Campo Grande-MS 26.04.2017

Carlos Brickmann

Política

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Quarta-Feira, 23.03.2016 às 09:00

Carlos Brickmann: Jamais faça o que eu faço

No dos outros sempre pode

Carlos Brickmann

Para o Portal Top Vitrine

Se não fizer o que eles mandam vão chamá-lo de coxinha, fascista, golpista, neoliberal e – insulto supremo – leitor de jornais (que chamam de mídia).

 

Tudo isso que o ex-tudo e atual advogado geral da União, José Eduardo Cardozo, condena agora, ele já fez quando estava por cima. Na CPI dos Correios, de 2005, Cardozo, o atual defensor dos sigilos, divulgou os dados econômicos e financeiros dos sócios da Skymaster, obtidos após quebra do sigilo bancário das vítimas. Só parou depois de mandado de segurança, acolhido pelo Supremo.

 

E quem é que, a seu lado, também divulgava dados sigilosos dos investigados? O senador Delcídio do Amaral (que na ocasião se chamava só Delcídio Amaral), seu companheiro de lutas, também um bravo Guerreiro do Povo Brasileiro. Ambos se orgulhavam do mal que fizeram aos investigados: Cardozo divulgou os dados sigilosos dos outros em seu site, www.joseeduardocardozo.com.br; e Delcídio, em www.cpidoscorreios.org.br. Cardozo e seu companheiro Delcídio se basearam num princípio jurídico de largo uso no Brasil, “no dos outros sempre pode”. E Cardozo se baseou agora em outro princípio jurídico, “cumpanhêro é cumpanhêro, tem imunidade”, para considerar ilegal a divulgação dos sigilos de Lula (atitude que considerava legal quando era ele que a fazia contra quem não era do partido).

 

Cardozo, além de advogado geral da União, procurador do Município de São Paulo (licenciado) e ex-ministro da Justiça, é professor da Faculdade de Direito da PUC. Tem condições de explicar por que o que era legal antes é ilegal hoje.

 

Para Lula, tudo

 

O caro leitor deve estar saturado de tantos protestos contra as conduções coercitivas. Desde que Márcio Thomaz Bastos era ministro da Justiça, no Governo Lula, as operações de busca e apreensão da Polícia Federal são acompanhadas de condução coercitiva de pessoas a ser interrogadas. Nunca houve intimação prévia, para – é óbvio – evitar a ocultação e destruição de provas. Foi assim nas operações Farol da Colina (2004), Dilúvio (2006), Bola de Fogo (2006), Rio Nilo (2007), Estrada Real (2008), Plástico Frio (2014). Nessas operações, ninguém classificou a condução coercitiva como abuso. Com Lula é diferente?

 

Divirta-se

 

Em http://wp.me/p6GVg3-1y9, uma divertida versão de We are the world, com Ceará, ex-Pânico na TV, cantando e comentando o Governo Dilma.

 

Canhões giratórios

 

Esta é uma semana relativamente tranquila, do ponto de vista apenas político (embora com as tormentas causadas pela Operação Xepa ao Governo e a suas empreiteiras de estimação). Mas a semana seguinte, logo após o Domingo de Páscoa, deve ser tumultuadíssima, do ponto de vista da presidente Dilma. Dia 29, o PMDB, ao que tudo indica, marca oficialmente seu distanciamento do Governo – embora haja um grupo que, embora aceite romper com Dilma, quer manter seus cargos. Outros partidos ameaçam abandonar a base, bem na hora em que Dilma, acossada pelo impeachment, mais precisa de seus votos. Neste momento, há dúvidas sobre a capacidade da presidente de reunir os 171 votos necessários para sepultar o impeachment na Câmara. Com as rupturas previstas, isso fica ainda mais difícil. Lula tenta negociar com o Senado, onde o PT transita com mais facilidade, mas depende dos humores (e reivindicações) de Renan Calheiros. E até lá há dois fatores imponderáveis: a evolução das investigações da Lava Jato, que inclui os desdobramentos da Operação Xepa e eventuais novas iniciativas; e as decisões de Sérgio Moro sobre Lula, novamente sujeito, por ordem do Supremo, à sua jurisdição. Se houver a prisão de Lula, que se poderá esperar?

 

Mãos Limpas, Lava Jato

 

Reserve a data (e reserve lugar, porque vai lotar): dia 29, terça que vem, das 14 às 18h, os juízes Sérgio Moro e Piercamillo Davigo, integrante da força-tarefa da Operação Mãos Limpas na Itália, participam de simpósio sobre Combate à Corrupção. Com eles, Rodrigo Chemim, procurador do Paraná, e Paulo Roberto Galvão de Carvalho, procurador da República, integrante da força-tarefa da Operação Lava Jato. Público preferencial: magistrados e Ministério Público. As palestras terão tradução simultânea. Ao final do evento, todos – exceto o juiz Sérgio Moro – responderão a perguntas do público. No auditório da Procuradoria Regional da República, 3ª Região, av. Brigadeiro Luís Antônio, 2020, SP.

 

Falcão abre o jogo

 

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, está convencido de que o Governo não cometeu erros, não falhou (e, embora não o diga, que ninguém botou a mão onde não devia). Para resolver a crise, tem uma solução simples: providências contra rádios e tevês que, a seu ver, defendem um golpe. “Não é possível que emissoras de rádio e TV, concessões de serviço público, continuem, à margem da lei, propagando e organizando o golpe”. É a volta da antiga tese petista, que havia sido deixada um pouco de lado, de que é preciso impor controles à imprensa . Danem-se os índices técnicos: a publicidade governamental deve ser cortada nos veículos que não seguirem as diretrizes oficiais. E as verbas devem ser destinadas ao jornalismo chapa branca, em especial os blogs e sites obedientes.

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Carlos Brickmann

É jornalista, consultor de comunicação. Foi colunista, editor-chefe e editor responsável da Folha da Tarde; diretor de telejornalismo da Rede Bandeirantes - prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte, APCA, em 1978 e 1979, pelo Jornal da Bandeirantes e pelo programa de entrevistas Encontro com a Imprensa; repórter especial, editor de Economia, editor de Internacional da Folha de S. Paulo; secretário de Redação e editor da Revista Visão; repórter especial, editor de Internacional, de Política e de Nacional do Jornal da Tarde. Desde setembro de 2012 é articulista semanal do Portal Top Vitrine.

 

carlos@brickmann.com.br
www.brickmann.com.br

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