Campo Grande-MS 29.05.2017
Paraguai
Sexta-Feira, 02.09.2011 às 04:09
Paraguai
paulo
Laura Capriglione (Do Paraguai) - Folhapress para o Top Vitrine
Marlene Bergamo/Folhapress
Festa em homenagem ao padroeiro da cidade de Quiindy
Descubra verdadeiro Paraguai em passeios além da fronteira.

Rios caudalosos com saltos vertiginosos e reservas florestais de mata virgem esperam o turista.

Legítimo, país platino, que fala espanhol em ocasiões formais, tem no guarani o idioma do afeto e das emoções.

O frenesi consumista em Ciudad del Este, os inúmeros sacoleiros apressados subindo e descendo ruas cheias de camelôs, as bolsas imensas lotadas de produtos de grife (ou falsificados).
Cenas como essas, repetidas mil vezes, firmaram a convicção de que o Paraguai é só isso. Mas, apenas uma vez, experimente reservar três dias para um passeio um pouquinho além da fronteira.
É onde está o melhor do país: rios caudalosos com saltos vertiginosos, reservas florestais de mata atlântica virgem, ruínas monumentais das missões jesuíticas, e Assunção, com memórias, muitas memórias, a respeito da Guerra da Tríplice Aliança, a guerra que Brasil, Argentina e Uruguai travaram contra o país (1864-1870).
O visitante que afiar os ouvidos poderá se surpreender por uma fala suave nas ruas, diferente do espanhol. Esse pedaço de terra confinado no miolo do continente americano conseguiu manter vivo o idioma guarani, e firmá-lo como símbolo nacional.
Era assim também o interior de São Paulo até meados do século 18, quando o governo português proibiu a língua nativa, impondo como única a lusitana. Para nós, ficaram palavras soltas e nomes de ruas, fósseis sem origem nem porquê. Itaquá, M'Boi Mirim, Mogi Guaçu.
No Paraguai, o guarani é falado tanto por vendedores ambulantes de chipas (espécie de pão de queijo com farinha de milho, delícia que custa R$ 0,80), quanto no requintado Yacht Club de Assunção, a capital paraguaia.
Santiago Gonzalez, político e criador de gado de corte explica: "O guarani é o idioma das emoções, do afeto, da poesia; usamos para falar das coisas pessoais. O espanhol fica para as coisas públicas, para os negócios".
Assunção dista duas horas de avião de São Paulo. Tem preços convidativos, resultado da carga tributária ínfima (não existe imposto de renda no país), hotéis luxuosos, shopping centers, restaurantes gourmet e muitos carrões SUV. Nem parece o Paraguai.
O país ainda é o último lugar sul-americano no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano, mas as exportações de soja impulsionaram o PIB, que cresceu a taxas chinesas: 15,3% em 2010. Já dá para perceber alguns sinais exteriores de riqueza.
Em Assunção estão também o Panteão dos Heróis na Guerra, o palácio de governo, mandado construir pelo presidente Francisco Solano López, a avenida Marechal López, o shopping Marechal López --tudo evocando a "Guerra Grande" sul-americana.
Segundo o historiador Carlos Guilherme Mota, "o Paraguai tinha no início da guerra quase 800 mil habitantes. Morreram cerca de 600 mil, restando menos de 200 mil, dos quais apenas 15 mil era do sexo masculino e, destes, cerca de 2/3 tinham menos de dez anos de idade".
Trauma nacional. O editor italiano Franco Maria Ricci, no livro "Cándido López -- Imágenes de la Guerra del Paraguay" (1984), sobre o principal pintor daqueles campos de batalha, mostrou-se impressionado com a forma como os paraguaios defenderam seu país (até quase o último homem), sob o comando de Solano López: "Teriam merecido, sem dúvida, as cores de um Plutarco e de um Tito Lívio: a periferia em que viveram, em troca, lhes valeu nosso esquecimento absoluto".
O esquecimento começa no Brasil. Humaitá, Tuiuti, Cerro Corá, Paissandu, Riachuelo, nomes de batalhas, congelaram-se em placas de ruas e praças. No Paraguai, os anfitriões gentis tratam de lembrar os brasileiros de todo aquele horror.

OSCAR PILAGALLO - ESPECIAL PARA A FOLHA

Se geografia é destino, o do Paraguai está em grande parte associado ao Brasil. Encravado no interior do continente, sem saída para o mar, o país depende do que acontece do outro lado da fronteira.
A geografia resulta do exercício da política ao longo do tempo. O país platino viu descarrilar o bonde da história com a derrota na Guerra do Paraguai (1864-1870), contra Brasil, Argentina e Uruguai.
É difícil dizer, no entanto, se a pior consequência do conflito para o Paraguai foi o enterro da esperança do país ter um porto marítimo.
Com a população e a economia devastadas, o Estado guarani ainda cultuou o marechal Francisco Solano López, que herdou um país próspero e cometeu o erro de começar a guerra e, ao não reconhecer a inevitabilidade da derrota, prolongou o conflito, dizimando a população.
Controverso, Solano López já foi louvado e execrado no Brasil. Nas primeiras interpretações, o dirigente paraguaio era pintado como ditador caricato de um país atrasado. Um século depois, alguns estudiosos inverteram o sinal e passaram a considerá-lo o anti-imperialista que enfrentou interesses ingleses.
Essa abordagem fez sucesso no Brasil nos anos 1970 e estava comprometida menos com o rigor histórico do que com o objetivo de fustigar a ditadura militar, cujos heróis foram responsáveis pela vitória na guerra.
Hoje, a análise mais equilibrada "'de Francisco Doratioto, em "Maldita Guerra""' empurra o personagem de volta ao papel de vilão, mas sem os exageros dos antigos historiadores.
No Paraguai, porém, a imagem de Solano López parece pairar acima dessa polêmica. O militar serviu de modelo a ditadores de direita do século passado "'inclusive Alfredo Stroessner, que governou o país por mais de três décadas, até 1989"' e é reverenciado pelo atual presidente, Fernando Lugo, de esquerda.
Um passeio por Assunção é suficiente para avaliar o prestígio de Solano López: homenageado em monumento equestre, ele dá nome ao palácio do governo, que mandou construir, embora não tenha tido tempo de ocupar.
Eleito em 2008, Lugo mantém a tradição lopizta, reivindicando-a para a esquerda, a exemplo do que fazem Hugo Chávez, na Venezuela, ou a liderança do MST, no Brasil. Mas, ao contrário de seus antecessores, o atual presidente (que interrompeu um domínio de seis décadas do Partido Colorado) tem conseguido tirar vantagens do papel coadjuvante do Paraguai.
Neste ano, o Brasil concordou em triplicar a tarifa que paga ao país vizinho pela energia da hidroelétrica de Itaipu. O valor, que já era responsável por um quinto das receitas do Paraguai, ajuda na economia, mas não resolve todos os problemas.

Oscar Pilagallo é jornalista e autor de "A História do Brasil no Século 20" (editora Publifolha).

Festas alusivas a santos embalam Quiindy, onde há campo de golfe.

Localidade animada de 19 mil habitantes tem bandinhas e dista 113 km da capital, Assunção.

No interior singelo e legítimo do Paraguai, calor que superaos 30 graus convida ao tereré, um refresco local típico.

DA ENVIADA AO PARAGUAI

Percorrer de carro o interior do Paraguai é todo o tempo topar com uma festa de santo. Os paraguaios adoram essas comemorações, que chamam de "patronais".
Feriado municipal, a cidadezinha de Quiindy, de 19 mil habitantes e economia baseada na produção de bolas de couro, a 113 km de Assunção, parou no dia 10, do santo.
Típico povoado do interior, Quiindy (quer dizer "lugar com muita pimenta") preparou-se como faz todo ano.
No terreno da igreja, uma churrasqueira escavada no chão, com dimensões de trincheira de guerra de cinco metros de comprimento, assava a carne. O churrasco paraguaio não leva sal. A carne "na estaca", como eles chamam, fica seis horas assando em fogo brando.

NO CALOR DA FESTA
As bandinhas de música das escolas ainda se arrastavam pela avenida principal da cidade, e o calorão de mais de 30º C exigia refresco.
Sentados em cadeirinhas nos telhados, garrafa térmica com água gelada ao lado, moradores combatiam a sede na base do tererê.
Trata-se de uma infusão fria da erva mate, consumida em recipientes como os usados pelos gaúchos, só que, além do mate, leva ervas aromáticas ou medicinais --cada um escolhe a de sua preferência nos "yuyeros", camelôs com conhecimentos indígenas das propriedades medicinais das plantas.
A caminho de Ciudad del Este, o rádio do carro sintoniza cada vez mais estações que, em vez de espanhol ou guarani, falam português.
Os programas de rádio (que só tocam música sertaneja) são produzidos nas cidades de San Rafael e de Santa Rita, em que a comunidade brasileira, crescente e ruidosa, já é dona da maior parte dos negócios.
São "brasiguaios" como o técnico em agricultura Alexandre de Souza Furquim, 32, há 15 anos no Paraguai, para onde sua família se mudou atrás de terras mais baratas, carga tributária menor e mão de obra pouco exigente.
Furquim nunca aprendeu espanhol, mas fala guarani fluentemente, aprendido depois de chegar ao vizinho país platino. É a língua com que se comunica com os trabalhadores que procuram a sua loja de insumos agrícolas. "Aqui, nós não precisamos do espanhol."
Muitas beiras de estradas nessa região estão ocupadas por aglomerados de barracas de lona preta. Trata-se do movimento de trabalhadores sem-terra do Paraguai. Pobreza conhecida.
Alguns quilômetros à frente, porém, estende-se o Paraná Country Club de Hernandarias, município contíguo a Ciudad del Este. O condomínio fechado localizado às margens do rio Paraná é uma espécie de Alphaville paraguaio, endereço dos comerciantes bem-sucedidos da região. Tem o campo de golfe mais antigo da área da Tríplice Fronteira, com circuito de 18 buracos. Visitantes podem usar o campo mediante pagamento. (Laura capriglione)
No lado paraguaio, visita ao complexo de Itaipu é de graça.

Às sextas-feiras e aos sábados, há espetáculo de luz na hidrelétrica; trilha épica segue a "dança iluminada'.

Usina, que produz 20% da energia consumida no Brasil, está a 14 km da ponte que marca a fronteira entre países.

DA ENVIADA AO PARAGUAI

Itaipu é show. Localizada no rio Paraná, a apenas 14 km da ponte internacional que une Ciudad del Este, no Paraguai, a Foz do Iguaçu, a usina hoje, além de produzir 20% de toda a energia consumida no Brasil, transformou-se em destino de passeio. O mais legal é que, do lado paraguaio, tudo é de graça.
Nas noites de sexta-feira e de sábado, há o espetáculo de luz e som na hidrelétrica. Três quilômetros de barragem são iluminados por 600 refletores ativados de forma sincronizada. Uma trilha sonora de filme épico acompanha a dança das luzes.
Em noites de lua cheia, realizam-se shows e concertos abertos ao público.
De dia, o visitante não pode deixar de fazer o passeio guiado pelo interior da própria usina. É sensacional. Na recepção do complexo turístico de Itaipu, o grupo de visitantes recebe capacetes e entra em ônibus modernos.
A visita começa pela sala de comando, onde engenheiros controlam toda a operação em gigantescos painéis luminosos --parece a Nasa.
Depois, o grupo parte rumo à casa das máquinas, onde estão instaladas as 20 turbinas geradoras (cada uma delas recebe a força da água passando à vazão de 700 mil litros por segundo). Vruuum. Sente-se a vibração da energia sendo gerada.
Por fim, e mais impactante, tem a obra de engenharia colossal. Entra-se no interior da barragem, que é oca por dentro. De um lado, fica o lago de Itaipu, onde podem ser armazenados 29 bilhões de litros de água, o equivalente a 15 milhões de piscinas olímpicas. De outro, ficam as turbinas. A estrutura, com mais de 200 metros de altura, é larga na base e estreita no alto, que tem aberturas para a luz natural entrar. Impressionante catedral futurista.
A construção exigiu o desvio do rio Paraná, a inundação de uma área imensa --o lago cobre 1.350 km . Mobilizou 40 mil operários, mexeu com o ecossistema da região.
Como compensação, criaram-se as unidades de conservação ambiental, entre as quais o refúgio biológico Tatí Yupi, forrado de mata atlântica, com delicadas quedas-d'água e lar de 307 espécies de mamíferos, aves e répteis.
O lugar tem trilhas para bicicletas (emprestadas pela organização), passeios guiados de charrete, camping e até hotel de passagem. Tudo de graça, mas agendado previamente na recepção.
Ah, não deixe de passar também pelo museu da Terra Guarani, um passeio interativo pelas tribos e pela história dos povos que primeiro ocuparam essa região subtropical da América do Sul.
(Laura capriglione)
Missões paraguaias convidam turista a passeio meditativo

Religiosos catequizaram guaranis e coordenaram ali a construção em pedra, barro e féde sua utopia tropical.

Local era para ser uma espécie de paraíso na Terra habitado por índios guaranis que foram catequizados.

DA ENVIADA AO PARAGUAI

O guia avisa: "Será um passeio meditativo". A pé, ele avança em silêncio pela noite de lua cheia e estrelas, em direção a ruínas que aos poucos se vão iluminando. Estamos na missão jesuítica guarani La Santísima Trinidad del Paraná, conjunto barroco esculpido em pedra balsática próximo de Encarnación, no sul do Paraguai.
Ali, religiosos da Companhia de Jesus coordenaram, a partir de 1706, a construção em pedra, barro e fé de utopia tropical. Era para ser uma espécie de paraíso terrestre habitado por índios guaranis catequizados.
Gravações de vozes de mulheres e crianças, canto de pássaros e música ensinada pelos jesuítas aos índios elevam-se das muralhas, como fantasmagorias.
O guia avança dentro da nave da igreja destelhada, anda em pavilhões de moradia dos índios, divididos em casas unifamiliares para evitar a folia poligâmica, atinge a torre de vigia, onde ficava o campanário.
Mais de 4.000 almas viveram ali, no auge do projeto.
Das 30 missões que os jesuítas cravaram na América, as ruínas de sete, entre as bem preservadas, estão no Paraguai. Eram locais de trabalho pesado, mas também de música (os jesuítas exaltavam os dotes musicais dos nativos, a quem ensinaram canto, violino e flauta), da arte do entalhe, da pintura, da luteria, da cantaria.
O passeio meditativo pelas ruínas da missão Santísima Trinidad del Paraná para um instante: é momento de o guia explicar por que índios livres e seminômades aceitaram viver sob o jugo espiritual católico, as batidas dos sinos da igreja sinalizando a hora de ir para o trabalho, o momento de rezar, a hora de dormir. Por que abriram mão da poligamia e de seus deuses? Por que aderiram à ideia de pecado, que não tinham? "Fugiam de tribos inimigas, mas também do bandeirante paulista, que os caçava para escravizar."
Tudo acabou em 1768, quando a companhia foi expulsa das colônias. Sem os jesuítas, os índios recuperaram o inalienável direito de voltar a serem escravizados. Ou quase isso. (Laura capriglione)

Pacotes para o Paraguai

COM AÉREO; PREÇO POR PESSOA EM QUARTO DUPLO

US$ 360
Cinco noites no hotel Excelsior Inn, com café da manhã. Valor não inclui passeios e extras. Na Submarino Viagens: 4003-9888; submarinoviagens.com.br.

US$ 360
Cinco noites no hotel Zaphir, com café da manhã. Pacote não inclui passeios e extras. Na Shoptime Viagens: 4003-4323; viagens.shoptime.com.br.

US$ 390
Preço para cinco noites no hotel Portal del Sol. Pacote inclui café da manhã. Na Americanas Viagens: 4003-4313; viagens.americanas.com.br.

US$ 433
Duas noites de hospedagem no hotel Las Margaritas, com café da manhã, traslados e passeios. Na Fenix Operadora: 0/xx/11/ 3120-7200; www.fenixtur.com.br.

US$ 445
Duas noites por pessoa em quarto duplo no hotel Chaco, com café da manhã, passeio pela cidade, traslados e brinde. Na Top Brasil Turismo: 0/xx/11/3926-8000; www.topbrasiltur.com.br.

US$ 465
Sete noites de hospedagem em quarto duplo no hotel Zaphir. Preço não inclui taxas, alimentação, tampouco passeios. Na Decolar.com: 4003-9444; www.decolar.com.

US$ 562
Preço por pessoa em quarto duplo para três noites no hotel Las Margaritas. Valor do pacote inclui café da manhã, traslados e uso de espaço esportivo do hotel. Na Agaxtur Turismo: 0/xx/11/3067-0900;
www.agaxtur.com.br.

US$ 597
Três noites por pessoa em quarto duplo no hotel Zaphir, com café da manhã e passeio por Assunção. Na TAM Viagens: 0/xx/11/3274-1313; www.tamviagens.com.br.

US$ 632
Quatro noites por pessoa em quarto duplo no hotel Bristol, com café da manhã e traslado. Na CVC: 0/xx/11/2191-8911; www.cvc.com.br.
Edificada em1755, igreja reflete mescla de culturas

Índios eram avessos ao crucifixo e igreja foi decorada com anjos "guaranis'

Em Yguarón, a 48 km da capital, Assunção, franciscanos deixaram
marca arquitetônica de sua missão catequética

DA ENVIADA AO PARAGUAI

Não havia crucifixo na igreja franciscana de San Buenaventura, em Yaguarón, a 48 km de Assunção.
Em vez disso, o altar principal, dourado e com os ornamentos barrocos e rococós, apresentava, lá em cima, tocando no teto, a rara imagem de um Deus barbudo, maçãs do rosto salientes como era o biotipo indígena, e um triângulo na cabeça, representando Santíssima Trindade.
"Os índios tinham uma sensibilidade exacerbada à imagem de um deus torturado e morto na cruz. Era medo mesmo", explica a professora Lilian Molinas. O crucifixo só entrou na igreja quase um século depois de inaugurada.
A igreja começou a ser construída em 1755 --e terminou em 1772. Refletia ideais franciscanos: simplicidade por fora, riqueza interior.
Vista de fora, é simples --em vez das pedras de arenito basáltico típicas das missões jesuíticas, as paredes são de taipa de pilão; tem telhado de duas águas, como as que os índios tinham nas casas comunais de suas aldeias.
A complexidade invisível da obra, entretanto, está no tamanho. Para garantir a sustentação, os padres inventaram um meio de espetar no chão toras de ipê previamente esculpidas e mantiveram as raízes das árvores, como constatado nas obras de restauração.
Por dentro, a San Buenaventura é coloridíssima --os padres incentivaram os índios a usar corantes naturais empregados na pintura corporal. Eles também puderam retratar elementos da flora, como a flor de mburukuja (maracujá). E, se os índios ainda duvidassem de que a igreja era deles, permitiu-se a cada um dos construtores que pintasse um anjo com asas. O resultado está em cima do altar: uma legião de seres celestiais de rostos diferentes, mas todos com feições guaranis. (Laura capriglione)

Vá ao Paraguai

PASSAGENS AÉREAS

SP-ASSUNÇÃO-SP
TAM: US$ 268*; 4002-5700; tam.com.br
Aerolineas Argentinas (via Buenos Aires): US$ 349**. 0800-707-3313; aerolineas.com.br
Gol: US$ 191**; 0300 115 2121; voegol.com.br

CONDIÇÕES
Preços sujeitos a alterações, sem taxas, em classe econômica
* Ida e volta entre 16 de agosto e 30 de novembro
** Preço sem taxas e impostos

ALUGUEL DE CARRO Avis: US$: 53*; 0/xx/11/ 2155-2847; avis.com.br
Hertz: US$ 54,45*; 0/xx/11/3524-7525; hertz-int.com.br

CONDIÇÕES
* Valores para carros de categoria econômica; sujeitos a alteração. Diária inclui taxas

HOSPEDAGEM
Hotel Bristol/Na Decolar.com: R$ 90**; 4003-9444;
www.decolar.com
Hotel Excelsior/Na Americanas: US$ 60*. : 4003-4313; www.viagens.americanas.com.br
Hotel Bourbon: US$ 198*. Reservas: 0/xx/11/3337-9200; bourbon.com.br

CONDIÇÕES
Tarifas sujeitas a alteração; com café da manhã e sem taxas
* Valor por pessoa em quarto duplo
** Preço da hospedagem para duas pessoas em quarto duplo

 ENTREVISTA Sylvio Back

Tão perto e tão longe do Brasil, Paraguai é um país fascinante.

CINEASTA DE "REPÚBLICA GUARANI' RECOMENDA ROTEIRO E CONTA POR QUE, HÁ 40 ANOS, FOI TENTADO POR "INSTIGANTE CULTURA BILÍNGUE'.

RAFAEL MOSNA - DE SÃO PAULO

O cineasta Sylvio Back guarda uma paixão incontida pelo Paraguai.
Já dirigiu dois documentários sobre o país, "República Guarani" (1982), no qual procurou desmistificar a evangelização promovida pelos jesuítas sobre os índios, e "Guerra do Brasil" (1987), sobre a Guerra da Tríplice Aliança, tema também de seu novo livro de contos.
Ele ainda programa, para 2013, filmar "Yo El Supremo", inspirado no romance homônimo do escritor paraguaio Augusto Roa Bastos (1917-2005), cujo enredo gira em torno de José Gaspar Rodríguez de Francia (1766-1840), líder da independência paraguaia em 1811 e autointitulado ditador perpétuo do país.
À Folha ele conversou por e-mail sobre sua relação com o Paraguai.

Folha - Você já dirigiu dois documentários nos anos 1980 e lançou recentemente um livro de crônicas envolvendo o Paraguai. Como surgiu seu interesse pelo país?
Sylvio Back - Além viajar com frequência ao Paraguai, à Argentina e ao Uruguai desde as pesquisas e filmagens de "República Guarani", a partir de 1977, os livros de história e ficção sobre a Guerra do Paraguai foram me inoculando um roteiro como uma faca afiada que ficasse remoendo a carne em busca de algum filete de "aversão às versões", digamos assim.
- E o que de mais surpreendente você descobriu durante esses anos de pesquisa?
- O Paraguai é um dos países mais fascinantes da América Latina. Tão próximo e tão longe do Brasil... Há quase quatro décadas fui tentado pela sua instigante cultura bilíngue e pela sua crônica civilizatória única e irrepetível no contexto político do continente. Da admiração livresca, fui aos fotogramas. Tanto que realizei dois filmes entre fins de 1970 e 1987.

- Já deve ter ido muito ao Paraguai nos últimos anos.
- Perdi a conta das vezes em que viajei para lá.

- O que pessoalmente notou durante as suas primeiras viagens ao país?
- Durante as pesquisas e nas filmagens de "República Guarani", nos fins dos anos 70 e começo dos 80, e, depois, revisitando o teatro de operações da Guerra do Paraguai, uma história que parecia soterrada, em ambas as ocasiões, tive que me haver com a ditadura Stroessner. Essa é uma saga que não gostaria de me lembrar.
Atravessei um rubicão quase intransponível. Os perrengues se estenderam por meses. As dezenas de idas a Assunção até faziam sentido. Imagine, um brasileiro, teoricamente representante do vencedor, querendo fazer um filme, dito neutro, sobre a guerra que mudou a face humana e geopolítica do Paraguai. Nem pensar!
- E como fez para driblar esses perrengues?
- Implicaram com o título, que originalmente era "La Guerra del Paraguay", até a negativa para filmar nos sítios históricos da guerra, como Cerro Corá, Peribebuy, Humaitá, Tuiuty, Lomas Valentinas e mesmo Assunção. Eles me obrigaram a mudar o título para "La Guerra de Triple Alianza contra el Paraguay". Tive que assinar um documento nesse sentido. Claro, como a produção era brasileira e os riscos todos meus, e sem vezo de provar nada diante de uma ditadura boçal como a de Stroessner --aliás, vamos combinar, qual a ditadura que não é boçal?--, na hora, concordei.

- Recomendaria um roteiro turístico para conhecer o Paraguai multifacetado?
- Eu apostaria numa estada de, no mínimo, dez dias. Primeiro, comece por explorar com os olhos, os sentidos e a mente um espetáculo encostado ao Brasil, que é o potente complexo hidráulico binacional Itaipu-Yacyretá e os seus refúgios ecológicos, brasileiros e paraguaios, vibrando com os ecos das majestosas quedas na fronteira tríplice de Foz do Iguaçu.
Já dentro do país, conheça, filme e fotografe as extraordinárias sobrevivências arquitetônicas das igrejas e casario colonial de Santiago, Jesús, San Ignácio Guazú, Trinidad e Santa Rosa. Não deixe de admirar a soberba estatuária barroco-guarani. É um conjunto cultural que ganhou o título de patrimônio da humanidade.

- O que mais há de imperdível?
- Programe-se para navegar e cavalgar, literalmente munido de todos os apetrechos para um turismo aquático, ecológico, desportivo e contemplativo por esse "oceano tropical" que é o Pantanal paraguaio. Tão inestimável e maravilhoso quanto o gomo brasileiro, leva você a um êxtase diante da natureza silvestre, com milhares de tuiuiús voejando sobre sua cabeça e centenas de jacarés "se bronzeando" às margens do rio Paraguai.
Vá e curta a cosmopolita Assunção, admirando as "muy guapas paraguaias" e "rubias" descendentes de espanhóis e imigrantes de todas as nações que adotaram o país como seu.

RAIO-X
SYLVIO BACK

VIDA
Nasceu em Blumenau (SC), em 22 de julho de 1937

ALGUNS FILMES
"Lance Maior" (1968), "Aleluia, Gretchen" (1976), "República Guarani" (1982), "Guerra do Brasil" (1987) e "Lost Zweig" (2003)
30 ABRIL - QUA
Viagens de alto padrão e lua de mel
12 ABRIL - SEX
Nova Zelândia
28 OUTUBRO - SEG
Cresce o interesse dos brasileiros pelo esqui
29 NOVEMBRO - SEX
Orlando oferece uma série de eventos nas férias
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