Campo Grande-MS 20.08.2017

Filipe Rocha

Medicina Preventiva, Integrativa e Anti-aging

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Segunda-Feira, 11.01.2016 às 15:45

Vitamina D

A carência em vitamina D é quase uma regra por todo o mundo

Filipe Rocha

Para o Portal Top Vitrine

A polêmica vitamina D, que pode atacar os rins e o fígado! Será mesmo?! Será a vitamina D o tratamento para dezenas de doenças, mas que foi tornada a vilã pois não dá dinheiro à indústria farmacêutica… Câncer da mama, câncer da pele, doenças autoimunes (Esclerose Múltipla, Psoríase, etc). Com links para entidades acreditadas para que não hajam dúvidas! Desculpem-me o texto logo, mas se eu fosse explicar tudo, ainda maior seria!

 

A vitamina D é na realidade um hormônio que podemos obter através da exposição à luz solar direta, ou através da toma de ergocalciferol (vitamina D2 de origem vegetal) ou de colecalciferol (vitamina D3 de origem animal).

 

Hoje em dia a Dose Diária de Referência (DDR) varia entre as 100 UI (Unidades Internacionais) e as 400 UI, dependendo do país e dependendo da idade. Mas este valor é absurdo e está totalmente desfasado da realidade.

 

Um estudo estatístico do ano passado de Paul J. Veugelers e John Paul Ekwaru, da Escola Pública de Saúde da Universidade de Alberta, no Canadá (podem fazer o download em http://www.mdpi.com/2072-6643/6/10/4472/pdf), publicado pelo Multidisciplinary Digital Publishing Institute, uma instituição que publica artigos científicos acreditados pela comunidade científica com sede na Suíça, mostrou que a DDR de vitamina D foi mal calculada no estudo feio pelo Institute of Medicine (IOM), a pedido dos governos dos EUA e do Canadá.

 

O IOM calculou a DDR de vitamina D em 600 UI, mas o estudo estatístico do ano passado veio a confirmar o quão díspar é essa quantidade, pois na realidade para se manterem valores mínimos aceitáveis de vitamina D serão precisas 8895 UI, sim, são precisas quase 15 vezes mais unidades internacionais que o proposto! Atenção, não é invenção minha, nem dos meus colegas das terapias complementares!

 

Sem se saber, a carência em vitamina D é quase uma regra por todo o mundo, e na maior parte das pessoas sem que se apercebam.

 

A melhor forma de termos a vitamina D em quantidades ótimas é mesmo através de exposição solar, mas o estilo de vida que temos hoje em dia não nos permite receber a quantidade necessária, passamos dias inteiros fechados nos locais de trabalho, já não se fazem atividades lúdicas ao ar livre, quando vamos à praia utilizamos protetor solar em excesso… Sim, protetor solar em excesso (e agora pensam vocês, é desta que se passou da cabeça!).

 

A síntese de vitamina D pelo sol dá-se quando os raios UVB penetram a nossa pele, pelo que com um protetor solar de fator 8, já essa produção é reduzida em mais de 3/4.

 

Nos últimos anos as campanhas para utilização de protetor solar na Austrália têm sido enormes, o que não impediu que entre 1986 e 2006 os cânceres de pele duplicassem (http://www.melanoma.org.au/understanding-melanoma/melanoma-facts-and-statistics/).

 

Isto é explicado pelo efeito protetor da vitamina D no câncer da pele. O mesmo se verifica pelo resto do mundo em que o aumento da utilização dos protetores solares, trouxe consigo um aumento do número de cancros da pele! Será por alguns dos componentes dos protetores serem cancerígenos (dava mais uma história completa só com este tema…), ou pela falta da vitamina D que é produzida em pouca quantidade?!

 

Além do câncer da pele, a vitamina D tem demonstrado resultados muito favoráveis em outros tipos de câncer, nomeadamente no câncer da mama. Pacientes com valores mais altos de vitamina D têm um risco reduzido de vir a sofrer de câncer da mama, e quando este aparece, esta mesma vitamina ajuda na apoptose (morte das células do cancro) e no aumento da esperança de vida das doentes (http://www.breastcancer.org/risk/factors/low_vit_d e http://www.medicalnewstoday.com/articles/273728.php). Tem igualmente evidências em pelo menos mais 15 tipos de câncer, além dos já citados, no da próstata e no colorretal, a vitamina D também ajuda neles.

 

vitamin-D

 

Ao nível de sistema imunitário, pessoas com níveis ótimos de vitamina D têm menos propensão às infeções do tempo frio, como gripes e constipações (http://www.wsj.com/articles/SB10001424052748704156304576003531437073192), e até mesmo para acelerar o processo de cura nestas infeções tomando doses altas de vitamina D.

 

Ainda na parte imunológica, a vitamina D tem demonstrados efeitos excelentes nas doenças autoimunes. Um neurologista brasileiro, o Dr. Cícero Coimbra, já há mais de uma década que trata milhares de pacientes com Esclerose Múltipla com altas doses de vitamina D e outros suplementos, sem qualquer recurso a químicos. Eu já tenho vindo a implementar este tratamento (adaptado com mais alguma suplementação) em alguns pacientes. O Dr. Cícero também já testou este tratamento em outras autoimunes, como a Psoríase e a Artrite Reumatóide.

 

Em 1903, o Nobel da Medicina foi atribuído ao Dr. Niels Ryberg Finsen, pela descoberta das propriedades da luz, mais propiamente dos raios UV (Lembro que os UVB desencadeiam a produção da vitamina D), no tratamento de doenças da pele.

 

Voltando à produção da vitamina D pela exposição solar, e aqui posso aumentar a polêmica e revolta em algumas pessoas. A melhor hora para a produção de vitamina é quando os raios solares estão mais perpendiculares, ou seja, entre as 12h e as 15h, as horas “perigosas”. Mas não precisamos de estar 3 horas expostos ao sol!

 

Os estudos mostram que 10 a 15 minutos, com pernas e braços expostos, o organismo consegue produzir entre 15.000 UI e 20.000UI de vitamina D. Só por aí vemos o absurdo das DDR que atualmente são norma na maior parte dos países. Mas mesmo fora dessas horas, já há uma boa produção de vitamina D.

 

Por isso eu aconselho sempre os meus pacientes quando vão à praia, a primeira meia hora da manhã, a exposição ao sol deve ser feita sem qualquer tipo de proteção! Após esse período, a melhor proteção é vestir roupas claras e estar debaixo do guarda-sol. E quando vamos à praia, quantos jovens (e não só) vemos deitados nas toalhas horas esquecidas ao sol sem qualquer tipo de proteção?! E até agora ainda não ouvi falar de nenhuma morte por excesso de vitamina D por causa de exposição solar…

 

Os primeiros efeitos da vitamina D descobertos foram na absorção do cálcio. Mais uma evidência da carência desta vitamina, com o crescente número de pacientes com osteopénia e osteoporose, situações que são razoavelmente “fáceis” de reverter com a ingestão adequada de vitamina D e de Cálcio de Coral, nada de cálcio inorgânico “da farmácia” pois a percentagem da sua absorção e fixação é muito reduzida.

 

E as potencialidades da vitamina D alargam-se por muito mais patologias, desde o sistema cardíaco, na diabetes, em casos de autistas… São mais de 600 funções no nosso organismo em que a vitamina D entra.

 

A questão da principal problemática da vitamina D é que não é rentável financeiramente! A indústria farmacêutica não tem interesse nela pois não consegue ganhar dinheiro com ela. E o que não mexe dinheiro, não tem interesse! E claro que declara guerra à vitamina D pois ela é extremamente segura, pode ser tomada por qualquer pessoa, e com efeitos colaterais mínimos ou mesmo nulos. Basta eliminar o leite e os seus derivados, já discutido aqui, e beber muita água para manter os rins em bom funcionamento - mas isso é uma recomendação que todos devemos seguir.

 

Sejam saudáveis e realizados!

Divulgação/Autor

O sol é a melhor fonte de vitamina D

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Filipe Rocha

Filipe Rocha escreve de Beja, cidade que fica a duzentos quilômetros de Lisboa, em Portugal. Terapeuta português há mais de 10 anos, tem de formação base a Medicina Tradicional Chinesa e Naturopatia. Nos últimos anos vem pesquisando mais sobre alimentação e nutrição funcional para o tratamento de doenças crônicas e degenerativas. Conta com a experiência no atendimento de centenas de pacientes e desenvolve os seus tratamentos com base na alimentação e na prescrição de fitoterapia, vitaminas e minerais, em consultas de Medicina Preventiva, Integrativa e Anti-aging. É também o autor do blog www.filiperocha.net, onde escreve com regularidade sobre vários temas de saúde e terapias naturais. É colaborador do Portal Top Vitrine desde novembro de 2015.

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