Campo Grande-MS 20.08.2017

Maria Ângela Coelho Mirault

Doutora e Mestre em Comunicação e Semiótica

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SEG, 29.02.2016

Estamos nos matando e sendo mortos a toda a hora

Na dor solitária que enxameia nosso coração. Salve-se quem puder!

Maria Ângela Coelho Mirault

Para o Portal Top Vitrine

Há um despertar de sombras que nos emergem das entranhas a cada notícia escabrosa. Cada vez mais estupefatos, deparamo-nos com o ser mais primitivo que persiste em habitar em nós e a lastrear nossa humanidade. E esse ser bestial – que, aí, nos enxergamos ser - quer, antes da justiça, vingança!

 

Não matarás! Quem pode assegurar para si o não matarás?

 

Estamos nos matando e sendo mortos a toda a hora, dentro e fora de casa: na seleção aviltante e real por uma vaga na UTI; no trânsito; nas almas que se confrontam; na dor do outro que nos alcança cotidianamente; na dor solitária que enxameia nosso coração; no facebook!

 

Estamos nos odiando e vociferando nossas opiniões, pelas pontas dos dedos esquizofrênicos; proclamando todas as nossas verdades, enquanto hienas poderosas e no comando saqueiam nossa carne; vendilhões do templo em todas as instâncias e poderes nos exploram.

 

A omissão, a conivência, a cumplicidade são generalizadas - meu pirão primeiro. Estamos num redemoinho de desespero e dor. Está cada vez mais difícil ser de fato um cristão, nesses dias. Àquele que deve dar a outra face – mas, não dá; que tem de perdoar – mas, não perdoa; que tem de ter compaixão – mas, não a tem. No entanto, os templos continuam cheios de devotos.

 

O mundo enlouqueceu e não há crença, ideologia, lógica que resistam e deem conta da realidade que, a todo instante, nos viola a alma - se é que a temos.

 

Acontecimentos inimagináveis, cada vez mais assustadores, nos prenunciam o que ainda está por vir, já amanhã de manhã, ao ligar a tevê. Não há escapatória, ao lado das catástrofes naturais que nos assolam, o ranger de dentes apocalíptico está na ordem do dia: salve-se quem puder!

 

Somente os alienados, os cínicos e as Polyanas são idiotamente felizes; os ignorantes, talvez; os ineptos; os ruins da cabeça... Alguns de nós, não!

 

Somos, hoje, uma nação estupefata de zumbis; estamos mortos, inertes, saindo de um carnaval sem nexo, que ocupou as ruas de todo o país, movidos à instantaneidade dos sentidos hedônicos, enquanto, no mundo real, tudo continuou, continua e continuará no mesmo colapso, imersos na mesma lama de Mariana que toma todo o país e que nos rouba o fôlego ao chegar às narinas do corpo e do espírito.

 

Bandidos milionários e blindados chegam do exterior e posam seu escárnio para o instantâneo midiático; escárnio da gente, da polícia e da própria justiça. Sérgio Moro, o justiceiro, e sua equipe corajosa desnovelam fios de meadas emaranhadas, e escrevem, todos os dias, a verdadeira história de um país totalmente de nós desconhecido, delação após delação.

 

Canalhas poderosos, semideuses e muito ricos

 

Nunca precisamos tanto de bandidos para que, ao delatarem seus comparsas, desvendem-se crimes, antes, só do conhecimento em suas esferas de poder e de ganância. Canalhas poderosos, semideuses e muito ricos entram e saem da carceragem, com ou sem tornozeleira, presos em seus luxuosos e confortáveis domicílios, ao lado de suas famílias angelicais.

 

Idiotas assumem lideranças que não lhes foram dadas e conclamam a população “a apoiar Sérgio Moro” – sem se deram conta de que Moro não precisa de nós. Somos nós - os que vêem e estão fartos de tudo - sobreviventes quem precisamos de Moro, de sua equipe notável, do corajoso colégio de promotores, dos valorosos integrantes da PF; do japa conduzindo mais um a Curitiba.

 

Sobretudo, existe uma demanda que vem de uma origem extraterrena; uma demanda que vem de uma economia não aprendida nem ensinada nas escolas, no catecismo, nas aulinhas partidárias, nem nas universidades, quiçá em nosso planeta.

 

A economia que é parte imponderável da lei imutável da vida, na qual todo negócio, toda transação têm um preço e esse preço é absolutamente justo porque vem de uma Lei Maior: de Igualdade, de Equilíbrio e de Justiça.

 

Obviamente, não me refiro às mequetrefes leis-das-pregações-religiosas sustentadas pelo medo, pelos escambos e oferendas. Refiro-me a uma Lei, ainda, de poucos conhecida - mesmo de Moisés e das religiões constituídas, após suas Tábuas da Lei.

 

Refiro-me a uma Lei que vem da Física e que rege toda a matéria; toda energia. Nesta Macroeconomia, Ecológica e Universal - a qual estamos todos submetidos - acreditemos, ou não – tudo tem sua medida certa. Tudo tem consequência. Demanda e oferta estão a todo tempo submetidas à balança do equilíbrio e, em assim sendo, apesar do colapso, do holocausto e das dores quase insuportáveis do dia-a-dia, a Justiça prevalecerá.

O Portal Top Vitrine não se responsabiliza por artigos assinados ou de origem definida.

Reprodução/Filme Coração Valente

Estamos num redemoinho de desespero e dor

SEX, 29.01.2016

Estudante de medicina mata a tiros uma gata em Campo Grande

Maltratar, ferir e matar animais é crime. Ponto!

Maria Ângela Coelho Mirault

Para o Portal Top Vitrine

Quatro verdades insofismáveis: primeira,“não foi brincadeira”; segunda, “é crime”; terceira, “família é conivente”; quarta, “os coleguinhas, que o acompanhavam, também”. Por quê?

 

Andar empunhando arma procurando um animal, qualquer animal, intencionalmente, para alvejar, nunca poderá ser justificado como brincadeira, por quem quer que seja, há desejo na alma de ferir e de matar, próprios de quem não tem a vida como valor absoluto. Ponto!

 

Maltratar, ferir e matar animais é crime. Ponto!

 

Os animais são tutelados do Estado Brasileiro, são resguardados e protegidos por legislações federais, desde o governo Vargas (!), pelo Decreto 24.645/34; a Lei Federal 9.605/98 - dos Crimes Ambientais, cujo art. 32 determina penalidades a quem “praticar ato de abuso, maus tratos, ferir ou mutilar animais...”.

 

Fere absurda e covardemente o item VII, §1º Art. 225, (da lei maior) Constituição Federal (na íntegra: ... incumbe ao Poder Público - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que (...) submetam os animais a crueldade”.

 

A Família (?) que incentivou esse comportamento e não transferiu valores com relação ao respeito à vida, não educou e permitiu que o indivíduo desse vasão ao seu instinto criminoso, é responsável e cúmplice do ato do marmanjão – o carro era da mãe que “não sabia” a motivação do rolezinho do seu rebento, que tem como brinquedinho uma arma de pressão...

 

Quantos animais não vitimou essa alminha-inocente?! Ele mesmo afirmou ter alvejado vários (!!!) gatos, mas só essa foi atingida.

 

Acompanhar alguém a praticar um crime é cumplicidade.

 

Assim, os amigos têm de ser, também, incriminados: quem são, o que fazem; fichinha deles na delegacia e responsabilização. Por que um criminoso da periferia tem a carinha estampada nos jornais, divulgadas na televisão e a desse pobre-filhinho-de-mamãe, não?! O abafa-abafa já atingiu até as (livres?) redes-sociais.

 

Gente! Ele é maior, possui segundo grau completo, é de família com poder aquisitivo bom, é acadêmico de M-E-D-I-C-I-N-A e não sabe NADA a respeito da Vida, da Dor, sobre a Infração de Leis?! É ignorante? Não, não e não! É consciente, se não for declarado doente.

 

Diante dos fatos e das verdades insofismáveis, então, como cidadã brasileira, decreto: (1) Fichado, sim; (2) Que seja obrigado a delatar seus comparsas, sim; (3) Responsabilização dos pais pela “arma de brinquedo” que o sujeito usa para ferir e matar, pelas ruas da cidade, de brincadeirinha, sim; (4) Que pague as custas da clínica que socorreu “Vivi”, a gatinha exterminada, sim; (5) Tenha uma conversinha boa com protetores de animais; que seja “convidado” a visitar animais agredidos e recolhidos por essas Ongs, além, (Senhor Juiz!) de prestar serviços voluntários à Ongs de proteção animal, sim; (6) Seja exemplarmente punido pelo Conselho de Ética da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, de preferência com a expulsão – pessoas desse tipo não devem ser custeadas por nós para o ensino gratuito em uma universidade pública, sim.

 

Por último, recomendo: Vai brincar com a sua mãe; ferir e matar animais na via urbana com uma espingarda de pressão não é brincadeira, é crime! Assuma sua insensatez, e procure ajuda psiquiátrica, se possível. Quem sabe, você, ainda, possa adquirir alguns valores que lhe negaram na infância?

 

O fato

 

Na madrugada do sábado, dia 23 de janeiro deste ano, Leonardo Lyrio de Souza - um indivíduo com 24 anos de idade, acadêmico de medicina da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul – ocupando o banco de trás do carro emprestado de sua mãe (um HB20), dirigido por um colega e acompanhado de outros – decidiu brincar de matar gatos e atingiu com arma de pressão (chumbinho) uma gatinha de rua, acertando-lhe a coluna cervical.

 

Socorrida por moradores, a gatinha, de nome Vivi, passou por cirurgia, mas como diria o acadêmico de medicina, não resistiu e veio à óbito.

 

Identificado por câmeras de segurança, o malfeitor, depois de localizado e intimado, apresentou-se  à equipe da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Ambientais, quando, então, justificou-se: “Foi uma brincadeira que acabou mal”.

 

Na ocasião, revelou, também, haver atirado em outros felinos e não saber se os atingira.

 

O corpo jurídico da instituição manifestou-se dizendo que não haverá punição por não estar previsto no Regimento.

 

Sendo assim, Leonardo, às nossas custas, formar-se-á em medicina e daqui a pouco nos espreitará, quem sabe, em um leito de UTI.

 

Não nos esqueçamos de quem é.

O Portal Top Vitrine não se responsabiliza por artigos assinados ou de origem definida.

QUI, 10.09.2015

O 11 de Setembro de todos nós

Quase três mil pessoas morreram, 2.753 civis e os 19 sequestradores

Maria Ângela Coelho Mirault

Para o Portal Top Vitrine

Naquele momento em que a insanidade dos ataques terroristas - muito bem planejados, coordenados e executados pela organização fundamentalista islâmica Al-Qaeda - atingiu com precisão os alicerces do poderio militar, político e econômico dos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001, a data tomou de assalto um lugar cativo no calendário da História Humana Contemporânea. Rememoremos.

 

Naquela manhã, o mundo pode assistir de todos os lugares - tal como na narrativa orwelliana da transmissão diuturna do “minuto de ódio” pela teletela -, em tempo real, o mais odioso espetáculo de vingança, retaliação e contundência, do pensar e do agir do homem contra o próprio homem, na atualidade. Por intermédio da ação executada por (apenas) dezenove terroristas, quase três mil pessoas (2.753 civis e os 19 sequestradores a bordo dos aviões) foram mortas, principalmente, civis de mais de 70 países.

 

Obviamente, o confronto pertinaz e milenar entre o Bem e o Mal ocorre desde tempos imemoriais. Entretanto, na História Moderna, cenas similares a estas nos chegavam em películas cinematográficas, por rádio e pelos jornais, porém, absolutamente editadas. Tomávamos tênue conhecimento dos fatos pela interpretação, impressão e tradução dos correspondentes que, por sua vez, recebiam a interpretação, a impressão e a tradução dos seus editores.

 

"Vivemos um mundo de cartarze coletiva de nossas doenças da alma; os cadáveres estão expostos em todos os lugares"

 

O que houve de novo no Onze de Setembro foi a instantaneidade proporcionada pela tecnologia dos satélites, levando a visão do inferno ao olhar estarrecido e impotente de toda a Humanidade. Hoje, também temos o nosso “onze de setembro” que acirra o que há de pior da essência na espécie humana e nos incita à segregação, à segmentação, à discriminação, à violência, ao isolamento, à intolerância, à indiferença e à eliminação do Outro. Em decorrência, qualquer um de nós que professe ideologias diferentes, sejamos, em todas as esferas da vida, talibãs e não-talibãs.

 

De certo que convivemos imersos em grande perturbação social, na qual o antagonismo de cosmovisões distintas tem se traduzido pela emersão da virulência de pensamentos e atos, em toda esfera Humana. A discórdia, a agressividade, o ódio, a inquietação, o pânico, a dor, a desesperança colocam-nos todos contra todos.

 

A pergunta que se faz, catorze anos depois, é se o mundo tornou-se mais violento, ou, mais visível. Talvez o Mal tenha hoje mais visibilidade e se apresente agora com toda sua pujante crueza desde as novelas-da-globo, passando pelos noticiários da tevê, invadindo as redes sociais - lugar das mais absurdas exposições, ataques e difamações irreversíveis que interliga, a todo o tempo, todo mundo a qualquer um. Parece-nos que nunca nos odiamos tanto. Vivemos um mundo de cartarze coletiva de nossas doenças da alma; os cadáveres estão expostos em todos os lugares, eles chegam aos nossos lares pelo brilho da alta definição, pelos touch screen de nossos celulares, tabletes e laptops; hoje, extrapolam as páginas dos jornais e os noticiários de tevê.

 

Roberto Crema, reitor da Universidade Internacional da Paz - Rede UNIPAZ (uma instituição sem fins lucrativos, que iniciou suas atividades no DF, em 1986, com tem sede em diversas cidades do país), diagnostica esse momento e diz: “Nenhuma época, como a nossa, apresentou uma face tão explícita e atordoante da demolição, lição do demo, do egocentrismo, do desamor, da fragmentação e desvinculação, da alienação ética e generalizada desumanização. Como parcelas que estamos sendo de um organismo global, células de um mesmo corpo da coletividade humana, estamos todos soterrados pelos desabamentos de torres e de valores, ao mesmo tempo vítimas e algozes, atravessando as inevitáveis consequências do exercício sistemático da estupidez humana, do esquecimento do Ser. Na afirmação de Sartre, estamos sós e sem desculpas”.

 

De certo, que desde esse momento de insanidade da ação humana, nosso mundo mudou radicalmente, levando-nos a refletir sobre o papel e a responsabilidade de cada um de nós, viventes desse século. Esse ciclo de ódio precisa ser interrompido por um novo paradigma que emirja da Ética e da Estética da Paz. Pode ser que um novo paradigma capaz de promover uma Cultura de Paz e Não-Violência por intermédio da educação e reeducação do homem seja a última e única possibilidade de reversão à ode ao terror e a todas as suas circunstâncias e consequências.

 

É preciso, antes de tudo, que aprendamos a pensar e a agir em prol de uma conquista efetiva de Paz, em nosso mundo particular, promovendo pequenas ações que sejam realmente potenciais para a quebra desse paradigma de violência em toda a instância e lugares, a partir de ações individuais, locais e coletivas em benefício de nós, de toda a sociedade; enfim, de toda a Humanidade.

O Portal Top Vitrine não se responsabiliza por artigos assinados ou de origem definida.

Divulgação ONU BR

11 de setembro de 2001, uma data que ficou na história

de 11

Maria Ângela Coelho Mirault

Doutora e Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC de São Paulo. É diretora da Faculdade Aberta da Maturidade FAMA/MS, em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul. Assina, entre outros, o blog XPTO. É colaboradora do Portal Top Virine desde setembro de 2013.

http:mamirault.blogspot.com

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