Campo Grande-MS 27.05.2017

Priscila Dourado

Arquiteta e escritora

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Quinta-Feira, 05.11.2015 às 09:53

Minhas marcas

Existem as marcas boas e as ruins

Priscila Dourado

Para o Portal Top Vitrine

Estou toda tranquila quando uma amiga me vira e pergunta: Que marca é essa nas suas coxas?

 

Ao que respondo muito contente: Ah, é da bermuda de ciclismo! Estou conseguindo pedalar todos os dias!

 

E ela retruca. Está feio, passe um protetor solar.

 

E aquilo ficou me reverberando por dias.

 

Não que tenha me feito parar, ou mesmo que tenha me feito passar o filtro solar.

 

Foi então que percebi que tinha marcas nos braços também. Mas a felicidade de se fazer algo que se gosta muito é tão grande que nem nos atemos aos detalhes.

 

E comecei a perceber o quanto a vida nos marca. Sejam por sol ou marcas invisíveis ao olho, mas sempre carregamos conosco marcas.

 

Marcas que são só nossas e que nos balizam e que cada uma tem sua própria característica e acaba por nos definir.

 

E assim como as marcas que nos fazemos, podemos assumir que inevitavelmente deixamos marcas nos outros.

 

Quem pode afirmar que ouve uma música e não se lembra de uma pessoa ou de um lugar? Ou que vê um gesto, um comportamento e não se lembra de outra?

 

E existem as marcas boas e as ruins. E se a primeira impressão é a que fica, devemos estar sempre atentos para não deixarmos marcas ruins.

 

E olha quem está falando em atenção? A pessoa mais distraída do mundo.

 

Mas uma coisa é esquecer uma data de pagamento e pagar com juros e outra é esquecer algo que apesar de ser muito bom, o que em alguns casos é melhor esquecer-se, do que sofrer a ausência. Não dá para pagar juros com pessoas.

 

Quando falamos de números, correções monetárias, mora e comparamos com relações humanas, chego à conclusão de que as relações financeiras são de longe mais simples.

 

Suas equações são mais pragmáticas e mesmo quando temos que colocar o tempo, salvo algum erro matemático, dá certo.

 

E quando indexamos o tempo nas relações humanas, o mais curioso é que em alguns casos raríssimos o tempo é um protetor solar que não funciona, pois ele passa, mas as marcas não.

 

Não há pragmatismo nas relações humanas, as variáveis são em números impossíveis de se contar porque muito além do tempo, há o momento.

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