Campo Grande-MS 27.05.2017

Pedro Marcos Roma de Castro

Comportamento & Diversidade Sexual

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Sexta-Feira, 12.02.2016 às 13:00

Casado (e gØy!). E agora?

Homens casados procuram ativos e/ou passivos para sexo apenas e nada mais

Pedro Marcos Roma de Castro

Para o Portal Top Vitrine

Esse texto recebi de um leitor, o Danillo, provavelmente retratando a sua própria condição. Apesar de não ser um texto de minha autoria, achei um pecado não compartilhar aqui na minha coluna com os leitores do Portal Top Vitrine. Danillo tem 25 anos e descreve:

 

“Muitos homens casados, mesmo amando suas esposas, nutrem uma certa atração por outros do mesmo sexo. Muitos são heterogoys, outros bissexuais plenos. Fato é que os segundos, na minha opinião, estão em maioria no meio gay, procurando ativos e/ou passivos, para um sexo apenas, nada mais. Fazer sexo apenas uma vez não vai acabar com o desejo, ele vai voltar.

 

Ficar pulando de galho em galho numa promiscuidade que traz lá os seus riscos não é uma coisa muito segura para alguém, ainda mais casado. É traição? Relação sexual com outra pessoa sendo você casado é traição. O homem sabe disso, e muitas vezes tem que lidar com a sua consciência, gerando sentimentos de revolta e muita frustração. Ou trai mesmo sem nenhum pudor, renegando totalmente o amor à sua esposa.

 

Há homens com atração, mas longe de querer penetrar ou ser penetrado. Eles querem apenas ter contato, curtir, estar junto com um cara e não estar amarrado ou preso pela opinião ortodoxa da cultura hétero normativa que especula que qualquer contato com outros é sexo, portanto seria traição.

 

Enfim, contatos assim são naturais e são coisas de homens. Acho que é isso que deve ser falado sobre os g0ys. Não que ninguém precisa ser rotulado, mas em meio há tantas confusões sexuais e mentais que é bom encontrar pessoas que desejam o mesmo que você, um chão que você possa pisar. Se é casado? Então precisa saber que não é solteiro, respeitar a sua esposa e dar atenção a ela, nesse ponto tem que estar consciente que até as amizades podem ficar limitadas. Vale a pena fazer um bom amigo e até alguns mais íntimos, mas não amantes!

 

Para conforto pessoal no começo é até bom ou é de preferência que os amigos g-zero-y estejam em uma condição mais estável também. Solteiros e casados pensam muito diferentes e a afinidade se dá primeiro pelo meio afetivo, com respeito e boa conversa, ela pode ser (ou não) mais íntima. São coisas que precisam ser lidadas sem abalar a amizade, muito menos o casamento.”

 

Excelente posicionamento.

 

Como sei que muitos g0ys e heterogoys (e claro também outras denominações sexuais) acompanham e lêem o Portal Top Vitrine, resolvi compartilhar com mais pessoas. Agora, vale frisar que isso é polêmico? Claro que é. O conceito de casamento varia muito entre machos e fêmeas, cada um tem uma visão diferente sobre a relação.

 

Além disso, cada casal tem que mergulhar e resolver suas situações de uma maneira que seja própria. Mas o que temos para os homens casados e não héteros normativos é isso: primeiro saber que não estão sozinhos, independente da sua condição sexual – respeite a sua esposa. Se realmente pensam que não são gays enrustidos, então aguarde o momento certo e fale sobre a sua visão de mundo, se não enxerga pecado, não precisa sofrer por sua sexualidade que é expressa não de uma forma carnal, mas apenas de uma maneira mais evoluída, erotizada e/ou afetiva.

 

Relações assim são possíveis e em todas que foram e podem no futuro ser bem sucedidas, provavelmente nelas estarão presentes o prisma da segurança, da discrição e da confiança mútua como mantenedora da verdadeira afetividade do casal, sua consciência não deve ficar pesada.

 

No entanto, isso pode ser considerado muito pós-moderno, pois você estará numa relação que deverá buscar equilibrar amizades – e isso pode não ser fácil; sabendo que deve muito bem viver e dosar a condição de amigo social, a condição de amigo íntimo e a condição de marido, dando a cada instância a devida entrega.

 

Esqueça por alguns minutos esse negócio de sexo. Provavelmente a sua esposa estará muito mais preocupada com a atenção que você dá e a sua pré-disposição para entrega na relação.

 

Nesse ponto os ciúmes masculinos e femininos costumam ser diferentes. Agora, se estes seus brothers ocuparem mais espaço na sua vida do que o espaço subjetivo que seria devido a sua vida a dois se prepare, pois se houver esse sentimento ou essa percepção pelo feminino... conflitos à vista!

comentários (3)

Sou casado há 4 anos, quando descobri a possibilidade g-zero-y (g0y) a pouco mais de 2 anos, isso mudou radicalmente a minha vida, ôpa FINALMENTE SEI O QUE SOU, nunca fui homofóbico, mas nunca tive sonhos eróticos transando com homens, nunca me senti bissexual só que não sabia direito o que faltava. Hoje sei que esse algo é a necessidade de contato, de se sentir perto e não precisar de uma partida de futebol ou uma luta, para justificar a proximidade. Tem 2 depoimentos embaixo, cada um com uma história diferente só que eu consigo ver algo em comum nos dois: Ambos assim como eu, também se revelaram para as esposas. Sei que sendo otimista pelo menos 50% dos caras que conheço, que estão na mesma situação, não contam para as mulheres, justificativas eles encontram aos montes, mas vale a pena? Por outro lado tu que viver sem segredos? Então como dito esse negócio de esperar o momento certo é CHAVE, vi muitos do tipo assim, querida senta aqui que quero lhe contar uma coisa... não façam isso!! Vão com calma, com doses homeopáticas, devagar, falo isso por experiência própria, e também se quer contar um dia, tenha logo consciência que só existe dois caminhos, a mulher aceitar, ou não aceitar, se for a segunda pule fora e pronto, não aceite jamais um meio termo do tipo, ela não gostou, mas vai se acostumar... isso vai transformar a sua vida num inferno. Qualquer DR, qualquer briga de casal, ela reviverá essa história, e brigas com certeza como em qualquer casal normal, serão muitas... Ok

Claudio Lapaz 13.02.2016 - 08:18

Muito bom o texto. Só que nem tudo são flores. O Marcelo Alcântara que comenta aqui, teve sorte de estar com uma mulher compreensiva. Eu, contei para minha namorada, caramba foi um escândalo, me chamou de viado e o escambau, disse que não aceitaria isso nunca, enfim por um lado foi bom. Hoje dois anos depois, estou noivo com outra mina, e está super na paz, ela sabe exatamente a diferença entre bissexual e a minha condição de ser flexível apenas e nada além disso. Não sou bi, nem gay e nem pretendo ser. Isso parece confuso, mas na boa Usar certas partes traseiras para determinados fins, vai contra os meus princípios, não está incluso nas minhas fantasias sexuais e é um troço que não tenho tesão nenhum

Casado32a 12.02.2016 - 17:04

Sou casado e sou hetero flexível. Me senti na pele nesse post. Você falou tudo " então aguarde o momento certo e fale sobre a sua visão de mundo", a mulher é muito estranha, a forma e a maneira de tocar no assunto, às vezes é mais importante que o assunto em si. Sofri muito até revelar que era g0y, g-zero-y, para minha esposa. Aliás soube o que era isso, aqui na Top Vitrine, num artigo muito bom do psicologo Breno. O meu medo maior era que minha mulher achasse que eu era gay, o momento chegou, simplesmente ela me chamou, levantei do computador e "sem querer - querendo", deixei a página heterogoy aberta, óbvio que ela leu!! E para minha surpresa, tocamos no assunto numa boa e da forma mais delicada possível e não rolou divórcio, kkk pelo menos até agora..., não por esse motivo.

Marcelo Alcântara B. Silva 12.02.2016 - 13:22
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Pedro Marcos Roma de Castro

É psicólogo pela Universidade de Brasília (UnB), Doutor em Ciências Sociais Aplicadas - com ênfase em Administração, pela Universidade de São Paulo (USP) e Analista em Ciência e Tecnologia Sênior da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). É colaborador do Portal Top Vitrine desde fevereiro de 2015.

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