Campo Grande-MS 27.05.2017

Pedro Mattar

Publicitário e Cronista

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Sabado, 20.02.2016 às 10:50

Ainda bem que existe bunda

Imagine o que seria de você se não tivesse bunda?

Pedro Mattar

Para o Portal Top Vitrine

Minha bunda não combina com algumas tampas de privada. O contato diário entre ela determina a promiscuidade inevitável e vem daí algumas incompatibilidades.

 

Não basta ter a tampa da privada como proteção contra o contato direto com os abomináveis vasos sanitários: é preciso obedecer alguns critérios que tornem essa relação mais confortável.

 

Falo de vasos sanitários públicos, já que os lá de casa foram adaptados ao gosto exigente da minha bunda. Trato bem dela, já que isso é indispensável ao meu conforto.

 

Bundas cumprem função estratégica na aerodinâmica corporal. Sem elas o corpo humano estaria condenado a ser assentado diretamente sobre o cóccix, o ossinho pontudo no final da coluna vertebral.

 

Reconhecer a importância da bunda já é um avanço na conscientização humana sobre higiene e conforto. Afinal, nem todos se lembram do papel acomodador que as bundas oferecem aos seus felizes proprietários.

 

Imagine o que seria de você, que se atreve a me ler, se não tivesse bunda? Sua única alternativa seria viver como o jacaré, que fica o tempo todo virado com a barriga pra baixo.

 

Você talvez não saiba, mas os jacarés são frustrados por falta de bunda. Reparem no olhar arregalado deles.

 

Você iria sentir essa frustração caso fosse despojado dela. Suas reuniões de trabalho seriam feitas em pé, seus almoços em família, sessões de cinema e tudo que exigisse sentar, não teria alternativa. Ainda bem que para dormir a bunda não é imprescindível, mas nos demais momentos ela é indispensável. Talvez, não, em coquetéis.

 

Existem infindáveis tipos de bunda, assim como tampas de privada.

 

As bundas magrinhas são as que mais exigem tampas de privada almofadadas. O contato de bundas magras com tampas de privada duras não proporciona o conforto desejado por portadores magrelos.

 

Já as bundas salientes, volumosas, que as vezes excedem os limites das tampas, comprometem o desempenho normal das mesmas.

 

Tanto as bundas, como as tampas de privada, são ferramentas fundamentais nos encontros dos cidadãos consigo mesmo. São acessórios de uma reflexão que pode durar cinco minutos ou mais de meia hora. Você sabe do que estou falando.

 

Palavras cruzadas e leituras de diferentes origens, incluídas bulas de remédios, são parceiros de todos os tipos de bunda nas incursões pelos banheiros do mundo.

 

Sentar em cima da própria bunda é uma experiência que transcende. Mas versar sobre a bunda de alguém também pode gratificar espíritos mais exigentes. Porque a bunda, sob diferentes ângulos de avaliação, sugere conotações que superam os limites de mero acessório de conforto.

 

Neste artigo não ouso me aprofundar nos infindáveis mistérios que cercam esse utensílio do corpo humano. Existem outros ângulos em que a bunda é avaliada no seu contexto anatômico, sob o ponto de vista imaginário masculino e feminino.

 

Instaladas na parte traseira do corpo, possivelmente para reduzir seu desgaste em incontáveis choques durante a vida, bundas atuam como um tipo de mochila carnosa que todos arrastamos para cima e para baixo.

 

Caso a bunda fosse posicionada na frente do nosso corpo, isso afetaria a posição de alguns dos nossos órgãos. Mulheres, por exemplo, reclamam da falta de pontaria dos homens na direção do xixi diário. Podemos antever que, com a bunda na frente e demais órgãos atrás, o desastre seria maior.

 

Quando me profundo na literatura de essência fico um sujeito insuportável.

Paulo Renato Coelho Netto/Livro Mato Grosso do Sul

Pedro: Jacarés são frustrados por falta de bunda

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Pedro Mattar

Pedro Mattar tinha 77 anos, até ontem, e hoje soma mais um ou mais dias, dependendo da data desta publicação... É publicitário, rebelde sem o mínimo motivo e exerceu diversos cargos em empresas e administrações públicas, os quais tem vergonha de citar. Como escritor, acha que é o maior leitor de si mesmo. Sob essa perspectiva, subscreve atenciosamente, sem assinar. Desde julho de 2011 é articulista semanal do Portal Top Vitrine.

pedromattar@uol.com.br

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