Campo Grande-MS 26.04.2017

Política em pauta

Leandro Grôppo

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Quarta-Feira, 20.01.2016 às 13:00

Quando a falta de estratégia vira crise

Faltou planejamento e comunicação por parte do Governo de São Paulo

Política em pauta

Para o Portal Top Vitrine

O governo de São Paulo anunciou em setembro um plano de reforma no ensino estadual para criar escolas com apenas um ciclo de aprendizagem (1° ao 5° ano, 6° ao 9° ano ou ensino médio). A justificativa é a quantidade de vagas ociosas, uma vez que a rede pública paulista perdeu dois milhões de alunos em 15 anos em razão da diminuição da taxa de natalidade, da municipalização do 1º ao 5º ano e da migração de alunos para a rede privada. Nos casos extremos, há escolas com apenas 30% da ocupação.

 

Manter classes vazias é desperdiçar recursos que poderiam ser mais bem empregados, na própria educação inclusive. Admitia-se a possibilidade de fechamento de unidades, que continuariam a serem usadas como creches, centros de ensino técnico e de formação de professores. E apesar dos estudos técnicos que indicavam melhor aproveitamento das escolas de ciclo único, o Governo não planejou estrategicamente a reforma e acabou por transformá-la em um enorme problema.

 

O anúncio ocorreu sem grandes esclarecimentos e com a intenção de implantar já em 2016. A falta de transparência sobre o destino dos prédios desocupados e dos recursos economizados gerou insegurança em pais e alunos criaram dúvidas na opinião pública e deram margem para a instrumentalização política do debate, operacionalizada por sindicatos e movimentos sociais ligados a partidos políticos que trabalharam para inflar os protestos. A tensão explodiu quando a polícia foi acionada, culminando em cenas de repressão que jogaram ainda mais gasolina em uma situação já inflamada, resultando no descrédito do projeto e na confusão que ultrapassou a comunidade escolar paulista.

 

Mexer em direitos básicos tem grande peso num país que cobra pela melhoria da qualidade dos serviços públicos. Para a sociedade brasileira a educação é valor fundamental, portanto, é inaceitável o fechamento de escolas. Assim, uma decisão como essa não poderia ser tomada sem estratégia e a participação dos principais interessados.

 

Segundo o governo paulista, o aluno que fosse transferido iria para um colégio até 1,5 km da escola anterior, e a transferência ocorreria por processo de preferência em que os pais indicariam a opção mais conveniente na próxima matrícula. O problema é que esta informação somente surgiu quando o tumulto já estava feito. A avaliação da conjuntura também foi equivocada. A medida foi anunciada após uma das maiores greves de professores do Estado, que reivindicava melhorias salariais que não foram atendidas. Não sendo, dessa forma, o melhor momento para a introdução da proposta.

 

A história mostra um erro recorrente na gestão pública, mesmo no Estado mais rico do país. Faltou planejamento e comunicação por parte do Governo. Questões de grande importância e conseqüente repercussão só se efetivam se houver apoio dos grupos de interesse envolvidos. A mudança precisa ser preparada para obter consensos mínimos. Devidamente apresentadas, antes de sua implementação, neutralizaria a possível rejeição.

 

O fato de uma questão de cunho educacional ter se tornado caso de polícia levou à queda do Secretário de Educação e fez a popularidade do governador Geraldo Alckmin atingir sua pior marca, segundo pesquisa divulgada no início de dezembro, no mesmo dia que o governo anunciou a suspensão da reforma.

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Leandro Grôppo estreia como articulista no Top Vitrine

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Especialista em Comunicação e Marketing Político-Eleitoral, com aperfeiçoamento em Estratégia Política pela The Graduate School of Political Management da George Washington University, pós-graduado em Gestão Pública pela Escola Nacional de Administração Pública, mestrado pela UnB e em comunicação pela UFU. Foi assessor na Presidência da República, com passagem, ainda, por Ministérios do Governo Federal. Membro da Sociedade Brasileira dos Profissionais e Pesquisadores em Comunicação e Marketing Político (Politicom) e da Asociación Latinoamericana de Consultores Políticos (ALACOP), participou nos níveis estratégicos de diversas campanhas eleitorais e planejamento de mandatos. É sócio-diretor da Strattegy Comunicação & Marketing, colunista de política e economia, e professor-tutor do curso de especialização em Gestão Pública Municipal da UFU e UAB. Leandro é articulista do Portal Top Vitrine desde janeiro de 2016.

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