Campo Grande-MS 29.05.2017
Atacama
Sexta-Feira, 05.08.2011 às 09:00
Atacama
Paulo Renato Coelho Netto
Marina Della Valle (De Atacama) – Folhapress para o Top Vitrine
Marina Della Valle/Folhapress
Lagoa no salar de Atacama reflete picos e vulcões de ...
Marina Della Valle/Folhapress
Lhama na região de El Tatio
Atacama desfila paisagens com aura extraterrena.
O lugar mais seco do planeta é, de acordo com a Nasa, a superfície terrestre que mais se assemelha a Marte.
Aridez não significa monotonia no cenário; ali ficam salares, vales e montes esculpidos pelo vento e área de gêiseres.

 
As diferentes paisagens da região do deserto de Atacama, no norte chileno, têm um denominador comum: parecem saídas de outro planeta.

Aqui, a natureza é severa e impossível de ser ignorada. Partes do deserto formam a região mais seca do planeta, objeto de estudos da Nasa, que considera o Atacama a porção da Terra mais semelhante à superfície de Marte.

Tanta aridez não significa monotonia _o Atacama cobre cerca de 1.000 km com cenários que vão de depressões e montes esculpidos pelo vento, como o vale da Lua, a um campo de gêiseres a 4.200 metros de altitude.
Por conta da localização alta _a cordilheira costeira alcança 1.500 m de altura, enquanto o platô de Tamarugal chega a 900 m_, as temperaturas não são necessariamente escorchantes. O que pede cuidado redobrado com a pele_ainda que menos quente que o esperado, o sol queima sim, e muito.
A paisagem ainda inclui planícies cobertas por esculturas de sal onde lagoas abrigam flamingos de diferentes espécies e 'pueblos' com casas de adobe, como San Pedro de Atacama e Toconao. Tours astronômicos aproveitam as boas condições para observar o céu.
MÚMIAS E CUIDADOS
E se a aridez do Atacama não contribui para a vida, consegue preservar muito bem seus restos. A região também é um ponto de interesse arqueológico, e mais de 300 mil artefatos, de cerâmicas a múmias, podem ser vistos no Museu Arqueológico R. P. Gustavo Le Paige, em San Pedro de Atacama.
Todas as peculiaridades naturais levadas em conta, o Atacama é um destino que exige preparação do turista.
Veja no quadro ao lado os itens que não podem faltar na bagagem e dicas de 'sobrevivência' no deserto.
- Esculturas de sal ganham cores vivas com pôr do sol.
Superfície rugosa é cortada por lagoas com diferentes tipos de flamingo.
Nesse cenário de ar imponente, os detalhes também chamam a atenção, como padrões das formações de sal.
DA ENVIADA A SAN PEDRO DE ATACAMA
De longe, o salar de Atacama dá a ideia de uma planície onde choveu cimento: uma superfície pedregosa e esbranquiçada.
Um olhar de perto revela algo mais delicado. São esculturas de sal que cobrem cerca de 3.000 quilômetros quadrados, área rodeada por montanhas e vulcões e recortada por lagoas que abrigam diferentes tipos de flamingo.
De uma estrada mais larga que margeia uma parte da lagoa, trilhas estreitas cortam a planície pedregosa.
Em um cenário tão grandioso, fascinam os detalhes. O sal constrói estruturas intrincadas, recortadas e porosas. A superfície rugosa difere o salar do Atacama do vizinho Uyuni, na Bolívia, que apresenta área plana (leia acima). Menor que Uyuni, o salar do Atacama é a maior fonte ativa de lítio do mundo.
Aqui é preciso redobrar o cuidado com o sol. Assim como a neve, as esculturas de sal refletem sua luz, potencializando o risco de queimaduras. Pelo mesmo motivo, os óculos escuros são indispensáveis no passeio.
Com o cair da tarde, as pedras e cristais de sal começam a refletir as cores do pôr do sol no deserto, passando por tons de roxo, amarelo forte e laranja.
A chegada da noite é responsável pelo ápice do passeio. Enquanto, de um lado, o sol se põe atrás dos picos, transformando as lagoas em espelhos, do outro lado a lua cheia sobe por cima dos vulcões da cordilheira Domeyko, em uma visão simultânea que parece pertencer somente a esse lugar peculiar.
(MARINA DELLA VALLE)

BOLÍVIA
Uyuni tem superfície plana que reflete céu .

DE SÃO PAULO - Na vizinha Bolívia, o salar de Uyuni apresenta um aspecto bem diferente das formações salinas em Atacama. A superfície é totalmente lisa, e o sal forma padrões geométricos. Na época das chuvas, um espelho d'água cobre a planície, refletindo o céu e criando algumas das imagens mais conhecidas da área. Em San Pedro de Atacama também é possível contratar excursões para o salar de Uyuni.
- No vale da Lua, a aridez se mostra em formações naturais.

Formas moldadas pela erosão e pelo vento dominam cenário, onde parece não haver vida vegetal ou animal.
Além da depressão com formatos improváveis que dá nome ao local, belezas incluem dunas, grutas e paredões.
DA ENVIADA A SAN PEDRO DE ATACAMA
Apesar de uma brisa suave, a primeira sensação do turista ao chegar ao vale da Lua, localizado a cerca de 14 km de San Pedro de Atacama, é de um silêncio absoluto, quebrado apenas pela própria respiração.
O motivo principal é a paisagem extraterrena, de tirar o fôlego, cercando um vale com penhascos erodidos pelo vento, exibindo formas improváveis. Basta um olhar em volta para que o nome do lugar se justifique.
Outro motivo é a aparente completa inexistência de vida no local. Ao redor, até onde a vista alcança, há apenas pedras e areia. Não há sinal de vida animal ou vegetal, nem uma folha de grama ou mesmo um cacto solitário.
Aqui, o espetáculo é mineral. Morros esculpidos pelo tempo e pelo vento dividem o espaço com dunas de areia, formações rochosas e planícies onde o sal se mistura à pedra, criando padrões esbranquiçados pelo chão.
As cores do cenário, que num primeiro momento parece monocromático, deixam transparecer os mais variados tons, do bege dos paredões ao marrom avermelhado de certas dunas.
O programa mais popular é ver ali o pôr do sol, quando a mudança de luzes se reflete também na paisagem e vai sutilmente mudando seus tons, em um verdadeiro espetáculo natural.
O problema é dividir esse espetáculo com hordas de turistas, já que a maioria das agências programa suas excursões para esse horário.
Quem faz questão do silêncio _e ele compõe parte significante do clima do vale da Lua_, mas não quer deixar de lado uma experiência como ver uma mudança de luzes nesse ambiente tão singular pode tentar programar uma excursão para o nascer do sol, que também proporciona um espetáculo.
AVENTURA
O vale da Lua se presta a empreitadas mais aventurescas que uma simples visita em uma van _há ofertas de tours de bicicleta, caminhadas e cavalgadas.
É uma tentação, mas pense bem antes de programar um passeio do tipo, especialmente se você não está acostumado a fazer esportes.
A combinação de altitude, calor e sol forte afeta até mesmo quem escolhe o conforto de um veículo motorizado, e a imensidão da paisagem pode enganar os olhos no que diz respeito a distâncias.
Em qualquer circunstâncias, evite excursões sozinho _aqui a natureza é extrema, os caminhos não são óbvios e as chances de se perder são grandes. (MARINA DELLA VALLE)
- Visita a gêiseres exige preparação, mas vale sacrifício
Turista precisa chegar antes do amanhecer e enfrentar temperaturas baixas para apreciar o fenômeno natural.
Formação é a maior do gênero no hemisfério Sul e a terceira maior do mundo, atrás de campos dos EUA e da Rússia.
DA ENVIADA SAN PEDRO DE ATACAMA
As páginas da Wikipedia sobre o campo de gêiseres de El Tatio em inglês e espanhol desmentem já de cara uma informação comumente divulgada sobre essa atração: não, não é a formação do tipo em local mais alto do mundo.
Situado a 4.200 metros de altitude, El Tatio é, de fato, o maior campo de gêiseres do hemisfério Sul, e o terceiro maior do mundo, atrás de Yellowstone, nos EUA, e Dolina Giezerov, na Rússia.
De qualquer maneira, gêiseres são um fenômeno raro no planeta, e a visita a El Tatio é imperdível para quem está no Atacama. A questão é que essa é provavelmente a excursão mais trabalhosa de todas as da região .
Isso porque os mais de 80 gêiseres que formam o campo de El Tatio apresentam maior atividade entre 6h e 7h. É preciso chegar ainda de madrugada _e, a 4.200 metros de altura, isso significa frio, muito frio.
Na visita da reportagem, no meio de maio, a temperatura antes do nascer do sol atingiu -15 ºC, exigindo roupas térmicas, gorro, luvas, cachecol e casaco para neve.
Ainda no escuro, é possível ver o vapor subindo de diversos pontos do terreno à frente. São as chamadas 'fumarolas', colunas de vapor criadas pela água quente_ a 85 ºC_ que jorra dos gêiseres em intervalos minutos.
Conforme o dia vai amanhecendo, o visitante percebe que os gêiseres são um tanto diferentes entre eles.
Há os que se parecem com poças rasas, onde os jorros saem da água. Há os menores, que soltam só fumaça. Um deles é do tamanho de um pequeno lago, onde os mais corajosos arriscam um banho. Há os que soltam jorros de lama. E os que exalam odor de enxofre.
Alguns apresentam acúmulo de sedimentos ao redor, formando padrões curiosos. Há os que acumularam uma boa quantidade de depósitos _os mais antigos, segundo o guia_, ficando com o aspecto de pequenos vulcões coalhando uma paisagem cercada por imponentes vulcões verdadeiros.
Com o sol já forte, a paisagem mais uma vez tem um ar extraterreno _campos cortados colunas de fumaças, enquanto a luz vai mudando os tons dos picos ao redor.
(MARINA DELLA VALLE)
- Excursão revela estrelas e vida do deserto.
DA ENVIADA A SAN PEDRO DE ATACAMA
A viagem até os gêiseres de El Tatio, a 95 km de San Pedro de Atacama, leva tempo e exige preparação, mas pode ser muito bem aproveitada também na ida e na volta.
Como o trajeto começa ainda de madrugada, aproveite para observar o céu durante a ida. O deserto de Atacama é um local especial para observação de estrelas, com programas específicos.
Depois de examinar bem os gêiseres, e durante a volta, o que impressiona é a presença ostensiva de vida em uma região tão inóspita. Nas encostas, a vegetação aparece em tufos e não é difícil avistar viscachas, guanacos e vicunhas, animais típicos locais.  Na viagem de volta, lhamas rodeiam áreas com alguma água, onde o gelo se mistura à vegetação rasteira. Outra atração do mundo vegetal são os cactos gigantes _o 'cardón grande', que pode atingir 10 m de altura. Com um crescimento vagaroso, alguns deles chegam a registrar centenas de anos.
Algumas excursões a El Tatio incluem uma visita a Machuca, um típico 'pueblo' atacamenho de casas de adobe e palha, onde se pode provar os curiosos churrasco de lhama e empanada de queijo de cabra.
SEGURANÇA
Além de todos os preparativos antes da excursão aos gêiseres de El Tatio, o local em si pede bastante cautela ao ser explorado.
É importante seguir os caminhos delimitados pelas pedras, já que o risco de acidente é alto. Segundo Luis Aracena, guia (leia à pág. F8) que acompanhou a reportagem, há relatos de acidentes com visitantes e queimaduras todos os anos.
A primeira providência é prestar muita atenção ao chão. Não ande sozinho sem rumo pelos gêiseres, e pergunte ao guia qual os locais mais seguros para caminhar, já que, em algumas partes, o solo é fino sobre trechos com água quente.
Atente também para o gelo, que estranhamente convive com a água quente dos gêiseres no mesmo solo, e pode render um belo escorregão. (MARINA DELLA VALLE)
- Não perca tour astronômico e lagoas do altiplano.
DA ENVIADA A SAN PEDRO DE ATACAMA
A lista de atividades imperdíveis na região de Atacama não está completa sem uma visita às lagoas altiplânicas e um tour astronômico.
A região é considerada a melhor do hemisfério Sul para a observação do céu, por conta da altitude e da secura do ambiente, que barra a formação de nuvens.
É ali onde fica o Alma (sigla para Atacama Large Millimeter/submillimiter Array; www.almaobserva tory.org), considerado o maior projeto astronômico do mundo, programado para começar atividades parciais ainda neste ano.
Em San Pedro de Atacama, os tours da Spaceobs (rua Caracoles, 166; www.space obs.com) são em inglês, francês ou espanhol e custam 15 mil pesos chilenos.
Outra atividade imperdível entre as excursões da região é a ida às lagoas Miscanti e Miñique, que estão a mais de 4.000 metros de altitude, cercadas por vulcões.
A coloração profunda das águas das lagoas, a 90 quilômetros de São Pedro, contrasta com as bordas claras, fazendo desse um dos tours mais cênicos. (MDV)
- San Pedro é "quartel-general' de turistas.
Infraestrutura está concentrada no local.
DA ENVIADA A SAN PEDRO DE ATACAMA
A porta de entrada para a região de Atacama é Calama, onde fica o aeroporto mais próximo, mas é San Pedro de Atacama o 'quartel-general' dos turistas, que ali encontram opções de hospedagem, bares, restaurantes e operadores de excursões.
Apesar disso, a cidade manteve seu ar de pequeno 'pueblo', com casinhas de adobe e ruas de chão batido abrigando 2.500 habitantes.
A área do movimento _e dos locais de serviço_ é a rua Caracoles, que fica coalhada de turistas com a chegada da noite e o final da maioria das excursões.
Não deixe de visitar o museu R. P. Gustavo Le Paige (www.sanpedroatacama. com/museo.htm), com artefatos arqueológicos. A simpática igrejinha branca da cidade, do século 17, é outra visita obrigatória.
TOCONAO
Além de Machuca, que faz parte de algumas excursões aos gêiseres de El Tatio, outro povoado tipicamente atacamenho que pode ser visitado é Toconao, a 38 km de San Pedro. A visita faz parte de passeios até o salar de Atacama.
Aqui, a visita imperdível é a torre _separada da igreja_ que toma o centro da pracinha e foi construída por volta de 1745. A igreja de San Lucas, que fica do outro lado da rua, é pequena e acolhedora. (MARINA DELLA VALLE)
- O homem do deserto.
MINHA HISTÓRIA LUIS ARACENA
Comecei a trabalhar como guia de geólogos, arqueólogos e antropólogos. Aprendi muito com eles Peço que conheçam a nossa cultura, que está viva em todos os lugares.

MARINA DELLA VALLE
ENVIADA A SAN PEDRO DE ATACAMA
Essa região é parte importante da minha vida. Eu acho que precisamos gostar do lugar em que moramos. Assim, fazemos algo por ele, o lugar melhora, e nossa vida também. Minha vida está toda ligada ao Atacama.
Nasci em Calama. Minha mãe morreu quando eu tinha um ano e meio. Éramos cinco irmãos, e minha irmã mais velha, que tinha 12 anos, cuidou de todos por um tempo. Quando eu tinha cinco anos, uma tia nos adotou.
Com sete anos eu já trabalhava, entregava jornais e estudava também. Mas foi quando eu comecei a viajar de Calama a San Pedro de Atacama para trocar roupas por frutas que comecei a conhecer melhor a região.
Eu viajava uma vez por mês, com até 12 malas cheias de roupas, para trocar por frutas, que depois eu vendia em Calama.
Essas viagens mensais foram de 1965 até 1980. Aí comecei a passear com pessoas que conhecia e queriam ir ao deserto, ao salar, conhecer melhor as belezas por ali.
Na época era bem mais difícil, não havia rotas, os caminhos eram mais complicados. E assim fui conhecendo a região cada vez melhor.
Depois comecei a trabalhar como guia de geólogos, arqueólogos e antropólogos que visitavam a área. Aprendi muito com eles. Esse trabalho me ensina muito. Hoje falo um pouquinho de inglês, de italiano, de francês...
O turismo começou a crescer mesmo lá por 1998, com a inauguração do Explora Atacama [primeiro resort de luxo da região].
A partir daí, San Pedro de Atacama se encheu de turistas, cresceu e foi atraindo firmas de excursões, abrindo hotéis, restaurantes, todos os serviços necessários para uma cidade turística.
Naquela época, eu fazia rotas para o Explora, caminhos para levar os hóspedes da melhor maneira possível até as atrações.
Depois de definir as rotas, eu as percorria com alguma frequência, para verificar se estavam em bom estado, se havia acúmulo de lixo, se ainda podiam ser usadas.
Caso não estivessem em bom estado, procurava rotas alternativas, especialmente se fosse possível encontrar um caminho mais curto.
Uma das coisas mais engraçadas que me aconteceu foi quando um norte-americano, muito jovem, me contratou para subir um vulcão.
Perguntei a ele se tinha todos os equipamentos e ele disse que sim. Quando o encontrei no dia seguinte, às 6h, ele estava vestido como caubói, de botas, calças jeans, camisa xadrez...
Fomos subindo e ele teve problemas com a altitude e ficou como se estivesse bêbado. Aí, teimou que queria descer a encosta por um lado muito perigoso, e não tinha como fazê-lo desistir da ideia. Tive de dar um murro na cara dele para impedi-lo de ir por aquele lado.
Ele ficou como que dormindo por uns minutos e, quando acordou, não se lembrava do soco. Só meia hora depois é que foi se lembrar.
Expliquei a ele que precisei dar o soco porque ele iria morrer se fosse pelo caminho que queria. Por fim, nos tornamos grandes amigos.
Além de trabalhar como guia, tenho um ateliê de arte para crianças em San Pedro do Atacama. Tenho cinco filhos, e os dois pequenos me ajudam com o artesanato.
Também tenho uma oficina de reciclagem de material, onde reciclo plástico, latas, papelão... É outra maneira de contribuir com essa região.
Aos turistas que pretendem visitar a região de Atacama, tenho uma sugestão: faça uma viagem de mais dias, para poder se aclimatar bem com a altitude e aproveitar melhor as atrações naturais que existem por aqui.
Também gostaria de pedir que conheçam, além das belezas naturais, a nossa cultura, a cultura atacamenha, que está viva em todos os lugares. É importante também conviver com essa cultura, com nossos costumes, que seguem sobrevivendo.
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