Campo Grande-MS 29.05.2017

Reinaldo Dias

Meio Ambiente

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Segunda-Feira, 18.01.2016 às 15:00

Corrupção e meio ambiente

Há uma correlação direta entre a corrupção e desempenho ambiental de um país

Reinaldo Dias

Para o Portal Top Vitrine

A corrupção é um grande obstáculo para o desenvolvimento de um país por ser um preço exorbitante pago por milhões de cidadãos, principalmente os pobres. Suas consequências são visíveis e se manifestam na precariedade do atendimento público em saúde, falta de salas de aulas, professores mal pagos, estradas em péssimas condições de tráfego - ou mesmo inexistentes – e transporte público deficitário.

 

A corrupção também se constitui em um importante entrave para o desenvolvimento sustentável e consolidação de instituições eficazes que visam cumprir suas funções de atender ao bem comum.

 

Há uma correlação direta entre a corrupção e desempenho ambiental de um país. A ONG Transparência Internacional tem demonstrado essa relação por meio de indicadores de sustentabilidade publicados anualmente. Essa ligação é corroborada pelos resultados de muitas intervenções do poder público no combate a crimes ambientais, como também pelas tragédias ambientais que envolvem o nome de grandes empresas.

 

Os exemplos são inúmeros e vão desde licenças ambientais obtidas de modo fraudulento, passando pela exploração ilegal da madeira, a ocupação ilegal de áreas de mangue e a destruição de matas ciliares para beneficiar o mercado imobiliário.

 

Uma justificativa sempre presente entre muitos corruptos é que o meio ambiente não pode prejudicar o desenvolvimento, que a burocracia entrava o crescimento econômico, que a atividade econômica compensa sua predação ambiental com a geração de empregos e renda entre outras que, lamentavelmente, seduzem e enganam comunidades e lideranças que passam à defesa do empreendimento insustentável.

 

As mineradoras, em particular, são as que mais utilizam argumentos econômicos para justificar as profundas alterações ambientais que promovem no ambiente. Provocando mudanças visíveis e permanentes, alterando ecossistemas de modo irreversível e tornando dependentes comunidades numa relação muito parecida com a existente nos feudos da idade média. Somente quando ocorrem as tragédias, como a recente em regiões próximas a Mariana (MG), é que fica evidenciada essa prática irresponsável e enganosa. Os fatos estão aí para a demonstrar.

 

Volkswagen e Samarco

 

No entanto, é preciso atentar para a realidade de que para muitas empresas identificadas com o capitalismo selvagem e predatório do século XIX, a questão ambiental é fonte de custos e diminuição de lucros e, em função dessa visão tudo fazem para evitar perdas econômicas sacrificando o ambiente natural e a qualidade de vida da população. Eventos recentes só confirmam esse quadro: a Volkswagen com sua fraude e a Samarco com sua irresponsabilidade não constituem casos isolados.

 

O fato é que a corrupção nas questões ambientais deve ser combatida com o apoio de uma sociedade civil ativa e meios de comunicação livres e comprometidos com a opinião pública. Um aspecto vital para o combate à corrupção na área ambiental é a formação de coletivos com a participação de cidadãos e organizações da sociedade civil para o acompanhamento dos processos envolvendo as empresas agressoras do meio ambiente. A identificação de crimes ambientais e de seus responsáveis exige muitas vezes, um conhecimento técnico que as ONGs e universidades podem fornecer para instrumentalizar setores éticos do poder público no combate à corrupção e identificação de corruptores e corruptos.

 

Ampliar o controle social, aumentar a transparência e fortalecer os órgãos ambientais é a fórmula para diminuir a corrupção ambiental. Embora pareça simples, demanda vontade política das autoridades, de empresários e dos cidadãos comprometidos com a ética e com um efetivo desenvolvimento de políticas públicas sustentáveis.

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Reinaldo Dias

É professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie Campinas, mestre em Ciência Política e doutor em Ciências Sociais pela Unicamp. Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (1976), mestrado em Ciência Política pela Universidade Estadual de Campinas (1995) e doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (2001). Atualmente é professor do curso de Administração do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas (CCSA) e do curso de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Foi professor e coordenador de curso em várias Instituições de ensino, entre as quais: USF (SP), UNIP (SP), UNA (MG) entre outras. Tem experiência na área de Sociologia, com ênfase em Teoria Sociológica, atuando principalmente nos seguintes temas: turismo, meio ambiente, patrimônio cultural, administração e política pública. É colaborador do Portal Top Vitrine desde fevereiro de 2015.

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