Campo Grande-MS 26.04.2017

LGBT & Outras Letras

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TER, 19.05.2015

ONU lança vídeo destacando a diversidade LGBT

Pessoas filmadas em seus locais de trabalho e residências

LGBT & Outras Letras

Para o Portal Top Vitrine

Antes do Dia Internacional contra a Homofobia, a Transfobia e a Bifobia, campanha da ONU sobre “Liberdade e Igualdade” lança novo vídeo comemorando contribuições de lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis para as comunidades ao redor do mundo.

 

Uma novo vídeo da campanha da ONU “Livres e Iguais” que destaca a diversidade da comunidade lésbica, gay, bissexual, transexual e travesti (LGBT) ocupa os telões do Time Square, em Nova York, desde a última quinta-feira (14).

 

A transmissão é parte das comemorações do Dia Internacional contra a Homofobia, a Transfobia e a Bifobia, celebrado domingo (17) em países por todo o mundo.

 

Este ano a data foca na situação enfrentada pelos jovens na comunidade LGBT. O vídeo de dois minutos transmitido nas telas da Reuters e do Nasdaq, no coração de Manhattan, fala sobre as contribuições que esta comunidade faz para as famílias e grupos locais por todo o mundo.

 

O vídeo apresenta pessoas filmadas em seus locais de trabalho e residências, entre as quais uma bombeira, um policial, uma cineasta, uma designer, uma assistente social, uma professora, um eletricista, um médico e dois pais homoafetivos.

 

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também faz uma aparição na cena final do vídeo, ajudando a destacar o pedido da ONU de mais esforços conjuntos por uma maior aceitação e igualdade para as pessoas LGBT em todos os lugares. A cantora Sara Bareilles apoiou o projeto através da sua canção icônica Brave sendo utilizada como a trilha sonora do vídeo.

 

Fim dos preconceitos

 

“Lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e intersexuais agora estão atingindo novas fronteiras e celebrando conquistas notáveis. Apesar desta transformação, os atos de discriminação e violência continuam contra a comunidade LGBT”, disse o diretor executivo do Programa Conjunto da ONU sobre HIV/Aids (UNAIDS), Michel Sidibé.

 

Já a diretora-geral da Organização da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Irina Bokova, apontou para evidências que mostram que os jovens LGBT são esmagadoramente expostos a vergonha, discriminação e violência, com trágicas consequências, incluindo traumas ao longo da vida e automutilação.

 

Bokova destacou o encontro entre os ministros da Educação na UNESCO em Paris, previsto para ser realizado no Dia Internacional contra a Homofobia, a Transfobia e a Bifobia em 2016, onde será lançado o primeiro relatório sobre a situação das respostas do setor da educação para a violência homofóbica e transexuais. A chefe da UNESCO afirmou que o encontro fornecerá uma avaliação do real alcance e consequências do fenômeno em todas as regiões.

 

Um grupo da ONU de especialistas em direitos humanos também pediu aos Estados ação para superar preconceitos e estereótipos através de iniciativas de combate à discriminação nas escolas e campanhas de educação pública. Os Estados-membros, disse o grupo, devem abordar a discriminação interseccional e a violência contra a juventude LGBT com base na raça e etnia.

 

Já o alto comissário da ONU para os Refugiados, António Guterres, pediu a todos os governos e sociedades que promovam os valores da tolerância e do respeito pela diversidade, além de construir um mundo onde ninguém deve ter medo de sua orientação sexual e identidade de gênero.

 

“Mais de 40 países em todo o mundo agora reconhecem, tal como o meu escritório, que a perseguição contra pessoas LGBT pode constituir um motivo válido de asilo nos termos da Convenção de Refugiados de 1951. A minha esperança é que mais e mais Estados-membros adotem esta abordagem no futuro”, disse Guterres.

 

“As pessoas que fogem da discriminação e da violência homofóbica e transfóbica muitas vezes experimentam perseguição múltipla, em casa e nos países de asilo, incluindo dentro de suas próprias famílias e comunidades. Neste dia, eu apelo aos Estados e sociedades para que proporcione a estas pessoas uma melhor proteção, além de eliminar todas as formas de violência e discriminação”, acrescentou o chefe do ACNUR.

 

Fonte: ONU Brasil

 

Clique e assista o vídeo

 

www.topvitrine.com.br/tv/livres-e-iguais

O Portal Top Vitrine não se responsabiliza por artigos assinados ou de origem definida.

TER, 24.03.2015

LGBT & Outras Letras: Pussy rules, não à estética, sim ao natural

No blog é permitida a publicação de fotos íntimas, sem a exibição do rosto

LGBT & Outras Letras

Para o Portal Top Vitrine

Por Breno Rosostolato*

 

O Large Labia Project (projeto lábios grandes) é um site que vem fazendo sucesso na internet e defende a ideia da desmistificação de padrões estéticos da vulva. Mulheres com lábios vaginais protuberantes são convidadas pelo site a postar fotos de sua genitália, demonstrando que não são desproporcionais ou inadequados.

 

Idealizado pela australiana "Emma P.", 24, o site surgiu depois que Emma assistiu um documentário em que um censor de filmes pornôs criticava mulheres que possuem lábios vaginais grandes, considerando-os indesejáveis pelos homens. Emma não teve dúvidas e encontrou uma maneira de protestar. Criou um blog e postou uma foto da própria vulva com riqueza e assim, convocou outras mulheres a fazerem o mesmo.

 

No blog é permitida a publicação de fotos íntimas, sem a exibição do rosto. O objetivo é reunir o maior número de fotos de vulvas com lábios grandes, além de permitir que as mulheres comentem, opinem e revelem seus sentimentos sobre a própria genitália, além do medo e a angústia sobre esta ditadura da estética.

 

Outro site que surgiu também com o propósito de protesto a esta imposição social da estética à vulva é o Pussy Pride Project (projeto orgulho vaginal). Criado pela britânica Molly Moore, fotógrafa e escritora, em 2011 lançou a campanha: “ame a sua vagina como ela é”.

 

De acordo com Molly o site é “uma tentativa de fazer as mulheres se aceitarem mais com relação a esta parte verdadeiramente única, ainda oculta no seu corpo”. O site foi inspirado na obra do artista Jamie McCartney, A grande muralha da vagina. São 400 moldes de genitálias femininas dispostas em dez painéis que totalizam nove metros de comprimento.

 

Para enaltecer a autonomia da vulva, Jessica Marie, dona da loja virtual Vulva Love Lovely, confecciona e vende produtos alusivos à vulva. A ideia é usar a loja para difundir a concepção da vulva como símbolo de singularidade feminina.

 

Tanto os sites como a obra de Jamie questionam os preconceitos e discriminações que permeiam a genitália feminina. Uma grande parcela de mulheres desconhece a própria região genital, resquícios da repressão à sexualidade feminina. Repressão, esta, um paradigma que aos poucos vem se dissolvendo na sociedade, mas ainda muito presente nas relações entre as pessoas e delas com o próprio corpo e sexualidade.

 

Pra se ter ideia, no inconsciente, a vagina era representada como maléfica, destrutiva e devoradora. Um canal com dentes cortantes em que o sangue menstrual era considerado assustador, doentio e trazia mau agouro. Em algumas sociedades primitivas, o contato com o sangue menstrual enfraquecia o homem.

 

Casos cada vez mais frequente de anorgasmia surge entre as mulheres, que é a falta ou inibição de orgasmo, tendo a vergonha da genitália como um dos principais fatores. A mulher esconde a vagina e não a explora, sentindo-se pouco a vontade com a relação sexual.

 

Nos blogs mencionados anteriormente é recorrente o depoimento de mulheres que expressam sentir-se constrangidas com a forma dos lábios genitais, em que, muitas delas demonstram interesse em se submeter a uma libioplastia, também conhecida como ninfoplastia, cirurgia que consiste na remoção de pele dos lábios vaginais.

 

Conforme a Sociedade Argentina de Cirurgia Plástica, a procura de mulheres, entre 20 à 60 anos, quadruplicaram à procura por estas intervenções cirúrgicas. Os médicos alertam para a banalização destas cirurgias sem uma finalidade real, e fazem ressalvas quando a motivação é apenas estética. A genitália feminina não é e não tem que ser igual em todas as mulheres.

 

É preciso acabar com o culto de um ou de outro genital, mas defender o culto à igualdade, em que o sexo, o prazer, o orgasmo e o corpo possam ser experimentados por mulheres e homens, sem restrições ou impedimentos.

 

Aqui os sites referidos:

 

Large Labia Project: http://largelabiaproject.org/

 

Pussy Pride Project: http://mollysdailykiss.com/

 

Vulva Love Lovely: http://www.vulvalovelovely.com/

 

* Breno Rosostolato é psicólogo, terapeuta sexual e professor universitário em São Paulo (SP). É colaborador do Portal Top Vitrine desde fevereiro de 2013.

O Portal Top Vitrine não se responsabiliza por artigos assinados ou de origem definida.

http://largelabiaproject.org/

Ilustração no site Projeto Lábios Grandes

SAB, 21.03.2015

Coluna LGBT & Outras Letras: Barebacking, vamos direto na pele

Minimizar os malefícios do HIV é alienar-se diante de uma dura realidade

LGBT & Outras Letras

Portal Top Vitrine

Por Breno Rosostolato

 

Pra começo de assunto, acho muito pertinente iniciar qualquer discursão sobre práticas sexuais, seja ela qual for, fetiches, parafilias, sexo grupal, kama sutra, swing, surubas apoteóticas ou um modesto e eficiente ‘papai e mamãe’, remetendo a um princípio que vale tanto para o sexo, quanto para a vida.

 

Sexo deve ser prazeroso, gostoso e o meu prazer não deve sucumbir, desqualificar, ameaçar, e ser impositivo ao outro. Nas entrelinhas, sexo não deve ser goela abaixo, a não ser que o parceiro queira engolir.

 

As quatro paredes estão aí. Mas não vale tudo, a não ser que o outro queira também. A concepção de que no sexo tudo é permitido funciona bem quando ‘eu’ me permito e não porque o outro me convence de tal.

 

Sexo livre deveria ser entendido como sexo permitido, possível e não permissivo. Se for imposto isso é violento. Se não é conssentido, é violento. Se for ameaçador, é violento. Até mesmo para um ‘escravo’, que diante de seu dominador, fica à revelia de seus desejos sádicos, as pessoas estão em um acordo. O sádico e o masoquista se autorizam àquele envolvimento erótico.

 

Deixando de lado as questões das parafilias e as implicações emocionais para cada um, o ato sexual, puro e simplesmente, na sua concepção mais natural, deve basear-se na entrega e recepção, no envolvimento e permissão, na maneira como nos autorizamos a vivenciá-lo.

 

O bareback é a prática em ter relações sexuais sem o uso de preservativo. Termo criado pelos cowboys dos Estados Unidos, e que significa "montar sem sela". Baseados nas competições de montaria, alguns montadores o fazem sem a cela, direto nos pêlos do animal. Daí a referência do ato sexual ‘direto na carne’, sem o uso de preservativos. Nos anos 80 a prática começa a ser difundida. É nos anos 90 que o barebaking se populariza e adeptos surgem também em outros países além dos Estados Unidos.

 

Festas são promovidas para encontros de praticantes do sexo sem proteção, as Barebacking Parties, em que já na porta existe a informação que o preservativo não é admitido. No Brasil, festas assim ainda são tímidas, mas já começam a atrair cada vez mais a atenção de quem gosta do sexo ‘na pele’.

 

A internet se encarrega de divulgar os eventos e blogs surgem incentivando a prática do barebaking. A web é o principal canal de divulgação dos eventos. Acontece que, independente dos motivos que levam as pessoas a não usar camisinha, da liberdade ao corpo ao fetiche, a discussão sobre a contaminação do HIV vem à tona.

 

Existe, em contrapartida, o clube do carimbo, pessoas que participam de blogs e se intitulam como carimbadores, ou seja, o propósito é a transmissão do vírus HIV. Nestes blogs explicam os procedimentos e incentivam os praticantes mais antigos a buscarem novos garotos para se unirem a eles.

 

São nas festas de conversão que ‘bug chasers’, pessoas que não possuem HIV e que se dispõem ao sexo sem camisinha e encontram com o ‘gift givers’, os soropositivos que se dispõem a contaminar o outro entregando ‘the gift’, o presente que seria o vírus. Festas de roleta-russa que misturam positivos e negativos e onde acontecem as ‘carimbadas’.

 

Qualquer reflexão sobre o assunto deve deixar de lado a hipocrisia e exige que nos afastemos de nossos próprios julgamentos, isso para não estagnar no imediatismo de demonizar ou glamourizar o barebaking.

 

Dois aspectos são pertinentes. Não existe um termo para heterossexuais que não usam camisinha, e, diga-se de passagem, o uso não é uma unanimidade. Parece que quando o resultado final é uma gravidez indesejada e não a contaminação pelo HIV, a falta do preservativo também é minimizada.

 

Fato é que a escolha de transar sem camisinha é individual e os barebakers relatam a sensação de liberdade plena, desde a intensidade do prazer até mesmo a autonomia de não sentir medo do HIV. Uma coisa deve ser esclarecida. Nem todo barebaker é carimbador.

 

Preferir se infectar a viver na expectativa ou na iminência de contrair a doença faz com que muitos abram mão dos cuidados e se permitam a flertar com a possibilidade. Se nada acontecer, o sentimento de triunfo. Um descompromisso resultado de uma equivocada concepção de minimizar os efeitos do vírus.

 

Viver livremente é maravilhoso. Mas será que para ser feliz devemos pagar qualquer preço? Felicidade a todo custo é sinônimo de desespero. O merecimento à felicidade e ao prazer deve acontecer quando não causamos sofrimento ao outro. Desfrutar do prazer sem impedimentos não nos autoriza a fazer deste um problema para o outro.

 

Minimizar os malefícios do HIV é alienar-se diante de uma dura realidade. Simplificar algo que merece atenção e conhecimento. Uma doença limitadora e que mesmo com os avanços de medicamentos e do tratamento, ainda não falamos em cura.

 

Os gays não querem ser modelo para nada. Nem execrados e nem enaltecidos. Não precisam ser exemplos de ninguém. Entre você conhecer e usar preservativo existe uma distância muito grande e muitos não se protegem e não se preocupam com consequências.

 

Casos como carimbadores ou a imagem destrutiva por trás das festas barebakers agravam e estigmatizam ainda mais os soropositivos, que já sofrem muito preconceito por sua sorologia.  A desinformação e a polêmica são ingredientes suficientes para a sociedade alimentar seus monstros.

 

Fato é que a autonomia deve ser respeitada já que as pessoas sabendo da proposta do barebacking se entregam à suas fantasias. O que está por trás disso? Provavelmente vai além do nosso julgamento e é muito difícil se abster dele, principalmente porque, naturalmente, é mais fácil atribuir ao outro o que não aceitamos em nós mesmos.

 

* Breno Rosostolato é psicólogo, terapeuta sexual e professor universitário em São Paulo (SP). É colaborador do Portal Top Vitrine desde fevereiro de 2013.

O Portal Top Vitrine não se responsabiliza por artigos assinados ou de origem definida.

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