Campo Grande-MS 27.05.2017

Pedro Marcos Roma de Castro

Comportamento & Diversidade Sexual

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SEX, 11.12.2015

Orientação, opção ou condição sexual?

A questão é meramente um jogo político

Pedro Marcos Roma de Castro

Para o Portal Top Vitrine

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São três palavras, todas ligadas à diversidade sexual e que costumam usar com o mesmo sentido, indicar – mas algumas vezes até mesmo rotular – alguém que não seja hetero nos moldes convencionais.

 

Todo o discurso esquerdista atual e as vozes dos políticos da sexualidade se direcionam para afirmar categoricamente – Não existe opção. Hã? Porque não existe opção sexual? Com base em que se pode afirmar isso?

 

A questão é meramente um jogo político. Mas antes de entrarmos nesse jogo é bom sabermos o contexto e o significado de cada uma das palavras.

 

Quando se fala em orientação sexual, estamos nos remetendo a um contexto favorável e verdadeiro, que é a que a condição sexual muitas vezes encontra-se fora da escolha consciente dos sujeitos. Em outras palavras, a ideia de opção sexual em um contexto hetero normativo e compulsório pode gerar um desconforto, pois abrem-se brechas para ataques. Ora se é uma opção, então que se opte pelo que o a sociedade considera o correto. ‘Ora esse homem, se escolheu, não reclame de retaliações’.

 

Ok. Até então estaria tudo bem. Realmente a ideia de opção pode gerar esse dilema e por isso está caindo em desuso, sendo maciçamente substituído pela expressão orientação sexual. Mas o que é orientação? Porque hoje já existe um movimento contra o seu uso, que não a utiliza e acha mais adequado a expressão condição sexual?

 

Antes de passarmos a esse embate entre orientação ou condição sexual, convém frisar que opção existe sim. Se negarmos a possibilidade da opção sexual, automaticamente estaríamos negando a bissexualidade. O que seria uma falácia.

 

Acontece que para os heteros tradicionais e os gays que encontram-se nos extremos e fora do contexto bissexual ou da bidesirability, sim para esse conjunto, muitas vezes falar de opção sexual, pode realmente não fazer muito sentido. Não adianta pregar para que um gay deixe de ser gay e/ou vice-versa. A ideia de opção está muito além do que as suas forças podem alcançar em suas práticas. No entanto, isso não quer dizer que a opção não exista, ela existe só que em um outro segmento de pessoas.

 

A obra clássica de Klein, em 1978, é um dos livros chaves a tratar da bissexualidade, além dele claro há Kinsey, Freud e outros grandes autores.

 

O título da obra é justamente The Bisexual Option, o que deixa claro que para o autor, o sujeito bissexual opta muitas vezes por ser apenas hetero, as vezes por ter um comportamento sexual preponderantemente gay, ou exercer a sua bissexualidade de uma forma plena.

 

O autor de uma forma visionária, inclusive separa em dois níveis a expressão da bissexualidade, e mais uma vez a enxerga como expressão muitas vezes de uma escolha consciente. De acordo com os pensamentos expostos na obra clássica de Klein, o sentir-se atraído por homens por si só não é um requisito para configurar o sujeito bissexual, pois tudo depende do nível de intimidade da relação homo.

 

Heterogoy

 

Há a separação clara entre o bissexual verdadeiro – aquele que além de copular com mulheres, faz o papel de ativo ou passivo quando com homens; e o pseudo bissexual ou bi-emocional, que seria um homem heterossexual capaz de até ser emotivamente íntimo com outros homens, mas com limites e sem sexo. Seria exatamente o que hoje, quarenta anos depois, passou-se a chamar de heterogoy.

 

Como num contexto desses não falar de opção? E ao mesmo tempo se de fato existir orientação do tipo dicotômica como pregam tantos, ou seja, ou se nasce hetero ou se nasce gay. Os bissexuais seriam o quê? Hermafroditas? No que diz respeito a sua orientação?

 

Opção pressupõe escolha.

 

Orientação pressupõe uma pré-formatação.

 

Condição pressupõe uma construção e também flexibilidade.

 

O sentido é que a condição sexual é construída desde a infância, e se é construída também pode ser alterada ao longo da vida. Isso para mim tem muito mais a ver com o nosso mundo real e a forma com que ele se apresenta.

 

Há muitos heteros que supostamente “nasceram heteros” e não morrem heteros, da mesma forma gays hoje formam comunidades nas redes sociais onde reúnem-se diversos ex-gays.

 

Como assim? Os ex-gays mudaram a sua orientação? Mudaram a sua genética? São mentirosos? Ou simplesmente não é mais coerente enxergar o mundo da forma como ele é, mais complexo, mais rico, livre e onde os sujeitos podem passear pelas diversas instâncias da sexualidade, ou pelo menos descobrir e aceitar que elas existem.

O Portal Top Vitrine não se responsabiliza por artigos assinados ou de origem definida.

SEX, 30.10.2015

Macheza e a poluição atmosférica

Quero um carro para pegar mulher

Pedro Marcos Roma de Castro

Para o Portal Top Vitrine

Em princípio parece estranho, mas nem tanto. A questão é que nos Estados Unidos e também aqui no Brasil – me perdoem se há algum outro país que exista esse tipo de relação entre carros e expressão da sexualidade, mas não consigo enxergar essa relação tão forte em outras culturas, até mesmo em países vizinhos nossos como a Argentina ou o Chile.

 

O ser macho – via de regra – busca forma de se tornar atraente para as fêmeas. Isso vale não só para nós humanos. O canto dos pássaros visa atrair o sexo oposto, o coaxar dos anfíbios também é emitido por ser um diferencial competitivo, a luta entre vários machos mamíferos não passa de um ritual para mostrar às fêmeas que estiverem assistindo, quem ali é o mais forte e que em uma leitura subjetiva será visto como o mais apto a procriar.

 

E nesse ponto, do macho tanto precisar aparentar como possuir algum diferencial, que na nossa cultura infelizmente nasce essa articulação entre o ser macho e o uso de automóveis e por tabela os altos índices de poluição das nossas grandes cidades. Não se sabe exatamente quando e nem como, mas é fato que muitos garotos adolescentes possuem como sonho justamente possuir um carro. Perguntem a eles o motivo...

 

Provavelmente vocês não ouvirão, porque o transporte público é ruim, porque eu gosto de transporte individual, porque para mim a vida com automóvel torna-se mais prática. Esqueça tudo isso, de uma forma empírica, podemos chutar aqui com grandes chances de acertar, que o adolescente escolhido a esmo para ser ouvido, enquanto o “macho em construção” emitirá uma resposta do tipo: “Quero um carro, para poder pegar mulher!”.

 

Ora essa, quem não tem carro morre solteiro, ou pior, morre virgem? Certamente que não. Mas por outro lado, não há como negar que o fato de um rapaz jovem possuir um automóvel ainda é interpretado como diferencial no jogo incerto da sedução. A culpa é dele ou das meninas que na gíria dos jovens – dá mais moral só pros manos que têm carro...?

 

Sei lá, nem me arrisco na resposta no sentido de apontar culpados(as), mas o certo é que essa vinculação entre carro e expressão da sexualidade, especialmente aqui no Brasil, ainda existe. Tenho a impressão que diminuiu, a medida que o automóvel se tornou realmente mais popular, com taxas de financiamento a longo prazo, parcelas mais acessíveis, etc, ou seja, diante do maior número nas ruas, deixou de ser um diferencial.

 

Algo que passa a ser utilizado em larga escala, automaticamente, perde o “status de sedutor” em um mundo competitivo, pois passa a ser visto como algo mais corriqueiro e banalizado. Isso já aconteceu com outros objetos de desejo, como aparelhos de TV e celulares por exemplo, mas com o automóvel certamente reduziu, mas ainda continua.

 

Quantos carros a menos teríamos nas ruas se não houvesse esse tipo de vinculação? Seria 30%, 40%, 50% a menos? Não se sabe, mas que com certeza, se os automóveis passassem a vistos apenas como meio de transporte – o que de fato o são – e não representassem subjetivamente nenhum status, nenhum símbolo de classe social e principalmente não possuíssem na nossa cultura nenhuma vinculação simbólica com estruturas fálicas, provavelmente a macheza pós-moderna contribuiria mais para a redução da poluição atmosférica, mais saúde nas nossas cidades e ao invés de pisar no acelerador, usar mais o pedal do freio, na questão do aquecimento global e das mudanças climáticas.

O Portal Top Vitrine não se responsabiliza por artigos assinados ou de origem definida.

TER, 01.09.2015

Será? No sexo tudo é normal. Nada é pecado

Cuidado! Isso pode ser uma falácia

Pedro Marcos Roma de Castro

Para o Portal Top Vitrine

9 comentário(s)

É ou não é verdade que hoje o pessoal do politicamente correto transmite essa sensação que no sexo tudo pode: não existe juízo de valor, não há transgressão, por mais estranho que pareça aos demais. Tudo é permitido desde que consensual, não há certo nem errado e muito menos ainda, não existem patologias no campo da sexualidade. Cuidado! Isso pode ser uma falácia.

 

Salvo alguns argumentos mais criativos, a grande culpada para a vivência comportamental/cultural ser tão opressora na realidade da nossa sexualidade ocidental, a resposta via de regra, está na ponta da língua de vários: A culpada disso tudo é a Igreja Romana, que impôs seus valores durante quase 1.600 anos, foi suprema durante a idade média e a nossa cultura estaria impregnada até hoje.

 

Alguns vão mais além e apontam o dedo para os cristãos como um todo e não apenas para a Igreja Católica, especialmente por causa do comportamento de inúmeros pastores protestantes que se impõem de forma incisa na mídia contra alguns avanços da sociedade moderna, entre os tópicos mil, o conhecido embate entre o movimento LGBT e o posicionamento de diversas denominações evangélicas.

 

Acontece que uma pergunta torna-se crucial. A questão é: Se são mesmo as denominações religiosas cristãs as supostas culpadas disso tudo...  Como era o mundo antes dessas igrejas existirem?

 

Agora, embalado no sucesso da telenovela Os Dez Mandamentos, nota-se que diversos personagens que viveram antes de Cristo eram quase que desconhecidos para o público do maior país católico do mundo. Quem foi exatamente Moisés? Além de não desejar a mulher alheia, não existia nada mais que fosse relativo ao comportamento sexual nas Tábuas da Lei?

 

Antes de entrar em detalhes, convém lembrar que na Antiguidade era gigantesca a quantidade de deficientes e de debilidades diversas decorrentes do casamento consanguíneo. Nesse cenário, os judeus mostravam uma suposta “saúde de ferro”, uma superioridade em relação aos demais povos da antiguidade que sucumbiam desse mal, que até então possuía causas e efeitos desconhecidos. Não à toa o comportamento sexual dos judeus provavelmente acabou sendo copiado pelos demais povos e incorporado às diversas culturas ao longo dos tempos.

 

E qual era a diferença do comportamento sexual judaico em relação aos demais povos pagãos, também chamados de povos goys? A diferença era simplesmente que os judeus seguiam a risca as Leis de Moisés – que apesar de não terem sido escritas por Deus a exemplo da tábua dos Dez Mandamentos – foram escritas por alguém “enviado por Ele” e por isso as leis gozavam de grande legitimidade entre os que acreditavam no Deus Único e Invisível.

 

Dentre as normas da longa e extensa Lei de Moisés, trinta e um tópicos dizem respeito ao comportamento sexual. Antes de lê-los adianto que, se não as conhece, é provável que se surpreenda. O fato é que grande parte da humanidade (afinal nem todos são cristãos) continua seguindo as Leis de Moisés literalmente. E muitos nem sabem disso. Cumprem, independentemente de serem judeus, mulçumanos, budistas, agnósticos, ateus, etc.

 

E quais são as leis mosaicas referentes aos atos sexuais? Os itens que são referentes ao sexo estão na lei Ló Tassê (normas proibitivas) de número 330 até a lei de número 360. Vejamos:

 

Não se deve

 

330. Ter relações com a mãe

 

331. Ter relações com a esposa do pai

 

332. Ter relações com a irmã

 

333. Ter relações com a filha da esposa do pai, se ela é sua irmã

 

334. Ter relações com a filha de um filho

 

335. Ter relações com a filha de sua filha

 

336. Ter relações com a filha

 

337. Ter relações com uma mulher e sua filha

 

338. Ter relações com uma mulher e a filha de seu filho

 

339. Ter relações com uma mulher e a filha de sua filha

 

340. Ter relações com a irmã de seu pai

 

341. Ter relações com a irmã de sua mãe

 

342. Ter relações com a esposa de um tio

 

343. Ter relações com a esposa de um filho

 

344. Ter relações com a esposa de um irmão

 

345. Ter relações com uma mulher junto com a sua irmã

 

346. Ter relações com uma mulher menstruada

 

347. Ter relações com a mulher de outro homem sem consentimento

 

348. Homem ter relações com um animal

 

349. Mulher ter relações com um animal

 

350. Um homem relacionar-se carnalmente com outro macho

 

351. Um homem relacionar-se intimamente com o seu pai

 

352. Um homem relacionar-se intimamente com o irmão de seu pai

 

353. Ter intimidades com uma parenta

 

354. Um casamento misto (um MANZER ter uma relação com um judeu)

 

355. Ter relações duradouras sem casar-se

 

356. Casar-se novamente com uma mulher divorciada depois de ela ter se casado de novo

 

357. Ter relações com uma mulher sujeita ao casamento levirato

 

358. Divorciar-se de uma mulher que tenha estuprado e tenha sido compelido a casar-se

 

359. Divorciar-se de uma mulher após tê-la acusado falsamente a infamado

 

360. Um homem incapaz de procriar, casar-se com uma judia.

 

Está Surpreso? As pessoas cumprem ou não cumprem de forma consciente ou inconscientemente quase a totalidade dessas regras? E mesmo as pessoas que não cumprem têm ou não a concepção de que elas seriam corretas?

 

Será mesmo que a nossa noção de correto não tem relações com a Antiguidade? Certamente tem e não seria somente uma construção recente visando perseguir alguns movimentos sociais e grupos políticos “sexuais libertários”.

 

Uma explicação plausível para isso, como dito antes, pode estar no fato de que o comportamento sexual dos judeus, que originalmente possuía um aspecto de exclusividade, começou a ser visto com bons olhos pelos demais povos e por isso foi copiado e incorporado por diversas outras culturas e praticamente disseminado por todo o planeta, e isso foi acontecendo aos poucos ao longo desses 3.700 anos perpassados após a criação das leis mosaicas.

 

Nossos indígenas, por exemplo, não seguem estas leis em sua cultura e padecem de alguns dos males dos povos não judeus da antiguidade, entre eles, a porcentagem enorme de nascimentos de crianças deficientes, fruto da relação da consanguinidade e do casamento generalizado entre parentes.

 

Mas voltando ao início do título que motivou esta escrita. No sexo tudo é normal? Nada é pecado? Com o pecado nesse caso no sentido da transgressão, nesse momento, assim como eu, talvez você esteja revendo diversos dos seus conceitos... No entanto, independentemente de concepções religiosas, não há como deixar de falar de alguns aspectos que chamam muito a atenção nesses “mandamentos”.

 

Um destes aspectos é que apesar de não ser matemático, fica patente que das 31 leis proibitivas, apenas três têm relação com a expressão da homossexualidade, ou seja 28 tem relação com o mundo da expressão da heterossexualidade. Se todos nesse contexto podem ser pecadores transgressores, por que tanta ênfase, por que tanto foco e tanto clamor em cima do comportamento homossexual. Ora, fica a impressão que ele é um comportamento pior que os demais; isso é uma falácia histórica.

 

Note que o comportamento propriamente homossexual (350) e também alguns tópicos homoafetivos (351 e 352) seriam igualmente transgressões, no mesmo nível que o casamento entre primos (353), que um tempo longo de namoro (355) e até mesmo um casal heterossexual em um casamento sem filhos (360).  Não existe transgressão leve e nem transgressão pesada, existe apenas a ideia de um comportamento sexual e o sentido do que não é desejável. Então, baseado nessa lógica, não faz sentido alguns serem tão incisivos contra o casamento gay, por exemplo, mas serem tão complacentes às vezes com tantas outras questões citadas.

 

E, se você pensa que isso deve ser exclusivo para judeus, talvez leve um susto ainda maior ao ler a íntegra do Capítulo 18 no livro de Levíticos, pois verá que o que está escrito lá, apesar de não ser exatamente igual, tem uma correlação enorme com que está presente na nossa Bíblia.

 

Então, se faz parte da nossa Bíblia, já que somos o maior país católico do mundo, que tal agirmos como verdadeiros cristãos, ou seja, parar de apontar o dedo para os outros, como se “os outros” fossem pecadores, quando na verdade meus amigos praticamente plagiando a famosa frase que de perto ninguém é normal, todos nós somos pecadores, incluindo também os religiosos.

 

Por outro lado, devemos parar também com essa visão contemporânea hipócrita, na qual supostamente tudo pode e tudo é lindo e maravilhoso. O incesto, por exemplo, é transcultural, mesmo que consensual entre as partes seria normal entre quatro paredes? A pedofilia, que sequer faz parte dessa lista retirada de Moisés, seria normal pelos nossos parâmetros atuais? A noção de que há limites deve estar presente. Para tudo na vida existe prós e contras. E a realidade é muito mais que repetir frases de efeito.

O Portal Top Vitrine não se responsabiliza por artigos assinados ou de origem definida.

Revista Sexy

Tudo é permitido desde que consensual?

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Pedro Marcos Roma de Castro

É psicólogo pela Universidade de Brasília (UnB), Doutor em Ciências Sociais Aplicadas - com ênfase em Administração, pela Universidade de São Paulo (USP) e Analista em Ciência e Tecnologia Sênior da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). É colaborador do Portal Top Vitrine desde fevereiro de 2015.

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