Campo Grande-MS 26.04.2017

Pedro Marcos Roma de Castro

Comportamento & Diversidade Sexual

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Sabado, 05.03.2016 às 08:00

O poliamor e o trisal

O trisal vive uma relação a três com mais um homem

Pedro Marcos Roma de Castro

Para o Portal Top Vitrine

Chegou à mídia uma nova onda, o relacionamento denominado trisal. E não estamos falando apenas da mídia paralela, essa que faz explodir vez ou outra, algum tema na internet e redes sociais, o tema trisal recentemente atingiu também a mídia clássica e foi até alvo de um programa de TV aberta.

 

Esta propulsão recente do tema se deve em muito a uma banda de rock que estimula e espalha a sua forma de ver a vida, especialmente no que diz respeito a sua maneira mais aberta de relacionamento amoroso em que os três vivem.

 

Antes de tratar em um outro momento no tema do poliamor – que existe de fato; mas como tudo na vida possui limites, pois quem acha que tem a todos, pode no fundo é não ter nenhum... Vale esclarecer que, não abordaremos o poliamor (pelo menos não nesse momento), mas vou tentar aqui desmitificar especificamente esse “casal” bardoefada, que está sendo referenciado como um casal “revolucionário do conceito de família”.

 

Então, vamos começar pelos limites e geometria – os relacionamentos poliamorosos, pelo menos aqueles que não “estejam no estilo suruba”, seguem a padrões de estilos; estilos estes com geometrias e desenhos delimitados conforme a ilustração abaixo. Há relacionamentos em V, em ∆, em Z, em ampulheta e em quadrado; não me perguntem o porque, mas o poliamor livre e em rede ou em teia, por enquanto não é considerado um desenho entre os poliamoristas.

 

O casal bardo & fada defende que não é um casal, é um trisal, pois vive um relacionamento de poliamor em V – o nível mais simples da relação poliamorosa.

 

Vamos aos argumentos que o trisal apresenta:

 

(1) Os dois homens não são homossexuais, por isso eles não se relacionam entre si;

 

(2) As filhas do casal possuem apenas um pai biológico, mas possuem dois pais sociais;

 

(3) A mulher do trisal é bissexual e já possuiu um outro relacionamento em ∆ anterior, onde o marido se relacionava com duas mulheres  e elas entre si.

 

Mas será mesmo que isso é um poliamor?

 

Primeiro: Juro que não me convenceram quando os assisti na TV no programa da Luciana Gimenez, programa o qual também tive a honra de participar em julho do ano passado, para defender o tema g0y (g-zero-y); durante o programa, ao vivo, os três defenderam o tempo inteiro o argumento nº 1, ou seja, nada dos homens se aproximarem um do outro.

 

Existiria um acordo e haveria um rodízio da mulher, dia sim, dia não, com cada um deles... Entretanto, depois de mais de 40 minutos de programa, “sem querer” eles soltaram que... Às vezes os três ficam juntos na mesma cama.

 

Se for isso, eles não seriam homossexuais, ou seja, não seriam gays, mas estariam na condição sexual de heterogoys, provavelmente.

 

Segundo: Não seria um poliamor em V. Ficou muito claro que não é uma relação ou um casamento a três. Existe sim um casamento a dois e nada diferente do que diversos outros casais já experienciam dentro do universo swingers, onde o ménage feminino e masculino torna-se cada vez mais comum.

 

O dito trisal nesse caso não se configuraria em nada mais que um novo nome para ménage, só que com um parceiro um pouco mais fixo. Não é um novo conceito e na verdade não é um "poliamor",  nada mais é que um casal swinger que busca parceiros fixos ou mais duradouros, para “apimentar” a relação.

 

Claramente, existe um casal fixo - o rockeiro cabeludo e a esposa gata. O casal no passado entrou em crise e quase se separou, e assim para fugir do divórcio, no meio da crise conjugal, tiveram uma ideia e testaram o conceito mais machista e mais óbvio do mundo, vamos ficar com mais uma mulher - deu certo por um tempo, pois a esposa bissexual sentiu-se muito confortável e à vontade em uma relação em delta ou triangular.

 

Como dito a relação em ∆, não era poliamorosa, era simplesmente um ménage um pouco mais perdurável. Com o tempo, o terceiro elemento, no caso uma terceira, saiu dessa relação em delta e foi viver a sua vida. Depois, o que aconteceu?

 

Talvez vocês nem conheçam o caso Bardoefada e estejam sendo apresentados a ele agora, mas por simples dedução lógica, acho que já dá para o leitor imaginar o que possa ter acontecido. Na primeira relação em que se enxerga claramente uma vantagem subjetiva para o macho – afinal ele estava com duas meninas, lindas por sinal; com fim da relação a três e o retorno da relação a dois, a esposa titular cobrou a sua parte.

 

Você não viveu com duas mulheres... Então, dessa vez eu quero viver uma relação com dois homens.

 

Hoje, o já famoso trisal, vive uma relação a três com mais um homem. Só que no estilo ménage MFM (masculino, feminino, masculino), a sigla MMF (masculino, masculino, feminino) é mais popular e aplica-se à mesma situação, quando há proximidade entre os machos e contatos íntimos. Se realmente é isso, por mais que doa. Logo o casal, vai inventar uma nova "aventura" e esse terceiro elemento será descartado.

 

Isso é poliamor? Ou uma relação tradicional do swing que se abre a um terceiro temporariamente (mesmo que esse temporariamente, nesse caso seja por um tempo maior e um pouco mais duradouro...), em princípio, não parece ser uma relação clássica de poliamor, isto é, um casamento a três... Sequer o nome do casal foi atualizado para Bardo&fada&leo.

 

Parece ser apenas relação afetiva e aberta ao polisexo (um casal de 2 + 1), conceito que ainda soa estranho para muitos, mas não é novo e nem revolucionário; já era visto desde os anos 80, em que um casal, geralmente depois de muitos anos de relacionamento, tentando coisas novas, abre a relação para o sexo mais “dinâmico” e com o objetivo que não venha cair na rotina.

 

No trisal Bardoefada essa entrada do terceiro elemento masculino, por mais afeto que envolva, observa-se que a sua incorporação é muito recente (possui poucos meses no relacionamento), por isso ainda está em uma região de dúvida. Só o futuro confirmará se ele de fato será um terceiro cônjuge ou não.

 

Qualquer pessoa que se aventure pelo terreno do poliamor, o primeiro conceito ao qual tem que se deparar é a diferença que há entre a relação poliamorosa e o relacionamento aberto; relacionamento aberto não caracteriza uma relação poliamorosa.

 

Exemplo, um homem com sua amante – mesmo que aceita por sua esposa; pode muito bem desenhar uma relação em Z – se for uma mulher casada, ou em V – se for com uma amante solteira, mas isso não é uma relação poliamorosa. A diferença central é que na relação poliamorosa, não existiria amantes; pois a visão é a da incorporação na relação oficial.

 

A situação de poliparceiros(as) ocorre muito em situações de solteirisse, em situações de casamento ou de relações duradouras, tende a triplicar, quadruplicar e exponenciar os conflitos. Gosta de muitas DRs (Discussões da Relação), aventuras e adrenalina? Pode ser uma opção.

Reprodução

Isso é poliamor ou uma relação tradicional do swing?

comentários (2)

Yo soy heterosexual y no tengo duda, soy conservador, pero de mente abierta con respeto; y cadaquien es libre de sus actos.

Pablo 27.03.2016 - 08:44

Eu vi na mídia a história embolada desse casal - desculpa trisal Bardo e Fada. Na nossa opinião, concordamos o nome denuncia tudo, é só um casal + um terceiro. O poliamor é mais profundo, já tentamos não deu certo, era muita DR, era prazeroso, só que demais cansativo. Só existe poliamor em triangulo se as mulheres forem bi, senão será briga e ciume o TEMPO TODO!! Da mesma forma o homem só topa isso se gostar da coisa e não dá pra dividir mulher com um concorrente, tem que ser parceiro, tem que ser como meu marido fala, tem que ser brother.

CasalMenageSorocaba 05.03.2016 - 13:09
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Pedro Marcos Roma de Castro

É psicólogo pela Universidade de Brasília (UnB), Doutor em Ciências Sociais Aplicadas - com ênfase em Administração, pela Universidade de São Paulo (USP) e Analista em Ciência e Tecnologia Sênior da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). É colaborador do Portal Top Vitrine desde fevereiro de 2015.

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