Campo Grande-MS 29.05.2017

Priscila Dourado

Arquiteta e escritora

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Sexta-Feira, 13.11.2015 às 10:10

A minha verdade, a sua verdade, a verdade que não é de ninguém

Cada verdade tem sua cor, seus matizes e suas nuances

Priscila Dourado

Para o Portal Top Vitrine

A minha verdade, a sua verdade, a verdade que não é de ninguém.

 

Cada um de nós carrega consigo a sua verdade. E a verdade de um não é necessariamente a verdade do outro, aliás, nunca é.

 

Cada verdade tem sua cor, seus matizes e suas nuances. Não há uma que seja absoluta e verdadeiramente estanque.

 

E são essas nuances e matizes, que são tão pessoais, que causam tanta balbúrdia. E tem mais... A vivência que cada um de nós traz torna as verdades mais ou menos reais.

 

Saber distinguir uma verdade da outra é uma arte, e mais ainda, saber ser verdadeiro, um pesadelo.

 

Pesadelo para quem o é. Pois a verdade dói.

 

E quem quer sentir dor? Quem quer passar por algo que corrói ou algo que nos faz ver o quanto a realidade com suas verdades poderiam ser diferentes.

 

E as verdades de cada um vão se misturando, se conflitando e em alguns raros e preciosos momentos, tornam-se cores únicas.

 

Cores únicas de um único momento que não voltará. Que será apenas o que é: um momento.

 

E as cores mais bonitas, irrecuperáveis e impossíveis de serem copiadas ficarão ali, naquele momento. No breve momento em que as verdades únicas e verdadeiras se fundiram.

 

Mas como seres que se fundem e se rompem, as cada momento teremos novas cores, teremos nossos sonhos.

 

E nossos sonhos são nossas verdades, mas nossas verdades não são nossos sonhos.

 

E então nos resta, apenas, criarmos novas verdades e novos sonhos, e novamente quem sabe com sorte, termos mais um momento de formação de mais uma única cor única.

 

E a vida com suas compensações, nem sempre nos dá o que queremos de fato.

 

Nem sempre nos dá o sonho. E por mais esdrúxulo que pareça, às vezes, corremos tanto atrás de um sonho, que quando o realizamos nos deparamos com a realidade que ele é, mas que não é nosso sonho.

 

Porque o sonho que nós sonhamos, é de acordo com nossa realidade, mas ele sempre e invariavelmente acontece balizado com a realidade dos outros, e aí ele não fica tão lindo assim.

 

Mas ainda nos restam os momentos. Tão pequenos, tão raros, tão sublimes.

 

E estes sim, devem ser nossa realidade, pois assim a vida não fica tão árida.

 

Os momentos e suas realidades, as realidades e seus momentos são nossa vivência, nosso magma.

 

O que nos resta é decidir se seremos vulcões ativos ou adormecidos.

 

Explodimos e expulsamos nosso magma, causando devastação e vida nova ou ficamos apenas criando estâncias termais e correntes de água morna?

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