Campo Grande-MS 29.05.2017
Greenpeace denuncia e revela coordenadas do desmatamento no Pará
Quarta-Feira, 15.10.2014 às 15:06
Greenpeace denuncia e revela coordenadas do desmatamento no Pará
Rastreamento de caminhões revela destruição silenciosa da floresta
Greenpeace
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Lunae Parracho/Greenpeace
Serraria Odani no Estado do Pará
Lunae Parracho/Greenpeace
GPS monitorou caminhões madeireiros

Greenpeace monitora o trajeto de caminhões no estado do Pará e estabelece os vínculos de uma cadeia predatória de exploração e processamento de madeira ilegal que opera livremente na região e comercializa com os mercados nacional e internacional.

 

(Manaus, 15 de outubro de 2014) - Entre agosto e setembro de 2014, o Greenpeace foi a campo e monitorou rotas de caminhões madeireiros que fazem o trajeto entre as áreas públicas de florestas no oeste do Pará, e as serrarias da região. De acordo com a investigação do Greenpeace, nenhuma das áreas exploradas possuía qualquer tipo de autorização.

 

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Durante o dia, os caminhões se dirigem até áreas remotas de florestas, onde são carregados com toras de madeira. À noite, quando a fiscalização é menor, dezenas deles tomam as estradas da região, nas proximidades de Uruará e Placas, e seguem até as serrarias de Santarém e arredores.

 

Estima-se que aproximadamente 80 caminhões cruzam a cada noite a balsa pelo rio Curuá-Una, na PA-370, que vai até Santarém. O tráfego na balsa é mais intenso entre as 11 da noite e 1h30 da madrugada.

 

Santarém concentra o principal polo da indústria madeireira no Pará, estado que mais produz e exporta madeira da Amazônia. Segundo dados do Imazon, entre agosto de 2011 e julho de 2012, cerca de 78% das áreas com atividades madeireiras no Pará não tinham autorização de exploração.

 

As três serrarias que receberam essa madeira foram: Rainbow Trading Importação e Exportação LTDA, Comercial de Madeiras Odani LTDA e Sabugy Madeiras LTDA. Cada uma delas tem um histórico de ilegalidades e somam, juntas, o recebimento de multas de cerca de R$ 1,5 milhão pelo Ibama nos últimos dez anos.

 

De acordo com os documentos oficiais, a Rainbow Trading recebe madeira de áreas de planos de manejo florestais autorizados. Porém, análise de imagens de satélite mostra que não houve nenhuma atividade madeireira na maioria dessas áreas de manejo, o que indica que esses planos estão servindo para fornecer créditos e documentação oficial para 'lavar' a madeira ilegal. Enquanto isso, as terras públicas de onde a madeira está sendo roubada apresentam sinais claros de exploração, com madeira estocada em grandes clareiras abertas na mata e diversas estradas ligando esses caminhos.

 

Abastecidas com madeira ilegal, estas serrarias exportam regularmente para a Europa, China, Japão e Estados Unidos – a despeito das leis que proíbem a comercialização de madeira ilegal em alguns desses mercados. Somente entre janeiro e agosto de 2014, por exemplo, uma destas serrarias teve relação comercial com França, Bélgica, Holanda e Suécia.

 

Em maio de 2014, quando lançou a campanha Chega de Madeira Ilegal, o Greenpeace revelou como o sistema de controle de madeira está sendo burlado para acobertar madeira de origem ilegal. Uma série de falhas no sistema tem permitido que madeira extraída de forma ilegal e predatória seja vendida nos mercados nacional e internacional com ares de legalidade, tornando o mercado um parceiro oculto da destruição silenciosa da floresta.

 

"A madeira ilegal é a porta de entrada para o desmatamento. A abertura de estradas por madeireiros torna a floresta mais suscetível à degradação e fragmentação. E, por passar despercebida pelos olhos dos satélites, esse tipo de destruição florestal nem entra na conta das emissões de gases do efeito estufa”, afirma Marina Lacôrte, da Campanha da Amazônia do Greenpeace.

 

“Dadas às falhas estruturais do sistema de controle de madeira no Brasil e a histórica falta de governança na Amazônia, documentos oficiais não são suficientes para garantir a legalidade da madeira. Nossa investigação levanta muitas questões para as autoridades responsáveis em assegurar a origem responsável do produto – desde a floresta até o mercado”, explica Marina.

 

O Greenpeace exige que o governo brasileiro reveja todos os planos de manejo aprovados na Amazônia desde 2006 como primeiro passo para uma revisão robusta do sistema de controle de madeira, com processos públicos, transparentes e integrados. O Governo Federal deve promover o aumento da capacidade de ação dos órgãos ambientais estaduais e federais, com mais recursos para ações de monitoramento e fiscalização, a fim de permitir que o crime seja combatido antes que milhares de árvores tenham sido abatidas.

 

"Ao manter as portas abertas para receber madeira ilegal, o mercado se torna cúmplice da destruição da Amazônia. Empresas que comercializam madeira da Amazônia devem parar de comprar a menos que tenham garantias, por meio de mecanismos próprios, de que aquela madeira não tenha contribuído para o desmatamento, degradação florestal, perda de biodiversidade e impactos sociais negativos, como a violência contra a população local", finaliza Marina.

 

Coordenadas da Serraria Odani no Estado do Pará, Brasil

 

Serraria Odani, localizada no município de Placas, Pará, está vinculada ao registro e processamento de madeira ilegal. Uma investigação do Greenpeace utilizou um localizador GPS para monitorar caminhões madeireiros. Durante o dia, caminhões de carga vazios viajam pela floresta densa, e à noite, partem de campos de extração ilegal de madeira para serrarias em Santarém. Essas serrarias exportam madeira regularmente para a Europa, a China e os Estados Unidos.

 

Coordenadas: 3°28'21.36"S 54°24'33.05"W

 

Coordenadas: 3°22'38.66"S 54°25'10.47"W

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