Campo Grande-MS 29.04.2017

Reinaldo Dias

Meio Ambiente

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SEX, 16.10.2015

Empresas e regulação ambiental: o caso Volkswagen

Volks utilizou um software para fraudar os testes das agências regulatórias

Reinaldo Dias

Para o Portal Top Vitrine

A partir do início do movimento ecológico, cujo marco inicial pode ser identificado com a publicação do livro “Primavera Silenciosa”, de Rachel Carson em 1962, o mundo tem presenciado atitudes que vão de encontro aos novos valores de preservação da natureza, manutenção da vida e preocupação com as futuras gerações.

 

No livro, a autora denuncia a contaminação ambiental a partir da utilização de agrotóxicos na agricultura. A partir da segunda metade do século XX, as empresas passaram a ser vistas como as grandes vilãs do meio ambiente, sendo que suas atividades foram vasculhadas por inúmeros ativistas ambientais.

 

Algumas empresas aprenderam a lição e se adaptaram aos novos tempos. Outras, no entanto, principalmente as grandes corporações tendem a preservar valores antigos de busca desenfreada e egoísta pelo lucro a qualquer custo, sacrificando os recursos naturais e não valorizando a manutenção da vida, inclusive a humana.

 

Hoje, cresce no âmbito empresarial uma abordagem mais altruísta do negócio, onde o lucro mantém-se como uma necessidade de sobrevivência das empresas, mas sem confrontar os direitos e necessidades mais gerais da sociedade como um todo.

 

A preocupação com o bem comum passa a integrar os objetivos estratégicos das empresas, agregado ao seu negócio principal, como um importante componente valorativo de seu produto ou serviço.

 

Neste contexto, a questão atual que se apresenta é a malandragem criminosa da empresa Volkswagen que admitiu que utilizou um software para fraudar os testes das agências regulatórias que visavam medir a emissão de gases prejudiciais ao meio ambiente e causadores do efeito estufa.

 

Ou seja, a empresa buscou de forma egoísta o lucro a qualquer custo, inclusive em vidas humanas que seriam perdidas (e o foram efetivamente) pelas doenças que possam surgir provocadas pelas substancias ingeridas, pelas alterações climáticas provocadas, entre outros malefícios à população.

 

O episódio demonstra o que acontece quando o poder público reduz sua atividade regulatória e de acompanhamento do desempenho empresarial na área ambiental.

 

A tendência é que as empresas se deixem dominar pela competitividade e rentabilidade, tornando-se inevitável que sacrifiquem a qualidade de seus produtos, serviços, bem como a saúde e a segurança dos consumidores e o meio ambiente objetivando maximizar seus benefícios.

 

Felizmente, no campo oposto onde o egoísmo dá lugar ao altruísmo existem hoje em todo o mundo organizações (entre elas inúmeras empresas) e indivíduos que se dedicam em campos específicos a lutar para melhorar as condições de existência da humanidade e do meio ambiente em particular.

 

Foi esse o caso da descoberta da fraude da Volks que se deve a dois ativistas ambientais, Peter Mock e John German, membros da organização não-governamental (ONG) International Council on Clean Transportation (ICCT).

 

Esses ecologistas inicialmente buscavam provar que os controles ambientais eram mais exigentes nos Estados Unidos do que na Europa. Para sua surpresa, os carros da montadora alemã emitiam dezenas de vezes mais óxido de nitrogênio do que o permitido, quando o esperado era que fossem limpos.

 

Surpreendidos com os resultados do trabalho, enviaram para a Agencia de Proteção Ambiental (EPA) norte-americana a informação. Esta abriu uma investigação na qual ficou comprovada a fraude praticada pela Volkswagen, que instalou um software especialmente construído para enganar os dispositivos de teste e simulavam emitir menos gases contaminantes que o real.

 

Como resultado o presidente da montadora renunciou, as ações da empresa despencaram e sofrerão uma enorme quantidade de ações judiciais que poderão custar dezenas de bilhões de dólares.

 

O custo da recuperação da imagem será altíssimo, além de que agora começam a ser divulgadas e mais popularizadas imagens da empresa associadas ao nazismo.

 

A porta se abriu, e agora a organização se vê alçada a exemplo negativo de ética empresarial, sendo alvo de investigação em inúmeros países. Terá válido a pena? Creio que não.

O Portal Top Vitrine não se responsabiliza por artigos assinados ou de origem definida.

SEX, 18.09.2015

Agenda empresarial da sustentabilidade

Pessoas, planeta, prosperidade, paz e parceria

Reinaldo Dias

Para o Portal Top Vitrine

Neste final de setembro se reunirão na sede da ONU em Nova York lideranças mundiais para formalizar a adoção da nova agenda de desenvolvimento sustentável que substituirá os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que foram adotados no ano 2000.

 

Os novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram ampliados, agora são 17, constituindo uma agenda mais ampla de sustentabilidade, reforçando o combate às causas da pobreza e à necessidade universal de desenvolvimento para todos. Esses objetivos podem ser sintetizados em cinco Ps: pessoas, planeta, prosperidade, paz e parceria.

 

- Pessoas, inclui acabar com a pobreza e reduzir as desigualdades sociais, garantir uma vida saudável a todos e a inclusão social de mulheres e crianças

 

- Planeta, envolve a proteção dos ecossistemas, incluindo toda a sua biodiversidade

 

- Prosperidade, implica no desenvolvimento de uma economia sólida e inclusiva

 

- Paz, busca a promoção de sociedades mais pacificas, justas e instituições duráveis

 

- Parceria, visa a cooperação solidária mundial para se atingir o desenvolvimento sustentável.

 

As empresas têm uma grande responsabilidade nesse processo, pois são os principais instrumentos para o crescimento econômico e podem contribuir decisivamente para alterar o modo de produção atual baseado em energias não renováveis e exploração intensiva e incontrolada dos recursos naturais.

 

Nesse caso, há sinais promissores na economia, pois diversas empresas estão incorporando a agenda de sustentabilidade. Nesse caminho podem ser encontradas organizações que transformaram completamente sua estratégia de negócios, incorporando ações integrais nas três dimensões da sustentabilidade: econômica, ambiental e social.

 

Há exemplos positivos no país, com empresas assumindo o combate à pobreza extrema, aumentando a eficiência energética de seus processos internos, reaproveitando a água utilizada no processo produtivo, ostentando certificações socioambientais de reconhecimento internacional, desenvolvendo programas referenciais em reciclagem, reflorestamento e destinação de resíduos, entre outros.

 

Estas empresas vão de encontro à nova agenda da sustentabilidade. Quanto às outras, não lhes resta outro caminho. As transformações necessárias impõem que as empresas abandonem a forma tradicional de fazer os negócios, pois, o entendimento atual é de que um negócio rentável necessita de comunidades saudáveis. Neste contexto, de imediato, as empresas devem avançar no respeito aos direitos humanos e incorporar boas práticas sociais e ambientais na cadeia de valor, entre os fornecedores e os serviços terceirizados.

 

As lideranças empresariais devem compreender que ter uma gestão estratégica de sustentabilidade significa ter sob uma mesma perspectiva todos os temas nos quais se envolve a empresa. Sustentabilidade deve ser entendida como um guarda-chuva sob o qual estão todos os setores da organização.

 

Como vantagem se conseguem benefícios significativos: na melhoria de sua relação com todas as partes interessadas (stakeholders), na redução de riscos, na melhoria da imagem corporativa tanto junto ao público externo como ao interno, no aproveitamento de novas oportunidades e no melhor posicionamento competitivo em sua área de negócio.

 

Chega de ilusões. Sustentabilidade não é modismo. É necessidade de todos e envolve a nossa sobrevivência como civilização. Seu caráter é universal, mas abrange ações localizadas tanto de empresas como de indivíduos. É importante recordar que a função social fundamental das empresas é atender as demandas da sociedade. Ocorre que, no momento, assume importância vital a sustentabilidade.

O Portal Top Vitrine não se responsabiliza por artigos assinados ou de origem definida.

PNUD Haiti/Logan Abassi

Fim da pobreza e redução das desigualdades sociais

TER, 08.09.2015

Crise hídrica e comunicação falha

A realidade é outra. Os rios estão secando e a vazão diminuindo a cada dia

Reinaldo Dias

Para o Portal Top Vitrine

Aparentemente, as autoridades brasileiras em todos os níveis da Administração Pública não estão compreendendo a gravidade da situação hídrica e climática que viveremos nos próximos meses. Isso porque as comunicações ao público carecem de conteúdo, reiterando repetidamente que a situação está sob controle, que os reservatórios estão num padrão aceitável e que os recursos hídricos suportarão o aumento da demanda, diminuindo a possibilidade de racionamento. Apontam, de modo geral, para chuvas que virão amenizar o problema.

 

A realidade é outra. Os rios estão secando, a vazão diminuindo a cada dia, tornando a situação pior do que no mesmo período do ano passado. Grandes reservatórios não recuperaram sua capacidade anterior, operando ainda com volume morto, portanto, abaixo do nível normal. Não há previsão de chuva significativa. Previsões de inúmeros órgãos internacionais apontam para ondas de calor de longa duração que agravarão a sensação térmica com temperaturas recordes neste ano.

 

As ondas de calor que atingiram a América do Norte, Europa, e diversos países asiáticos, embora normais, foram bastante incomuns, pois o aquecimento global que provoca as mudanças climáticas, fez com que sua frequência, intensidade e alcance aumentassem. Os resultados foram dezenas de milhares de pessoas hospitalizadas e muitas mortes.

 

O Japão, que conta com um ótimo sistema de alarme e de enfrentamento de desastres desse tipo, registrou dezenas de milhares de pessoas hospitalizadas e muitas mortes somente no último mês de julho.

 

No início do mês de agosto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Meteorológica Mundial (OMM), divulgaram novas orientações para enfrentar as contínuas ondas de calor que atingem o planeta.

 

Manifestam a preocupação com o agravamento das condições climáticas no mundo e, em particular, com as altas temperaturas, a frequência e a intensidade das ondas de calor.

 

Um dos pontos destacados é a necessidade de informação sobre o clima e os serviços de apoio como o gerenciamento do calor como um risco e a necessidade de se criarem sistemas de alerta para que a população e os governos estejam preparados.

 

Os cientistas apontam que enfrentaremos as maiores temperaturas desde que se iniciaram as medições no século XIX.

 

No Brasil, as diversas instâncias governamentais já deveriam estar preparadas e, principalmente, alertando a população com comunicações realistas e um amplo trabalho de educação ambiental que prepare crianças, jovens e adultos a enfrentarem essa nova situação.

 

A má gestão, aliada à elevação das temperaturas, forma um caldo de cultura com consequências gravíssimas para os cidadãos, e particularmente, para aqueles mais pobres, que não tem acesso a equipamentos que amenizem os efeitos do calor.

 

O calor excessivo pode causar hidratação, insolação, enjoo, acidentes vasculares e atingem principalmente as crianças, os idosos e os doentes.

 

A criação de sistemas de enfrentamento da crise hídrica que se aproxima é urgente, com destaque para a informação correta da população, sem meias palavras ou inverdades. A máxima é utilizar as palavras corretas para situações concretas.

 

O racionamento já ocorre para boa parte da população em várias regiões brasileiras, em particular na cidade de São Paulo, exatamente nos bairros onde reside a população mais carente. Reconhecer a gravidade da situação é o primeiro passo para enfrentar com sucesso o problema e o seu agravamento.

 

Somente com o público informado, e com uma participação ativa no processo de uso racional da água, poderemos evitar uma catástrofe maior do que aquela que ocorreu no ano passado.

 

O calor virá, a chuva será pouca, e para agravar a situação, o fenômeno El Niño, que ocorre devido ao aumento da temperatura nas águas do pacífico, e nos atinge diretamente, será um dos mais significativos e duradouros dos últimos anos. Ainda dá tempo de mobilizar a população para evitar o pior.

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Reinaldo Dias

É professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie Campinas, mestre em Ciência Política e doutor em Ciências Sociais pela Unicamp. Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (1976), mestrado em Ciência Política pela Universidade Estadual de Campinas (1995) e doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (2001). Atualmente é professor do curso de Administração do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas (CCSA) e do curso de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Foi professor e coordenador de curso em várias Instituições de ensino, entre as quais: USF (SP), UNIP (SP), UNA (MG) entre outras. Tem experiência na área de Sociologia, com ênfase em Teoria Sociológica, atuando principalmente nos seguintes temas: turismo, meio ambiente, patrimônio cultural, administração e política pública. É colaborador do Portal Top Vitrine desde fevereiro de 2015.

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