Campo Grande-MS 28.06.2017

Reinaldo Dias

Meio Ambiente

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Sexta-Feira, 06.11.2015 às 09:36

Instabilidade climática e arborização

Com a cobertura vegetal, a água não evaporará com facilidade

Reinaldo Dias

Para o Portal Top Vitrine

As mudanças climáticas estão se manifestando de forma drástica, como o demonstram as ondas de calor com temperaturas acima da média e chuvas, que quando ocorrem, se manifestam com muita violência, causando inundações e destruição. Estas manifestações extremas do clima são causadas pelo desequilíbrio ambiental no ecossistema terrestre.

 

A previsão dos climatologistas é que esta situação deverá piorar nos próximos anos, com eventos climáticos extremos, que deverão se acentuar devido ao fenômeno El Niño (elevação da temperatura da água do mar no oceano pacífico equatorial) que está se manifestando com mais instabilidade e mais frequência.

 

Em estudo publicado na revista Nature em outubro de 2013, os autores faziam uma projeção de como dois fenômenos – aquecimento global e El Niño – se relacionam e concluíram que as mudanças climáticas intensificam os efeitos do El Niño.

 

O principal autor do estudo, o pesquisador Scott Power, do Australian Bureau de Metereology, afirmou então, que o aquecimento global interfere na forma como o El Niño afeta as chuvas no mundo.

 

O El Niño tem surgido a intervalos cada vez menores, e apresenta-se com duração maior. O deste ano deverá ser um dos mais intensos dos últimos 20 anos e deverá durar até junho de 2016, o que implica temperaturas elevadas, e tempestades na região sul do país. Associado à intensificação do aquecimento global, a expectativa é que as temperaturas do verão deverão quebrar todos os recordes anteriores.

 

Os efeitos das mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global eram previsíveis já há alguns anos. No entanto, o fenômeno El Niño tende a agravar seus efeitos, afetando o clima global e provocando efeitos mais extremos em alguns países como o Brasil.

 

O aceleramento das mudanças climáticas, neste século, devido a não diminuição significativa das emissões de gases efeitos estufa, provocará o aumento das temperaturas marítimas acima dos 2 graus centígrados, o que provocará um aumento do nível do mar até 50 centímetros causando o desaparecimento de ilhas e de muitas áreas de praia ao redor do mundo.

 

O cenário, embora global, apresenta particularidades locais e que possibilitam uma ação mais incisiva por parte das cidades e dos cidadãos. É aqui que as pequenas ações multiplicadas poderão fazer diferença.

 

A principal ferramenta de redução do CO2 atmosférico ainda são as árvores. Ocorre que levam algum tempo para o seu crescimento.

 

Logo, quanto mais cedo se realizar plantio, recuperando áreas degradadas, e reflorestando as áreas urbanas, haverá maior possibilidade de sucesso, na contenção dos efeitos extremos do clima.

 

O reflorestamento deve ocorrer, prioritariamente, nas cabeceiras das bacias hidrográficas, pois é nessa área que a água excedente da chuva se armazena no lençol freático para abastecer gradualmente os rios. A constituição de florestas urbanas complementares ao ambiente natural do entorno da cidade deverá se tornar uma medida essencial para amenizar os efeitos do clima.

 

A água subterrânea, com a cobertura vegetal, não evaporará com facilidade o que garantirá uma reserva para o futuro. Cálculos preliminares indicam que normalmente nas nascentes hidrográficas se armazena 10% da água subterrânea que deverá abastecer os rios, com a arborização seria possível se armazenar até 40%.

 

As mudanças climáticas, devido a afetarem principalmente aos mais pobres, deixou de ser uma questão exclusivamente ambiental para converter-se em um problema político, econômico e social que deve ser enfrentado considerando essas diversas dimensões. Abordar o fenômeno, exclusivamente, no âmbito ambiental é escamotear a real dimensão do fenômeno.

FAO/L. Dematteis

Alterações no clima devem piorar nos próximos anos

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Reinaldo Dias

É professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie Campinas, mestre em Ciência Política e doutor em Ciências Sociais pela Unicamp. Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (1976), mestrado em Ciência Política pela Universidade Estadual de Campinas (1995) e doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (2001). Atualmente é professor do curso de Administração do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas (CCSA) e do curso de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Foi professor e coordenador de curso em várias Instituições de ensino, entre as quais: USF (SP), UNIP (SP), UNA (MG) entre outras. Tem experiência na área de Sociologia, com ênfase em Teoria Sociológica, atuando principalmente nos seguintes temas: turismo, meio ambiente, patrimônio cultural, administração e política pública. É colaborador do Portal Top Vitrine desde fevereiro de 2015.

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