Campo Grande-MS 26.04.2017

Breno Rosostolato

Psicólogo e Terapeuta Sexual

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Quarta-Feira, 06.04.2016 às 11:00

Crise sexual no Japão, a preferência pela fantasia à realidade

Japonesas entre 20 e 25 anos têm 25% de chance de nunca se casarem

Breno Rosostolato

Para o Portal Top Vitrine

Os japoneses estão vivendo uma crise existencial que implica, entre outras coisas, uma crise sexual. A mídia japonesa tem até um nome pra isso, ‘sekkusu shinai shokogun’ ou, numa tradução livre, a ‘síndrome do celibato’.

 

Desde 2006, as japonesas reclamam dos ‘soshoku danshi’ ou ‘homens herbívoros’. Homens que não têm interesse pelo sexo oposto e desejo carnal. De acordo com o Centro Populacional do Japão, 45% das mulheres e 25% dos homens com idade entre 16 e 24 anos não estão interessados ou desprezam o contato sexual e mais da metade dos japoneses são solteiros.

 

Um grupo de homens surge com estilos de vida e comportamentos bastante peculiares. Estes são os ‘otakus’, uma geração de nerds que gosta de literatura mangá, anime, computadores e de um jogo que simula relacionamentos amorosos, o Love Plus, da Nintendo. Estas namoradas virtuais fazem muito sucesso entre os Otakus, mais até do que fazer sexo.

 

Se após a Segunda Guerra Mundial aquela geração de homens foi responsável pelo orgulho e renascimento do Japão como uma grande potência, os otakus são bem diferentes e não fazem o gênero macho alfa. Mais introspectivos e tímidos esses homens não interagem com as mulheres reais.

 

A questão é tão curiosa que as taxas de natalidade do Japão começam a diminuir porque a população está envelhecendo e com poucos nascimentos. Ainda com base nas estatísticas do Instituto Populacional do Japão, uma projeção é bastante significativa. Mulheres entre 20 e 25 anos têm 25% de chance de nunca se casarem e 40% de chance de nunca terem filhos. Os números de japoneses que não almejam um relacionamento amoroso, casamento e filhos, crescem exponencialmente.

 

A desigualdade entre os sexos no Japão exige muito das mulheres. Espera-se que elas se casem cedo, tenham filhos e vivam, exclusivamente, para a família. Para isso, são obrigadas, até mesmo, demitirem-se dos empregos para cumprir tais funções, impossibilitando independência financeira e autonomia. Por isso, muitas jovens escolhem dedicar-se ao trabalho, carreira e o futuro profissional e rompem com padrões sociais. Sofrem resistência da sociedade e são conhecidas como ‘oniyome’ ou ‘esposa do diabo’.

 

Além das implicações sociais e comportamentais, a economia japonesa começa a declinar devido a todas estas mudanças. A equação está formada. Uma mistura arrebatadora. Uma realidade de rigidez social. Multiplique pelo desrespeito às mulheres e some a uma crise masculina baseadas em expectativas no qual os homens não sustentam mais. Eleve à segunda potência a tecnologia. Resultado, a fantasia virtual que possibilita uma fuga da realidade, uma válvula de escape que vem muito bem a calhar.

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Breno Rosostolato

É psicólogo, terapeuta sexual e professor universitário em São Paulo (SP). É escritor, blogueiro - www.brenorosostolato.blogspot.com - e articulista de jornais e revistas. Breno Rosostolato é colaborador do Portal Top Vitrine desde fevereiro de 2013.

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