Campo Grande-MS 26.04.2017

Biodiversidade

Sandra Sakamoto & Thiago Angeli

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Terça-Feira, 22.03.2016 às 08:00

Gavião-belo, no topo da cadeia alimentar e da lista de extinção

Ave encontra-se criticamente ameaçada de extinção no Brasil

Biodiversidade

Para o Portal Top Vitrine

Olá, leitor! Hoje nós do Projeto Herpetus, Thiago e Sandra, falaremos de um carinha que faz parte da nossa biodiversidade e está no topo da cadeia alimentar, tendo uma importância muito grande na manutenção do ecossistema e dos habitats que ocupa. Trata-se de uma ave muito conhecida e observada na região do Pantanal: o gavião-belo (Busarellus nigricollis).

 

Aliás, o nome científico – sempre escrito em letra itálica e em negrito – existe para que pesquisadores do mundo inteiro possam saber que trata-se da mesma espécie e que esta pode ocorrer em diferentes partes do mundo.

 

O nome popular ou vulgar pode variar de região para região, o gavião-belo, por exemplo, também é conhecido como gavião-lavadeira no Mato Grosso, gavião-balaio no Amazonas, gavião-velho, gavião-padre, gavião-panema e, em Inglês, como black-collored hawk.

 

E já que comentamos em nome científico, Busarellus nigricollis significa: pequeno urubu de pescoço preto.

 

O gavião-belo é uma ave de rapina, que inclui os grupos dos falcões, das corujas e das águias. Pertence a uma família chamada Accipitridae, é uma ave belíssima com alto poder de caça ativa, onde nesse grupo inclui-se outras espécies de gaviões. Mede cerca de 50 cm de comprimento. O macho pode pesar até 700 g, já a fêmea é ligeiramente maior, pesando em média 800 g.

 

Os indivíduos adultos têm plumagem que pode variar de marrom avermelhado a levemente alaranjado no abdômen, a região da cabeça tem coloração bem clara e fica destacada por um colar preto no pescoço, como se fosse uma gravata.

 

As penas das asas e da cauda são negras, suas pernas têm uma coloração cinza clara e o bico é negro (Antas, 2005). Já os animais juvenis apresentam coloração mais pálida, sendo que o branco da cabeça e do pescoço não estão ainda bem definidos.

 

Tem ampla distribuição geográfica: ocorre desde o México, passando pelo Brasil e Argentina. É encontrado em todo o território nacional, entretanto, é comumente  avistado no Pantanal por causa da sua área de ocorrência associada à presença de extensas áreas banhadas, brejos, campos inundados e manguezais, já que a principal dieta do gavião-belo são os peixes (Amaral, 2002).

 

É um especialista na captura destes animais aquáticos, sendo uma das poucas aves de rapinas brasileiras com esse hábito alimentar (Sick, 1997). Sua dieta consiste também em insetos e pequenos vertebrados: em 20 de agosto de 2010, observou-se pela primeira vez o B. nigricollis predar um jacaré-do-Pantanal (Caymam yacare) às margens do rio Paraguai, na Estação Ecológica de Taiamã, localizada no Mato Grosso.

 

Tem atividade matutina e vespertina, plana muito alto nas correntes de ar quente. Se mantém pousado em poleiros já demarcados por longas horas, a espera de movimentos de peixes na superfície da água. Voa em direção à presa, capturando-a rapidamente com suas garras finas, curvadas e pontiagudas, levando seu alimento ao galho preferido para comê-lo.

 

O observador de aves e grande amigo Marcos Faustino em conversa comigo, Thiago Angeli, relatou que em pescarias no Pantanal ocorrem acidentes com este ser emplumado: os pescadores utilizam iscas artificiais que atraem o gavião-belo. A ave confunde a isca com um peixe e atira-se sobre o objeto e acaba pescada no anzol.

 

Quando chega a época reprodutiva, geralmente no início da primavera, assim como para a maioria das aves rapineiras, a espécie realiza voos acrobáticos com grandes e suaves subidas e descidas. Já o macho as vezes faz voo picado e fica de cabeça para baixo sob a fêmea, e as duas aves tocam suas garras. É um tipo de manobra de grande destreza e lindo de ser observado.

 

Seu ninho é feito em uma plataforma a uma altura média de 12 metros e construído com gravetos, normalmente em manguezais, em bordas de mata ciliar ou ainda pântanos. Geralmente a fêmea faz postura de um único ovo. O que representa um cuidado ainda maior na preservação da sua espécie.

 

O B. nigricollis encontra-se criticamente ameaçado de extinção no Brasil, devido às ações antrópicas/intervenções humanas. A destruição do seu habitat com o desmatamento, poluição das águas e avanço das moradias urbanas, têm diminuído drasticamente sua área de caça e pesca, afetando diretamente em sua sobrevivência.

Douglas Fernando Meleti

O gavião-belo (Busarellus nigricollis)

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Sandra Sakamoto é publicitária de formação pela FIAM/FMU, redatora por vocação e bióloga de coração, profissão na qual se dedica atualmente. Autodidata, estagiou no Museu de Zoologia da USP no setor de Entomologia e frequentou cursos de extensão universitária nesta mesma Instituição no segmento de invertebrados. Participa periodicamente de cursos e palestras em Biológicas, Saúde e Educação para upgrade curricular. É coordenadora do Projeto Herpetus junto com o biólogo Thiago Angeli, sendo responsável pela parte de comunicação, divulgação e conteúdo deste trabalho. Tem escrito e revisado uma série de textos destinados ao setor de Zoo, Eco e Biodiversidade, além de ministrar aulas para um público amplo e diversificado.

Thiago Angeli é biólogo graduado pela UNIESP. Autodidata, possui know-how no manejo e na recuperação de diversas espécies de animais silvestres cativos. Estagiou e fez curso de extensão universitária em Biodiversidade pelo Instituto Butantan (SP), além de ter trabalhado em Mantenedouros de Fauna; no Projeto Macuco do Parque Estância Alto da Serra; em lojas especializadas em animais exóticos. Desenvolveu um trabalho de pesquisa sobre a anurofauna do Parque Estância Santa Luzia, localizada em Mauá (SP). Atualmente é coordenador do Projeto Herpetus junto com Sandra Sakamoto e ministra diversos cursos e palestras sobre biodiversidade da fauna. Participa de eventos e exposições do segmento para upgrade curricular. Dedica-se a registrar as espécies de aves urbanas em São Paulo. Desenvolve ainda trabalhos de paleoarte, taxidermia científica e artística, além de já ter escrito diversas apostilas e banneres sobre o segmento de Zoologia. Sandra e Thiago assinam a Coluna Biodiversidade no Portal Top Vitrine desde janeiro de 2016

proj.herpetus@gmail.com

projetoherpetus.wordpress.com

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