa sequência que só parou quando a Itália se reunificou no século 19, enquadrou o litoral e agregou as ilhas ao seu território.
O fato é que esses povos deixaram, como rastro, estilos diferentes na construção de templos e anfiteatros, muralhas e castelos. São pedras que "falam" sobre a peste ou sobre o genocídio praticados por vencedores, sobre dialetos cada vez menos falados ou sobre o pão, as frutas ou as carnes disponíveis.
É bem verdade que tudo isso hoje se dilui, para os estrangeiros, debaixo da ideia de exotismo ou de particularidades regionais. Foi essa diversidade, no entanto, que gerou uma parte da história que também nos pertence.
Reserva ecológica atrai luxo e celebridades
Chalé com dois quartos pode ser alugado, por duas semanas, por cerca de R$ 159mil

DO ENVIADO À ITÁLIA

Porto Cervo é uma espécie de reserva ecológica concebida para uma espécie que não está em extinção: a de milionários que no passado também frequentavam Saint-Tropez, Ibiza ou Capri.
Com uma população permanente de 200 pessoas, a cidadezinha abriga na alta temporada celebridades políticas como o premiê italiano Silvio Berlusconi ou seu colega russo Vladimir Putin, que navegam em duas das 600 lanchas ou iates ali ancorados.
Uma agência imobiliária, a Toscana, anuncia o aluguel de um chalé de dois quartos pelo equivalente a R$ 159 mil por duas semanas. Claro que há maneiras mais baratas de se alojar, com diárias de hotéis a partir de R$ 490. Mas o que prevalece é o luxo.
Esse recanto da Sardenha era evitado até os anos 50 em razão da alta incidência da malária, erradicada com a ajuda da Fundação Rockefeller. Os terrenos foram comprados e reloteados nos anos 60 pelo bilionário muçulmano e príncipe Karim Aga Khan, que construiu os primeiros hotéis de luxo, desenhados pelo arquiteto e urbanista Luigi Vietti (1903-1998).
As praias são estreitas e tímidas se comparadas às brasileiras. Mas não são elas que atraem os visitantes, interessados em se isolar no verão pela barreira dos preços do comércio local. Compram-se sapatos de salto alto por R$ 1.200, vestidos simples por R$ 2.080, ou uma jaqueta de linho pela bagatela de R$ 6.730. Na praça principal, come-se um espaguete com cogumelos, o prato mais barato, por R$ 58, o triplo do preço de um restaurante italiano de classe média.
Por pura ironia, no imaginário da esquerda italiana, a Sardenha é mais evocada como a ilha em que nasceram Antonio Gramsci (1891-1937) e Enrico Berlinguer (1922-1984), dois dos mais intelectualizados dirigentes comunistas da Europa Ocidental.
Erice e Taormina encerram histórias da Sicília ancestral

Suspensas sobre montanhas, cidades-fortalezas foram concebidas para resistir aos invasores vindos do mar.

A influência grecoromana é marca, mas a região foi habitada por mouros, normandos, espanhóis e franceses.

DO ENVIADO À ITÁLIA

A civilização greco-romana não foi a primeira ocupante dessas duas cidadezinhas italianas, suspensas sobre montanhas rochosas e hoje uma com linhas medievais. Eram cidades-fortalezas, construídas para resistir aos invasores vindos do mar. Ambas na Sicília: Erice, no extremo oeste da ilha, e Taormina, a sudoeste. São dois passeios com história para contar.
Vejamos Erice, com seus 2.000 habitantes no perímetro antigo, a 750 m de altura e que não dispõe mais de sua muralha, "reciclada" por camponeses de há alguns séculos para construir casas.
Não há tampouco vestígios dos primeiros navegadores que chegaram da atual Turquia ou mesmo dos troianos, que a usaram para tentar se expandir no Mediterrâneo. Em compensação, Erice traz joias da Idade Média.
Com as últimas mudanças feitas no século 14, há um templo a Vênus que também serviu de fortaleza e alojamento de soldados.
Da mesma época, uma fortificação "'hoje um hotel de luxo"' que abrigava o governador romano e cujas paredes de pedra acinzentada serviam de moradia para invasores e dinastias feudais.
Vieram os mouros e depois os normandos, os espanhóis e os franceses. A linha do tempo traz diferentes paternidades de estilos às igrejas e aos conventos que abrigavam mocinhas deserdadas por suas boas famílias.
A catedral de São Juliano mantém a aparência externa do século 12; seu teto interior, ganhou no século 19 uma decoração que se parece o delírio de um confeiteiro remotamente inspirado pelo estilo manuelino das igrejas renascentistas portuguesas.
Taormina, com 11 mil habitantes e a 200 m acima do mar, é bem maior, mas igualmente recheada de história. Foi controlada por Siracusa, em seguida pelos romanos, pelos atuais galegos, espanhóis e franceses, até chegar à segunda metade do século 19, com a unificação italiana.
A cidade tem um teatro grego a céu aberto "'como todos da época"' provavelmente construído no século 7º a.C. e depois modificado pelos romanos. A catedral de São Nicolau, perto da porta Catânia, é do século 12.
E também, de dois séculos antes, o palácio Corvaja, hoje transformado em museu.
Um dos prédios da rua principal, hoje batizada de Umberto 1º, é o antigo centro da comunidade judaica, expulsa no final do século 15 por determinação dos reis da Espanha, que dominavam a Sicília. (JOÃO BATISTA NATALI)

DO ENVIADO À ITÁLIA

As coisas podem ser ditas da seguinte forma: o dólar barato levou a classe média brasileira ao mercado dos cruzeiros marítimos, popularizando viagens de "classe turística". A Royal Caribean, uma das responsáveis pelo processo e líder mundial, com 34 navios, diferencia seu padrão com o Azamara Journey, que chega em outubro ao Brasil como um barco de "classe executiva".
É um navio menor que seus concorrentes "'atraca em portos menores"', com cabines para 694 passageiros. Os dois maiores em circulação, também da Royal Caribean e que navegam apenas no Caribe, levam 5.400. Da empresa, no litoral brasileiro, o Splendour of the Seas e o Vision of the Seas acomodam, respectivamente, 1.800 e 2.000.
Um indício de maior conforto nesse barco pequeno está na proporção de tripulantes por passageiro. Nos dois barcos maiores, para cada tripulante há 2,5 passageiros. No Azamara, o número cai para 1,73. Há proporcionalmente mais funcionários na hotelaria ou na gastronomia.
Nesse último tópico, por exemplo, há 40 chefs e um batalhão de auxiliares nos quatro restaurantes a bordo. Bons vinhos "'franceses, italianos, chilenos ou australianos"' são servidos gratuitamente nas refeições. São 14 diferentes cardápios diários, cada um com 60 pratos.
Os cruzeiros são previsivelmente mais caros. Uma diária num barco de "classe turística" está em torno de R$ 270. No de "classe executiva", R$ 410. E os cruzeiros têm também uma duração maior, de oito a 14 dias.
Um exemplo de cruzeiro mais longo: são 14 dias, em outubro, entre Porto Rico a Manaus. Duração semelhante, em dezembro, de viagem que junta o Caribe com o Nordeste brasileiro e ponto final no Rio. A seguir, em nove dias e sete escalas, do Rio a Buenos Aires.

MAIS TEMPO
Outro diferencial está no número maior de horas em cada escala, algumas delas com pernoite ancorado, porque o perfil do passageiro não é propriamente o de quem desembarca para fazer compras. Excursões vendidas a bordo valorizam locais históricos e atrações culturais. Muita gente também quer jantar em terra ao procurar a culinária local.
O passageiro do navio de "classe executiva" é mais velho. Já passou dos 40 anos. O Azamara não possui berçário, brinquedoteca ou monitores para crianças.
Por fim, certa informalidade. Não há mesa fixa para as refeições, e as mulheres dispensam vestidos longos porque não há no programa jantar de gala com o capitão. (JOÃO BATISTA NATALI)
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