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LGBT & Outras Letras

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Sabado, 12.12.2015 às 18:21

HighSexual e o mundo das piadas ingênuas e desinformação

Temos que reconhecer que ficou realmente muito engraçado

LGBT & Outras Letras

Para o Portal Top Vitrine

Por Pedro Marcos Roma de Castro *

 

Dos anos 80 para cá, parecia haver um movimento anti-rótulos, agora surpreendentemente o mundo parece estar dando uma guiada ao oposto e os rótulos proliferam, e esse fenômeno não ocorre apenas no universo feminino, mas especialmente no universo da sexualidade masculina.

 

Parece que não é mais suficiente afirmar que é homem, parece que precisa de um complemento... e, nesse campo, surgiu mais um rótulo super antigo, mas que apareceu como novidade aos ouvidos brasileiros, não acostumados com esse termo de origem da língua inglesa.

 

Tudo começou há alguns meses atrás, onde explodiu nas redes sociais uma versão em tom de piada nada convincente sobre o que seria um homem highsexual: “um homem que usa drogas e sob o seu efeito muda a sua orientação sexual” e, pasmem, essa versão chegou até mesmo a inúmeros sites e jornais ditos sérios.

 

Vamos buscar esclarecer tamanha confusão. A sexualidade adulta masculina é muito focada no ato da cópula enquanto símbolo da virilidade e da expressão fálica em sua magnitude máxima. E o highsexual é apenas isso, um suposto neologismo para identificar um conceito que possui no mínimo pelo menos dois mil anos; na verdade nem neologismo é, trata-se apenas de um termo pouco usado na língua do dia-a-dia.

 

Mas vamos aos fatos. Ocorreu que um internauta, por meio de um desabafo, afirmou que após usar maconha ele ‘“viraria” highsexual e “viraria” gay apenas por causa disso (risos). Claro que dito dessa forma, temos que reconhecer que ficou realmente muito engraçado e, por isso, o termo explodiu na internet como barril de pólvora. Mas quanta desinformação. Ninguém sabia o que era um highsexual e versão mais corriqueira foi esta da maconha e seus poderosos efeitos colaterais, mudando a opção sexual de alguns homens.

 

Em um efeito cascata, alguns sites chegou a ter até uma forma mais elaborada, e tanto quanto esdrúxula como sendo highsexual uma palavra que traria a junção do termo high, usado para dizer que as pessoas estão drogadas, com “sexual”. Hã? ¿eh? what?

 

Então vamos esclarecer essa questão. O fulano pivô do desabafo na internet não virou highsexual por causa da maconha como afirmado por aí afora; na verdade o que ele queria dizer, e não foi compreendido, era que ele mesmo usando maconha, continuava sendo highsexual, ou seja ‘“alto”, “potente”, “intenso”sexual e/ou qualquer outra tradução que você desejar para o termo high. O prefixo high, nesse caso, serve para designar homens que se consideram posicionados em elevados postos da escala de masculinidade.

 

"Apesar de ser um rótulo novo, talvez seja uma visão tão antiga que remonte ao advento do Império Romano".

 

Agora talvez você tenha lembrado daquele ditame popular de que certo orifício de bêbado não tem dono, e é isso mesmo! Só que ao inverso. O que o camarada queria dizer era que mesmo sob o efeito de entorpecentes, nesse caso a maconha, ele continuava intacto o que para ele seria motivo de orgulho, afinal o dele tinha dono sim.

 

A questão é que o highsexual pode ser um homem hétero normativo, heterogoy ou bissexual, mas tem um detalhe, para os bissexuais o rótulo de high é vinculado apenas a aqueles que desempenham o papel de gay ativo.

 

Você não já ouviu essa história antes? Certamente que sim, especialmente se você tem mais de 30 anos de idade, onde aqui mesmo no Brasil antes das revoluções de comportamentos e conceitos que explodiram a partir da década de 80, era praticamente consensual que o ativo não era gay.

 

A ideia do sexo transviado era vinculado quase que exclusivamente à prática do sexo homo passivo. Como nos EUA e no Reino Unido não existe essa cultura do politicamente correto, eles escancaram, no próprio idioma que não existe essa de igualdade. O ativo em inglês é chamado de ‘Top’ e o passivo de ‘Bottom’.

 

A cabeça do highsexual funciona exatamente assim. Para ele não há problema algum em ter aqui e ali uma relação homossexual, desde que a sua posição high seja mantida. O que há de novidade nisso? Aparentemente nada. Apesar de ser um rótulo novo, talvez seja uma visão tão antiga que remonte ao advento do Império Romano.

 

O mundo se aproximando da nova era, parece que está tão de pernas pro ar que hoje fica difícil afirmar o que é moderno e o que é ultrapassado.

 

* Pedro Marcos Roma de Castro é psicólogo pela Universidade de Brasília (UnB), Doutor em Ciências Sociais Aplicadas - com ênfase em Administração, pela Universidade de São Paulo (USP) e Analista em Ciência e Tecnologia Sênior da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). É colaborador do Portal Top Vitrine desde fevereiro de 2015

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