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LGBT & Outras Letras

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Sabado, 24.10.2015 às 14:00

Pansexualidade e bissexualidade

É importante salientar que pansexualidade não é condição sexual

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Por Breno Rosostolato*

 

Desde que Alfred Kinsey fundou o Instituto de Pesquisa sobre Sexo, seus estudos influenciaram os valores sociais, morais e culturais dos Estados Unidos na década de 60, no que diz respeito à sexualidade. Seus trabalhos foram concomitante ao início da chamada Revolução Sexual e até hoje os conceitos abordados são fundamentais para a compreensão da diversidade.

 

A Escala de Kinsey tentava abarcar as inúmeras orientações sexuais, que vai desde heterossexualidade exclusiva, passa pela bissexualidade, bem no meio da escala, a homossexualidade exclusiva e termina com a assexualidade.

 

A bissexualidade, especificamente, elege como objeto de desejo homens e mulheres, sem distinção. Não precisa escolher porque não há distinções e a libido direciona-se igualmente para ambos os gêneros.

 

A androginia, por exemplo, recusa as imposições sociais, pois não existe um ideal masculino e feminino para se corresponder. Não precisa renegar em si as características do outro gênero. Defende-se a ideia que ninguém deve ser fragmentado quanto à sua identidade sexual. A coesão e harmonia entre os gêneros são totalmente plausíveis. Sustentam-se os interesses afetivos, sexuais e posicionamentos sociais.

 

O bissexual apropria-se da mentalidade androgênica e transfere ao campo dos prazeres a possibilidade de se envolver sexualmente com homens e mulheres, sem cogitar nenhum tipo de indecisão pessoal. Tampouco é medo de assumir uma ou outra orientação sexual, ideia muito difundida na sociedade e que não condiz com a realidade bissexual, que, de fato, posiciona-se de maneira dualista.

 

É diante deste cenário que surge o pansexualismo. O prefixo ‘pan’ significa tudo ou todos e, conceitualmente, uma orientação sexual muito mais ampla do que a bissexualidade.

 

O pansexual não se limita ao sistema binário, masculino ou feminino, mas a uma pluralidade, rompendo com o binarismo de gêneros e contemplando a concepção que não existe apenas dois gêneros. O objeto de prazer abrange homens, mulheres, transexuais, assexuados, drag queens, drag kings, não-binários ou intersexo.

 

Os omni-sexuais ou oni-sexuais, termos usados também para designar o pansexual, afastam-se do exclusivismo de gêneros ou do essencialismo do bissexual. As relações estabelecidas acontecem mediante ao prazer vivenciado. O vínculo sexual e amoroso acontece conforme características de personalidade, ou seja, o pansexual se relaciona de acordo com as necessidades e reciprocidades. Rompe as fronteiras dos gêneros e abre um precedente, qualquer um é alvo de seu investimento libidinal.

 

Os pangêneros, por sua vez, convivem bem com o sexo anatômico, muito embora, por uma convenção social implícita, moldam-se e representam papéis sociais de acordo com o gênero do seu sexo oposto, através de roupas, comportamento típico, maneirismo e estereótipos, mas sem se enquadrar a nenhum gênero binário.

 

É importante salientar que pansexualidade não é condição sexual. Condição sexual está ligada a um aspecto natural como na intersexualidade associada ao hermafroditismo; ou é uma identidade sexual como no caso da homossexualidade.

 

A pansexualidade é uma expressão da atração sexual. Implica desejo, cuja fluência do prazer vai calcar a busca do objeto de amor, cuja, a busca sexual baseia-se nas próprias preferências. Os pangêneros se identificam com os padrões de gêneros e consideram todas as orientações, condições e identidades potencialmente aptas a satisfazer seu desejo.

 

Estas ramificações sexuais nos conduzem a possibilidades de desejos antes desconhecidos, nas quais nossas identidades de gêneros, moldadas pela sociedade, pela cultura e pela história, não nos permitem vislumbrar a grandiosidade da sexualidade humana.

 

Fato é que a pansexualidade não é a atração por objetos ou árvores. Esta confusão atribui-se ao músico Sergei, que em uma entrevista no Programa do Jô declarou ser pansexual e que transava com árvores. História que o próprio Sergei, tempos depois, desmentiu. Pansexualidade não tem nada a ver com parafilias.

 

Nomenclaturas são pessoais e cada um usa a denominação que se sentir melhor representada. A questão é que entre mulheres e homens existem muitos espectros de identidades e gêneros. Bem vindo ao universo da pluralidade.

 

* Breno Rosostolato é psicólogo, terapeuta sexual e professor universitário em São Paulo (SP). É colaborador do Portal Top Vitrine desde fevereiro de 2013.

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