Campo Grande-MS 28.06.2017

Paulo Renato Coelho Netto

O animal político

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DOM, 03.04.2016

As memórias do cárcere de Roberto Jefferson

"Ali embaixo todo mundo se iguala. Eu não recomendo isso a ninguém"

Paulo Renato Coelho Netto

Portal Top Vitrine

Durante entrevista à Rádio Estadão, o delator do mensalão lembrou o período de maior humilhação de sua vida.

 

Roberto Jefferson revelou que na cadeia quem tem dinheiro paga o remédio dos outros detentos e até sabonete para sarna.

 

Descreveu o ambiente como um inferno. "Tem sarna, tuberculose, um cheiro horroroso das pessoas que suam naquele coletivo. É mosquito, pernilongo que morde um, morde outro, vem morder você. É uma coisa pesada. Ali embaixo todo mundo se iguala". Confira:

 

"Cadeia não faz bem a ninguém. Se eu puder dizer às pessoas que estão se envolvendo, ou estão voltando a se envolver com corrupção, não vale a pena. É humilhante você acordar de manhã cedo, chinelinho de dedo, chinelo branco, Havaiana, bermuda azul, camisetinha branca... Aí o confere matinal, sete horas da manhã: mãos para trás, todo mundo em fila, cabeça baixa.

 

- Roberto Jefferson?

 

- Presente, senhor!

 

De noite é a mesma coisa, o confere para dormir.

 

- Roberto Jeferson?

 

... mãozinha para trás e cabeça baixa porque não pode olhar no olho do guarda para não desafiar o guarda, não querer entrar na cabeça do guarda, essas coisas que você tem na cadeia. E você, que tem a fama de estar rico, de ter se locupletado na política, você que vai pagar remédio para todo mundo, a bola de futebol que fura...

 

Tem que ter habilidade, humildade, paciência, vai lidar com isso o tempo todo... lava a privada, que não é a privada que você conhece, é a privada turca, é o boi, que você agacha. Tem que lavar, tem o dia de lavar. De varrer o pátio, de varrer a cela...

 

Esses homens todos que viveram a vida toda com empáfia, com poder, vão passar por isso. Eu não recomendo isso para ninguém.

 

São memórias tristes, são coisas pesadas, são coisas que a gente passa, assimila.

 

Eu não estou reclamando, estou fazendo um relato do que é o real.

 

Fico com pena de ver que homens assim importantes, senadores da República, governadores de Estado, deputados, presidentes de poder e empresários de alta qualidade, representando empresas mais ricas do país, vão passar por isso sim.

 

Ali embaixo todo mundo se iguala.

 

Quem tem um pouquinho mais paga um preço maior porque vai ser responsável, vai ser responsável pelo antibiótico, pelo sabonete para sarna, porque tem sarna, tuberculose, um cheiro horroroso das pessoas que suam naquele coletivo. É mosquito, pernilongo, que morde um, morde outro, vem morder você. É uma coisa pesada, não é uma memória que me deixa infeliz, mas foi um aprendizado...

 

Eu colhi estas pedras no caminho para estender degraus e subir na minha vida”.

 

(O repórter pergunta, no final)

 

- Desses aprendizados que o senhor citou, os instintos primitivos que o senhor tinha pelo José Dirceu ficaram sob controle?

 

“Já passaram. Eu não posso ter ódio porque já passou e ele está passando por isso de novo. Eu não me regozijo com o sofrimento que ele está passando porque eu sei o que é este sofrimento. Não me regozijo”.

 

Entrevista

 

Clique para escutar na íntegra a entrevista de Roberto Jefferson à Rádio Estadão. É memorável:

 

http://radio.estadao.com.br/audios/detalhe/radio-estadao,pt-e-um-cancer-que-esta-sendo-mostrado-ao-brasil-pelo-judiciario-diz-ex-deputado-federal-roberto-jefferson,562986

 

Nota da Redação

 

Roberto Jefferson foi condenado a sete anos e 14 dias de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no escândalo do mensalão. Ele foi preso dia 24 de fevereiro de 2014.

 

Em 2015, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou o ex-deputado a cumprir em casa o restante de sua pena imposta no julgamento mensalão.

 

O delator do mensalão retoma, dia 14 de abril agora, a presidência do PTB. Ele estava licenciado do cargo desde 2012.

O Portal Top Vitrine não se responsabiliza por artigos assinados ou de origem definida.

Reprodução/Blog do Jefferson

Roberto Jefferson? - Presente, senhor!

QUA, 30.03.2016

Brasil pra frente, Temer presidente

Não se viu, ou se fotografou também, faixa com os dizeres acima

Paulo Renato Coelho Netto

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13 comentário(s)

"Brasil pra frente, Temer presidente".

 

Claque de peemedebistas logo após o senador Romero Jucá (PMDB/RR) declarar oficialmente o fim do partido na base política da presidente Dilma – terça-feira, 29 de março.

 

Um dia histórico, como disse o senador em seu discurso relâmpado.

 

Há um detalhe, pequeno, que na certa escapou aos peemedebistas. Até o presente momento, desde as manifestações de 2013, nenhum brasileiro foi às ruas entoando “Brasil pra frente, Temer presidente”.

 

Não se viu, ou se fotografou também, faixa com os dizeres acima, pelo contrário: por Fora Dilma subentende-se Fora PMDB para a maioria da população.

 

O partido foi coautor por mais de uma década do Governo do PT. 13 anos para ser exato.

 

Dizer que o PMDB não tinha poder de mando, que foi mero coadjuvante, que estava junto e não governava, é subestimar a capacidade de raciocínio do mais singelo brasileiro.

 

À sua direita

 

De mãos dadas com Romero Jucá, à direita do senador, o deputado Eduardo Cunha era só felicidade na reunião do desembarque peemedebista. Usufrutuário de alguns milhões de dólares na Suíça, que ainda não foram devidamente esclarecidos a origem, Cunha entrou e saiu sorrindo da reunião que marcou o fim do casamento PT/PMDB.

 

Alea jacta est

 

Agora é acompanhar para ver se o fim do apoio do PMDB vai dar certo, ou seja, resultar no impeachment da presidente Dilma.

 

Pode ser que sim ou que tenha o mesmo enredo que Lula à frente da Casa Civil. Nove vezes fora, nada - um belo tiro no pé.

 

Música no Fantástico

 

O PMDB, se emplacar Michel Temer presidente, poderá pedir música no Fantástico. Serão três chefes de Estado filiados a assumir sem um único voto. Primeiro foi José Sarney (1985-1990), que foi para o Palácio do Planalto após a morte de Tancredo Neves. Depois, com o impeachment de Collor, Itamar Franco (PRN) assumiu a presidência (1992-1995). Itamar foi filiado ao MDB e PMDB.

 

Temer é o primeiro na linha sucessória, caso Dilma saia do cargo.

 

O PMDB sempre esteve ali, na boca da área. Se esbarrar é pênalti. Se chutar faz gol.

 

Da série, piada internacional

 

Dos 65 membros da comissão de impeachment da Câmara dos Deputados, 37 são acusados de vários crimes, como corrupção e lavagem de dinheiro.

 

As informações são do jornal americano "Los Angeles Times", publicadas na terça-feira (29).

 

Da comissão do impeachment, prossegue a reportagem, cinco membros enfrentam acusações de lavagem de dinheiro, seis de conspiração e 19 de irregularidades contábeis. Trinta e três também enfrentam acusações de corrupção ou de improbidade administrativa.

 

O Los Angeles Times publicou ainda que dos 513 deputados federais, 303 enfrentam acusações ou são investigados por envolvimento em crimes.

 

No Senado, o mesmo acontece com 49 dos 81 membros.

 

Black blocs de terno, gravata e mandato

 

Há um clima pesado de violência no ar e não vem da população. Tem origem na fala do presidente do PT, Rui Falcão, que avisa “queremos a paz, mas não tememos a guerra”.

 

Vem das palavras, na tribuna, do líder do governo no Senado, Humberto Costa (PT-PE), em discurso endereçado ao vice-presidente Michel Temer, no qual avisa que se a presidente Dilma for deposta pelo impeachment "golpista", ele será "seguramente" o próximo a cair.

 

Vem da própria presidente que insiste - em discursos e entrevistas - que impeachment é golpe, como se não estivesse previsto na Constituição.

 

Vem da fala do ex-presidente Lula que sugere que o Ministério Público enfie naquele lugar a investigação sobre o Triplex que não é dele.

 

Vem da esposa desse mesmo ex-presidente que recomenda que o povo enfie no mesmo orifício as panelas que usa para protestar, democraticamente, contra a corrupção.

 

Eleitos para representar a população e seus respectivos Estados, deputados e senadores elevam o tom enquanto escutam de uma claque belicosa “não vai ter golpe, vai ter luta”.

 

Uma guerra civil brasileira tem sido alimentada diariamente por quem deveria, por ofício, pregar o diálogo como a saída para conflitos em um Estado Democrático de Direito.

 

Há um clima de ódio diariamente sendo irrigado com gasolina sobre um paiol de maledicência.

 

Hoje os Black blocs usam terno e gravata. Saíram das ruas com seus coquetéis molotov, pedras, pregos e bombas caseiras para brigar na mídia, diante das câmeras e microfones.

 

Minha casa, minha dívida

 

A Caixa anunciou segunda-feira (28) que elevou os juros do financiamento da casa própria com recursos oriundos da poupança.

 

Passou de 9,90% ao ano para 11,22% para financiamento de imóveis de até R$ 750 mil para clientes que não possuem relacionamento com o banco, chamada taxa de balcão.

 

Para clientes com relacionamento com o banco os juros foram de 9,80% para 11%.

 

Para os imóveis acima de R$ 750 mil passou de 11,50% para 12,50%, enquanto os juros para clientes que possuem conta no banco foi de 11,20% para 12%.

 

Os outros bancos, como sempre, acompanham as taxas da Caixa.

 

Juros no cartão de crédito chegam a 447,5% ao ano

 

Os juros do rotativo do cartão de crédito subiram no mês passado e atingiram 447,5% ao ano.

 

Uma alta de oito pontos na comparação com janeiro e um salto de 104,8 pontos em relação a fevereiro de 2015.

 

A taxa de juros do cheque especial também subiu em fevereiro e atingiu 293,9% ao ano, segundo dados divulgados nesta terça-feira (29) pelo Banco Central.

 

O resultado do cheque especial mostra uma alta de 1,6 ponto percentual em relação a janeiro e um salto de 79,7 pontos na comparação com fevereiro de 2015.

 

Tá bom ou quer mais?

 

Páscoa de amargar

 

A Páscoa, segunda data mais importante para o setor supermercadista, atrás apenas do Natal, amargou o pior ano desde 2007 no país.

 

As vendas recuaram 9,6% sobre o mesmo período do ano passado. A informação é da empresa de análise de informações de crédito Serasa Experian.

 

O indicador de atividade do comércio apurado mostrou queda mais intensa na cidade de São Paulo, onde as vendas no período, de 21 a 27 de março, recuaram 11,6%.

 

E Campo Grande?

 

Vai mal, obrigado. O que antes eram buracos nas ruas hoje se tornaram crateras. 

 

Placas de aluga-se adornam fachadas onde existiam lojas, gente trabalhando.

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Reprodução

O que mais se vê nas fachadas de lojas em Campo Grande

QUI, 24.03.2016

Na alegria e na alegria, na saúde e na saúde, na riqueza e na riqueza

Juras de amor no altar da política brasileira

Paulo Renato Coelho Netto

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O escândalo que se tornou a Operação Lama Asfáltica não deixa a desejar em nada aos casos de corrupção nacional da Operação Lava Jato.

 

Versão campo-grandense em superfaturamento, a Lama Asfáltica investiga políticos, empreiteiras, empresários e funcionários públicos. Existem outros personagens também como esposas e secretárias.

 

Enriquecimento ilícito, patrimônio incompatível com a renda, imóveis em nome de filhos. Igual à Lava Jato.

 

Até agora são 21 pessoas e empresas denunciadas. Deles a justiça bloqueou bens no valor total de R$ 315 milhões.

 

A intenção é garantir que o dinheiro seja devolvido aos cofres públicos, caso for comprovado o envolvimento no suposto esquema fraudulento de tapa-buracos em Campo Grande.

 

A Lama Asfáltica é coordenada por uma Força Tarefa do Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul.

 

O caso ganhou repercussão nacional.

 

As cartas, viradas à mesa, começam a ser abertas pelo MPE.

 

É de embrulhar estômago de avestruz.

 

Senador Easy Rider

 

Ao melhor estilo Peter Fonda, no filme "Sem Destino", o senador Delcídio do Amaral (ex-PT/MS) colocou um capacete, subiu numa bela Harley-Davidson e saiu por aí, mais precisamente em São Paulo, durante as manifestações que reuniram milhões de pessoas na avenida Paulista, dia 13 de março.

 

Até aí, nenhum problema, caso o profeta do caos, como se definiu, não estivesse cumprindo prisão domiciliar e, ainda por cima, em licença médica.

 

Pela segunda vez, o senador renovou a licença. O novo prazo, de 15 dias, começou a contar a partir desta quinta-feira (24), quando ele deveria retornar ao trabalho.

 

Ele alega sofrer de angústia, insônia e ansiedade.

 

Pelo acordo que firmou com a Procuradoria Geral da República, o senador teria de ficar recolhido ao endereço informado, exceto para o seu tratamento médico.

 

Como pode, então, alguém em regime de prisão domiciliar e com problemas psicológicos sair por aí, livre, leve e solto de moto?

 

Pode. Estamos no Brasil. Simples assim.

 

Xepa

 

Fim de feira, sobra, resto. Pepinos, abacaxis, laranjas e peixes pequenos.

 

Questão monetária

 

O Brasil se divide hoje entre aqueles que precisam muito ganhar dinheiro e aqueles que precisam muito esconder o dinheiro.

 

Bom humor ou sarcasmo?

 

Passivo, Caranguejo, Atleta, Escritor, Nervosinho, Drácula, Lindinho e Avião. Estes são alguns dos apelidos atribuídos a políticos encontrados na lista de doações de dinheiro da Odebrecht. 

 

Piada internacional

 

O Brasil virou o principal tema do comediante britânico John Oliver, na última edição de seu noticiário semanal na HBO, no domingo, dia 20 de março.

 

"Os legisladores brasileiros estão se movendo para retirar a presidente [Dilma] Rousseff", explicou. Mas eles podem não estar na melhor posição para julgá-la, pois 60% deles enfrentam acusações que variam de fraude eleitoral a homicídio", acrescentou, citando números que o jornal americano "The New York Times" usou do portal Transparência Brasil.

 

E arrematou, para delírio geral: “O Legislativo brasileiro potencialmente contém 40% de criminosos per capita a menos que o sistema penitenciário".

 

Adevogado na Pátria Educadora

 

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, repetiu duas vezes a palavra adevogado (sic) durante entrevista coletiva para explicar que não disse o que foi gravado pelo assessor do senador Delcídio do Amaral (ex-PT/MS), José Eduardo Marzagão.

 

- “Não vou me meter na defesa dele. Não sou adevogado (sic) e não conheço o que foi feito”, disse Mercadante.

 

Resumo da Ópera: Delcídio foi passear de moto, Mercadante continua ministro na Pátria Educadora e Marzagão foi demitido do Senado.

 

Infinito enquanto dure

 

“Na alegria e na alegria, na saúde e na saúde, na riqueza e na riqueza”. [Juras de amor no altar da política brasileira].

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Reprodução/Internet

Peter Fonda no eterno clássico Easy Rider

Reprodução/Blog Fernando Rodrigues

Acordo entre Delcído e a Procuradoria Geral da República

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Paulo Renato Coelho Netto

Criador do Portal Top Vitrine, Paulo Renato é jornalista com pós-graduação em Marketing pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), em Campo Grande (MS). É autor de nove livros, entre os quais "Mato Grosso do Sul", obra em português e inglês e “Minha Vida Até os 40 – Uma biografia de João Leopoldo Samways Filho”. É coautor do livro “Campo Grande, Imagens de Um Século”, obra em português e francês. Foi roteirista dos filmes “Pantanal – Um Olhar sobre o Patrimônio da Humanidade”. Publicou seu primeiro livro aos 19 anos, “Ciência do Beijo”. Trabalhou como repórter no jornal Diário do Grande ABC, em Santo André (SP), e na sucursal em Campo Grande do jornal Gazeta Mercantil. Foi diretor e editor-chefe na TV Morena (Rede Globo) e TV Educativa de Campo Grande. Idealizou e implantou a TV UNAES - Centro Universitário de Campo Grande. Na mesma Instituição de Ensino Superior foi diretor da TV UNAES, responsável pelo site, pelo jornal O Centro e a Assessoria de Comunicação do Centro Universitário.

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