Campo Grande-MS 28.06.2017

Mercado Financeiro

Olivia Bulla

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Segunda-Feira, 14.03.2016 às 08:00

Mercado ouve a voz das ruas

Público foi maior que o das Diretas Já

Mercado Financeiro

Para o Portal Top Vitrine

O número de participantes nos protestos de ontem em mais de 120 cidades brasileiras contra o governo Dilma superou o das manifestações de um ano antes, em 15 de março, quando 2 milhões de pessoas saíram às ruas, sendo que em São Paulo o público também foi maior que o das Diretas Já. Contudo, o perfil elitizado dos manifestantes na capital paulista se manteve, com a maioria tendo renda e escolaridade bem acima da média da população.

 

Além disso, em alguns lugares, houve atos de apoio ao PT e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi bem recebido em frente ao seu prédio. Já o senador Aécio Neves e o governador do Estado, Geraldo Alckmin, foram hostilizados na Avenida Paulista e ficaram pouco tempo na região, cancelando um discurso que pretendiam fazer. O mesmo aconteceu com a senadora Marta Suplicy, que foi vaiada.

 

De qualquer forma, essas vozes do povo brasileiro devem ser ouvidas nos mercados domésticos hoje, com os investidores vendo na força das manifestações chances cada vez maiores de saída da presidente Dilma Rousseff. O apetite por risco que prevalece no exterior tende a potencializar o movimento. Mas neste dia seguinte aos atos, ainda não se sabe como irá terminar a crise política no Brasil.

 

No sábado, o vice-presidente Michel Temer procurou posicionar o PMDB na via contrária à radicalização e afirmou que não é hora de dividir o país nem acirrar os ânimos. O partido deu-se um prazo de 30 dias para definir sobre o rompimento (ou não) com Dilma, desfazendo, assim, a aliança com o PT e entregando, pelo menos, sete ministérios e outros cargos de segundo escalão.

 

Agora, a decisão sairá em meio à análise do impeachment na Câmara. O processo contra Dilma deve ter início após o julgamento dos embargos sobre o rito do processo pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na quarta-feira.

 

É a tensão que deve prevalecer nos mercados domésticos, em meio a esse cabo de guerra na política - sem ainda saber para qual lado irá romper. Com isso, a agenda econômica, já esvaziada no Brasil, perde ainda mais relevância. Ainda assim, merece atenção o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) que o Banco Central anuncia hoje, às 8h30.

 

Tido como uma “proxy” do Produto Interno Bruto (PIB), o indicador deve interromper dois meses seguidos de queda e registrar leve alta de 0,1% em janeiro. Na comparação com um ano antes, contudo, deve haver um recuo de 7,10%. No mesmo horário, sai a Pesquisa Focus.

 

Amanhã, destaque ainda para a PNAD Contínua, que substituirá de vez, neste mês, os dados sobre o mercado de trabalho no país. Ao longo da semana, são esperados os dados de fevereiro sobre o emprego formal (Caged) e a arrecadação federal.

 

Agenda. No exterior, o destaque do calendário econômico é a decisão de política monetária do Federal Reserve, na quarta-feira. Não é esperada nenhuma decisão inusitada, mas o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) pode dar pistas sobre os próximos passos na condução da taxa dos Fed Funds, após encerrar a era de juro zero nos Estados Unidos em dezembro.

 

Além do comunicado que acompanhará o anúncio, os investidores também estarão atentos às projeções para as principais variáveis econômicas do país que serão divulgadas logo após o encontro bem como a coletiva de imprensa que será concedida pela presidente do Fed, Janet Yellen.

 

Um dia antes, na terça-feira, é a vez das vendas no varejo norte-americano no mês passado, juntamente com os preços ao produtor (PPI) no mesmo período. No dia seguinte, antes do Fed, saem a inflação ao consumidor (CPI), a produção industrial e dados sobre o setor imobiliário no país – todos referentes a fevereiro. Na sexta-feira, será conhecido o sentimento do consumidor em março.

 

É válido lembrar que os EUA entraram em horário de verão ontem, com a Costa Leste norte-americana ficando uma hora mais próxima do horário de Brasília. Com isso, o pregão em Wall Street passa a funcionar das 10h30 às 17h (hora no Brasil), sendo que também houve alteração nos horários relativos de divulgação dos indicadores. O pregão na Bovespa também volta a fechar às 17 horas a partir de hoje.

 

Na Europa, saem indicadores de primeira grandeza da zona do euro, como a taxa de desemprego, preços ao consumidor e balança comercial. Fora da região da moeda única, o foco está na decisão do Banco Central inglês (BoE), na quinta-feira, quando deve manter o juro básico onde está.

 

Na Ásia, o BC do Japão (BoJ) anuncia, amanhã, a decisão de política monetária. Em janeiro, o BoJ adotou juros negativos, pela primeira vez na história do país, e ampliou o programa de compra de ativos. Já o calendário econômico está esvaziado e traz apenas os preços de imóveis na China em fevereiro, na quinta-feira.

 

No fim de semana, o gigante emergente informou que a produção industrial cresceu 5,4% nos meses de janeiro e fevereiro, em relação a um ano antes, ante previsão de alta de 5,6%. Trata-se do início de ano mais fraco da atividade desde 2009. Por sua vez, as vendas no varejo continuaram crescendo acima de dois dígito, em +10,2%, mas abaixo da estimativa de +11%, enquanto os investimentos em ativos fixos superaram o esperado e também avançaram 10,2%.

 

Os números mostram que tanto a atividade na indústria quanto no varejo perderam tração no início deste ano, elevando a pressão sobre Pequim para alcançar o alvo de crescimento deste ano, entre 6,5% e 7%. Porém, durante conferência anual concedida pelo Banco Central chinês (PBoC), o presidente da instituição, Zhou Xiaochuan, afirmou que grandes estímulos no país não são necessários.

 

Para ele, o governo irá cumprir a meta de crescer pelo menos 6,5% ao longo dos próximos cincos anos e "estímulos monetários excessivos" não são necessários para alcançar esse objetivo. Desse modo, é preciso lembrar que os dados recentes sobre a economia chinesa foram distorcidos pelas festividades do Ano Novo Lunar, além da fraca demanda global.

 

A Bolsa de Xangai registrou hoje a maior alta em uma semana, de 1,75%, após o novo chefe do órgão regulador de valores mobiliários, Liu Shiyu, sinalizar que vai continuar sustentando o mercado de capitais, ao mesmo tempo que as operações de aquisições foram retomadas. Já o novo sistema para o registro de ofertas iniciais de ações (IPO) ainda deve levar algum tempo.

 

Nos demais mercados asiáticos, Tóquio subiu 0,70%, embalado pelo salto nas encomendas à indústria, ao passo que Hong Kong ganhou 1,17%. No Ocidente, os índices futuros das bolsas de Nova York avançam, animando a abertura do pregão na Europa, com os investidores tomando risco antes das reuniões do Fed e do BoJ nesta semana, que podem seguir o viés suave (dovish) de política monetária do Banco Central Europeu (BCE).

 

Entre os ativos emergentes, a lira turca e o rand sul-africano se enfraquecem, em meio a um ataque de bomba e a investigações no governo, respectivamente. Nas commodities, o cobre testa a marca de US$ 5 mil por tonelada métrica pela primeira vez em uma semana, ao passo que o petróleo sai da máxima em três meses na esteira da decisão do Irã de elevar a produção.

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Olivia Bulla é mestre em Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP). Possui especialização em Jornalismo Econômico pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2006) e graduação em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (2004). Tem experiência profissional na cobertura de notícias, em tempo real, sobre macroeconomia e mercado financeiro nacional e internacional. É fluente em inglês e em espanhol (certificados Cambridge e DELE) e possui conhecimento avançado em mandarim (chinês simplificado - certificados HSK e HSKK). Ela assina o blog www.oliviabulla.com.br

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