Campo Grande-MS 23.04.2017

Biodiversidade

Sandra Sakamoto & Thiago Angeli

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Sabado, 23.04.2016 às 12:00

Tartarugas

Os quelônios são encontrados em todos os continentes e oceanos

Biodiversidade

Para o Portal Top Vitrine

Olá, leitor! Hoje, nós, do Projeto Herpetus, iremos falar de um grupo de animais bem legais e que serão tema de um curso inédito que ministraremos aqui em São Paulo no dia 21 de maio, aliás, desde já você está convidado.

 

Estamos nos referindo a uma ordem chamada Chelonia ou testudines que, assim denominados pelos termos científicos, parecem animais desconhecidos, mas, que estão presentes em muitos lares brasileiros, sobretudo ilegalmente.

 

Charles Darwin, o pai da Teoria da Evolução das Espécies, encontrou nas gigantescas tartarugas-de-Galápagos, fonte de inspiração para realizar seus estudos e complementar as suas pesquisas, além de analisar tentilhões. Acredita-se que ainda existam representantes remanescentes desse período: o notável naturalista aportou nas ilhas em 1835 em seu famoso navio Beagle.

 

Nessa grande família dos répteis agrupam-se espécies mais popularmente conhecidas como "tartarugas" e, no Brasil, os representantes terrestres, dulcícolas (de água doce) e marinhos são conhecidos respectivamente como: jabutis, cágados e tartarugas (HICKMAN et al., 2004). O quelônio mais antigo da qual se tem registro é o Odontochelys semitestacea, cujo registro fóssil data de 220 milhões de anos atrás.

 

São seres vertebrados únicos por possuírem a cintura escapular e pélvica dentro de uma estrutura formada por placas ósseas suturadas, cobertos por escudos córneos e de origem epidérmica. Essa estrutura resistente é dividida em: casco que é a parte superior e plastrão que é a porção ventral. O casco em si mudou muito nesses mais de duzentos milhões de anos de evolução, passou por diversas transformações e foi tomando diferentes formas, conforme o ambiente e as necessidades de sobrevivência das centenas de espécies existentes atualmente.

 

Prova disso é que, exceto na Antártida, os quelônios são encontrados em todos os continentes e oceanos. No Brasil, pode ser encontrada uma ampla fauna de testudines em regiões de norte a sul e há seres significativos e de beleza singular tanto de animais terrestres, semi-terrestres como de tartarugas aquáticas marinhas que realizam a migração para desovarem em nossas praias.

 

Já foram catalogadas mais de 300 espécies de tartarugas no mundo inteiro: há exemplares que podem medir de 30 cm até mais de dois metros de comprimento e são capazes de atingir dezenas e até centenas de anos de vida. Muitas pessoas pensam que esses animais são lentos e inofensivos, mas as mandíbulas da grande maioria das espécies é forte e, principalmente os cágados são ágeis e rápidos, tanto dentro como fora d'água.

 

Estes répteis encouraçados habitam regiões com forte presença de rios, lagos, mares e florestas tropicais. São animais ovíparos, isto é, que botam ovos e que não possuem dentes, mas sim bicos. Onívoros ou carnivoros, se alimentam de uma ampla variedade de itens como: algas, crustáceos, insetos, frutas, peixes, plantas...

 

Um grupo de quelônios bem conhecidos por nós são os jabutis e é muito comum encontrá-los em cativeiro e nos domicílios. No nosso país temos duas espécies: o jabuti piranga (Chelonoidis carbonaria) que é encontrado do Nordeste ao Sudeste do Brasil e o jabuti tinga (Chelonoidis denticulata) que é encontrado na Amazônia. Entretanto, alcançam grande diversidade ao sul do Saara, localizado na África.

 

Apesar de serem animais terrestres, os jabutis flutuam muito bem e, por este motivo, conseguem atravessar barreiras oceânicas e colonizar margens continentais de ilhas distantes e remotas.

 

Ovos e carnes desses curiosos animais são ricos em proteína, servindo de alimento para algumas tribos indígenas e populações ribeirinhas encontram na tartaruga-da-Amazônia (Podocnemys expansa), por exemplo,  um importante meio de sobrevivência e fonte de economia, mas a sua caça está bastante restrita devido ao risco de extinção.

 

Outras espécies também sofrem alto risco de extinção como o cágado (Mesoclemys hogei) que vive na bacia do rio Paraíba do Sul, tanto que a espécie ganhou recentemente uma reserva para sua conservação. Tartarugas-do-mar são vítimas da poluição dos mares e são encontradas mortas nas beiras das praias, por terem se afogado enroscadas nas redes de pescadores, por terem engolido lixo (sacos plásticos, latas, anzois...) e têm nadadeiras decepadas por causa das pás motrizes de naus.

 

Além da predação humana e da devastação ambiental, que diminuiu consideravelmente os habitats e alimentos dos testudines, o tráfico de animais ainda é uma das principais causas da extinção de várias espécies, junto com a caça ilegal devido à alta procura gastronômica. É importante lembrar que das centenas de ovos que as espécies de tartarugas-do-mar ovipõem, somente uns cinco indivíduos chegarão à fase de reprodução.

 

Existem criadores que vendem jabutis legalizados, mas lembre-se que é um animal que pode passar para outra geração pelo seu longo tempo de vida. Procure informar-se sobre sua correta alimentação: é muito comum as pessoas alimentarem jabutis somente com alface o que pode causar uma diarreia descontrolada e causar descalcificação grave em seu casco.

 

Nossa dica sempre: pesquise sobre o animal que você quer como seu bicho de estimação. Cuide dele como gostaria de ser cuidado! E caso queira participar do nosso curso

 

Serviço

 

proj.herpetus@gmail.com

Divulgação

Curso inédito do Projeto Herpetus

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Sandra Sakamoto é publicitária de formação pela FIAM/FMU, redatora por vocação e bióloga de coração, profissão na qual se dedica atualmente. Autodidata, estagiou no Museu de Zoologia da USP no setor de Entomologia e frequentou cursos de extensão universitária nesta mesma Instituição no segmento de invertebrados. Participa periodicamente de cursos e palestras em Biológicas, Saúde e Educação para upgrade curricular. É coordenadora do Projeto Herpetus junto com o biólogo Thiago Angeli, sendo responsável pela parte de comunicação, divulgação e conteúdo deste trabalho. Tem escrito e revisado uma série de textos destinados ao setor de Zoo, Eco e Biodiversidade, além de ministrar aulas para um público amplo e diversificado.

Thiago Angeli é biólogo graduado pela UNIESP. Autodidata, possui know-how no manejo e na recuperação de diversas espécies de animais silvestres cativos. Estagiou e fez curso de extensão universitária em Biodiversidade pelo Instituto Butantan (SP), além de ter trabalhado em Mantenedouros de Fauna; no Projeto Macuco do Parque Estância Alto da Serra; em lojas especializadas em animais exóticos. Desenvolveu um trabalho de pesquisa sobre a anurofauna do Parque Estância Santa Luzia, localizada em Mauá (SP). Atualmente é coordenador do Projeto Herpetus junto com Sandra Sakamoto e ministra diversos cursos e palestras sobre biodiversidade da fauna. Participa de eventos e exposições do segmento para upgrade curricular. Dedica-se a registrar as espécies de aves urbanas em São Paulo. Desenvolve ainda trabalhos de paleoarte, taxidermia científica e artística, além de já ter escrito diversas apostilas e banneres sobre o segmento de Zoologia. Sandra e Thiago assinam a Coluna Biodiversidade no Portal Top Vitrine desde janeiro de 2016

proj.herpetus@gmail.com

projetoherpetus.wordpress.com

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